quinta-feira, agosto 10, 2006

    Pensamentos diversos

    Ultrapassadas que estão as necessárias 48 horas após o final do primeiro jogo oficial de Fernando Santos como treinador do Benfica, posso finalmente debitar meia dúzia de palavras sobre esse e outros assuntos de somenos importância.

    Estou em crer que os problemas com os quais o futebol do (meu) clube da Luz se tem debatido são mais profundos do que meros números que servem para nós, os teóricos, demonstrarmos que o "x" serve para outras coisas além de operações de multiplicação.

    4x4x2 / 4x3x3 / 4x1x4x1, tudo isto merece ser relativizado perante a falta de dinamismo, a pouca cultura táctica, a parca condição fisica, o inexistente domínio dos três parâmetros essenciais para aquilatar a valia de um jogador: passe, recepção e remate; que os jogadores do Benfica, dirigidos pelo Engº Fernando Santos, têm feito por exibir sempre que foram chamados a actuar. Não se pense no entanto que mora no banco o único culpado pela crise exibicional (só o Benfica para, decorridos 90 minutos da época já estar mergulhado numa qualquer crise), pois a própria observação do plantel, nomeadamente o(s) responsáve(l)is pela sua constituição, permite-nos verificar várias inconsistências que verão necessariamente a luz do dia assim que começarem as lesões, os castigos e as baixas de forma de jogadores que não têm concorrência dentro do grupo.

    É inadmissível, e nada me move contra estes jogadores em concreto, que Manu e Paulo Jorge sejam lançados às feras, queimando etapas que lhes poderiam ser bastante uteis no futuro, porque...simplesmente não existe mais ninguém que faça as vezes de médio ala entre os vinte e poucos jogadores do plantel. Bem, existe Marco Ferreira, mas não iremos por aí pois pretendo manter um certo nivel no post. Se, e estes "ses" são condicionantes que pouco me agradam, Simão ficasse e eventualmente se avançasse para a aquisição de um lateral esquerdo que fizesse concorrência ao trintão Leo, talvez se pudesse exigir mais a Fernando Santos (do qual eu, como muitos benfiquistas que conheço, não sou particular fã), mas se tal não suceder, o que neste momento é a hipótese mais verosímil, então haverá sempre um escape para o treinador descartar responsabilidades nos eventuais insucessos da equipa. Isto já para não trazer à colação o velho chavão de "A equipa está a ganhar automatismos" que serve para os primeiros 4/6 meses.

    Felizmente saiu em sorte um adversário acessivel e, por incrivel que pareça, as hipóteses do Benfica passar à fase de grupos da Champions ficou reforçada depois do jogo de terça-feira. Uma atenuante chegou entretanto no dia seguinte com a derrota do Valência (querido inimigo de muitos benfiquistas após os casos Miguel e mais recentemente Simão) no campo de outro clube austríaco e com as inesperadas dificuldades de outros grandes europeus em fecharem a eliminatória no jogo da primeira mão.

    Adiante.

    Não tenho visto em pormenor os jogos dos outros grandes, mas do que vi até agora parece-me importante salientar que estão ambos uns bons passos à frente, com especial destaque para o Sporting de Paulo Bento. O ex-internacional português está a sair melhor que a encomenda e pode ser que os dirigentes sportinguistas tenham acertado na mouche quando se decidiram pela prata da casa quando Peseiro foi despedido. Impossivel não traçar um paralelismo com o que se passa actualmente no Porto, onde outro ex-jogador do clube, Rui Barros, se encontra interinamente a substituir o furacão Co. E será que estes pensamentos não passarão também pela cabeça de Pinto da Costa neste momento? Solução mais barata não existe e de antemão não é garantido que além de pouco dispendiosa também não se viesse a revelar vitoriosa.

    Ainda relativamente ao clube de Alvalade (e repare-se no esforço tremendo que eu faço para não repetir a forma como menciono os clubes ou mesmo os treinadores, isto revela trabalho de casa) é da mais elementar justiça realçar a continuidade da aposta em jogadores da cantera, o que pode ajudar a explicar uma espécie de entreajuda, de identificação (porque não?) com o clube, e aqueles 10% a mais que por vezes podem fazer a diferença entre um empate ou uma vitória. Excesso num lado, ausência completa do outro, e é aqui, nesta mão, que se encontram algumas das pedras que tenho para atirar aos dirigentes do outro clube da 2ª circular (cá está mais um exemplo).

    Se a palavra "excesso" aqui mais acima, foi ou não bem empregue, é o que os resultados que o Sporting (agora foi impossivel fugir) vier a alcançar, ajudarão a definir. É que ganhar jogos é uma coisa, vencer campeonatos é outra, bem diferente. E convém não esquecer que, pese os niveis de pressão não poderem ser comparados, o clube não vence títulos há mais tempo do que os (in)felizes detentores da primeira crise da época.

    Que entretanto foi copiada, com pormenores mais burlescos, pelo Porto. Vencedor da dobradinha, detentor (no mínimo) de um dos plantéis mais valiosos do futebol português, e quando tudo parecia encaminhado para um longo período de acalmia após a sucessão de disparates que se seguiram às recentes conquistas europeias do clube, cá está uma laranja indigesta como sobremesa da dobradinha. O cozinheiro? Um deles foi indiscutivelmente Pinto da Costa, resta saber se terá desempenhado o papel de ajudante ou o de chef principal neste petisco que ficará para ser degustado pelo substituto. A pré-época e as principais directrizes que foram utilizadas para definir o actual plantel do clube foram deitadas às malvas, isso é garantido.

    Termino com uma pergunta de retórica que diz respeito ao futebol internacional: O que é que o Moratti está a tentar fazer? Se a pergunta não prescindisse de uma resposta, seria de bom tom incluir o presidente do Inter como destinatário da missiva, porque, mais do que ninguém, parece-me a mim que é ele quem precisa ser elucidado.

1 Comments:

Blogger dezazucr said...

finalmente o regresso... Bom post, concordo numa série de factores que mencionaste, apesar de te ter escapado o factor "motivação" que também é grande parte responsabilidade do treinador.

6:36 da tarde  

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