terça-feira, agosto 15, 2006

    Mourinho, vida sem bola, o que é que eu vou jantar hoje?

    Dono de um mau perder de fazer inveja a qualquer McEnroe desta vida, à medida que a idade avança as derrotas deixaram de afectar somente a cabeça para passarem a dirigir-se igualmente para o aparelho digestivo. Uma das soluções encontradas foi a cuidadosa selecção gastronómica em dias de jogos e a ingestão de um chá à base de ervas relaxantes a poucos minutos do início dos mesmos.

    Por vezes adiam-se as refeições e não poucas vezes o travesseiro é o melhor conselheiro, para esquecer as incidências do dia, e o facto de o estômago continuar vazio. "Dás demasiada importância a um simples jogo", ou, "Eles é que ganham o dinheiro", ou ainda, "Qualquer dia dá-te um ataque cardíaco", são palavras ditas com o maior carinho mas que não passam de um mero zumbido, tão inútil quão desgastante (sobretudo pela repetição), nos ouvidos de quem está preocupado com matérias muito mais transcendentes do que a simples manutenção da sua saúde.

    É portanto irónico, e talvez revelador de um certo traço de personalidade, que demonstre tão pouca simpatia pelos sentimentos do melhor treinador português de todos os tempos quando a sua equipa não ganha. Não cumprimenta o treinador adversário? Tenta vencer por todos os meios (dentro da legalidade!) ao seu alcance? Fica pior do que estragado quando perde? Haverá muitos que atirarão a primeira pedra, mas esta não será lançada por uma das mãos cujos dedos se esforçam neste momento para debitar o maior numero de palavras o mais rapidamente possivel, para irem tratar do jantar (leve, levezinho) o quanto antes. Não! Eu, limito-me a ficar satisfeito por alguém que não sabe perder (sentimento natural e justificado como já disse) mas que, sobretudo, não sabe ganhar (este sim, um pecado mortal), ter sido derrotado.

    Já de saída, uma palavra para a luta renhida pela conquista do título de campeão da pré-época, entre o SCP e o Sp.Braga. O clube de Alvalade tem um teste decisivo com o Inter, bastando-lhe um empate para assegrurar o título, mas o homónimo bracarense tem surpreendido pela rápida assimilação dos novos conceitos inerentes à mudança de técnico. Que inveja...

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