terça-feira, junho 27, 2006

    Le Coq (que ainda consegue ser) Magique

    O Espanha-França foi, para mim, talvez dos jogos que tive oportunidade de ver, o mais bem disputados e emotivos deste Mundial (não vi o Brasil-Gana, mas apesar do gana se ter batido bem, eu já sabia que jogos com o Brasil é mais do mesmo - momento para um bocejo).

    Muito bem arbitrado (tome o exemplo Konrad Ivanov) e muito bem jogado este era a última oportunidade para a França mostrar que afinal ainda consegue ter momentos de magia, ao contrário da graça que um qualquer francês (?) pouco patriota se lembrou de construir e que há dias tive oportunidade de aqui postar.

    O resultado foi mais que justo e não, não torço pelos Gauleses - aliás ainda temos umas contas antigas para ajustar com os franciús que já não irá ser desta, quase de certeza, mas como a vingança serve-se fria lá para 2008 quem sabe? - nem torcia pelos Espanhóis apesar de nos terem presenteado com um bom futebol diferente do que até ao EURO 2004 conseguiram mostrar. Apenas acho que a França (e Zidane) deram hoje uma valente bofetada de luva azul e branca na tromba dos vizinhos periodistas que já os tinham despachado para a Gália ainda antes do jogo ter começado. A soberba habitual de nuestros hermanos é já sobejamente conhecida, mas chegar ao ponto de apelidar a França de um Real Madrid das Selecções (o que fariam um Ribéry, um Vieira e um Henry junto com Zidane em Madrid) é procurar lenha para se queimar. Se o resultado tivesse pendido a favor de Espanha é evidente que todas estas tiradas infelizes - tiros certeiros nos pés - tinham tido o efeito contrário ao que acabou por ter. Agora vão ter que engolir bem engolidinha a desfaçatez por terem menosprezado a equipa contrária dando a vitória como garantida. E como os espanholitos tinham a fasquia lá bem no alto!... Esqueceram-se foi que o futebol é assim mesmo, prega cada partida. Muito bem feito!!

    Na tromba também levou Aragonês, apelidado de "o racista". Esta foi a melhor vingança que Henry et ses amis poderiam ter. Melhor que esta vingança saborosa só talvez o copo de sumo de laranja que com tanto prazer emborquei na manhã seguinte ao Portugal-Holanda.

    Por Zidane, O SR Zidane o resultado foi o culminar de uma carreira brilhante que está prestes a terminar. E que melhor cereja em cima do bolo que aquela finta a Puyol (*) que dá o 3º golo a França? Pura magia.

    Anseio por ler amanhã o que o AS, Marca e cia. decidirão escrever, da mesma maneira como anseio saber se o distinto jornalista da TV Record que ameaçou mudar o seu nome para Luis de Camões caso Portugal conseguisse vencer a Holanda, sempre pôs em prática essa ameaça

    (*) Se eu fosse à FIFA castigava Zidane com 4 jogos de suspensão por conduta anti-desportiva. Aquela maldade não se faz a ninguém, muito menos a Puyol (um dos meus defesas favoritos).

domingo, junho 18, 2006

    Mundial - dia 9, cotoveladas, expulsões e desilusões!

    Ontem assistiu-se ao jogo mais chato e ao mesmo tempo emocionante de todo o Mundial, até agora. Só foi pena que a parte emocionante não tenha sido a do jogo jogado e dos golos, o sal do futebol, mas os 3 vermelhos (2 deles directos) mostrados pelo zeloso árbitro uruguaio do Itália - EUA.

    Não foi por falta de aviso. Afinal as instruções dadas pela FIFA no sentido de privilegiar o espectáculo e proteger as estrelas de entradas maldosas foram dadas com bastante antecedência. E se o vermelho a De Rossi foi mais que justo - inadmissível a animalidade com que intencionalmente dá com o cotovelo na cara de McBride - já aquele mostrado a Mastroeni, apesar de tudo, também justo, deu a ideia de que serviu para equilibrar o critério até então utilizado.

    O terceiro vermelho, por acumulação de amarelos pareceu-me demasiado para a falta em questão, mas viu-se que o árbitro não estava ali só para decorar o cenário.

    Isto leva-nos a uma questão importante. Até que ponto é sensato um árbitro usar deste tipo de actuação tão radical? Jogo afora ir-se-ia constatar que além de pedagogo o árbitro foi um verdadeiro comandante em campo exigindo, e de que maneira, desde o primeiro ao último minuto o cumprimento à risca das regras do jogo.

    Não deve ser fácil gerir um jogo onde as faltas a roçar a agressão são o prato do dia e o jogo da Itália - EUA foi um bom exemplo de como o homem do apito deve e consegue actuar como um verdadeiro comandante, cujas ordens e leis são para cumprir à risca. A sensação que deu a determinada altura foi que a situação poderia ficar fora de controlo. A mostragem exagerada de amarelos e vermelhos, a constante interrupção do jogo para assinalar faltas pode ter o efeito contrário ao desejado. Os jogadores ficam nervosos e tendência é enveredar, mesmo sem intenção, pelo campo da agressão constante, do corte de jogadas através de tackles às pernas do adversário, mas com a passagem dos minutos pudémos concluir que a ordem foi reposta e a partir do minuto 46' (altura do 3º vermelho) só Zambrotta viu o amarelo e nunca mais houve faltas dignas de registo. No fim o resultado adequado para uma Itália que parecia prometer muito.

    Assim todos os árbitros utilizassem dos mesmo critérios. Por exemplo o (fraquinho) francês que apitou o Portugal-Irão deixou passar impune um pontapé na cara de Figo. Nem mesmo as marcas dos pitons cravados o convenceram que aquele tipo de entrada é para vermelho directo e consequente expulsão. Sem hesitações!

    O golo do dia: DECO, fantástico, pois claro!

    Decepção do dia: República Checa. Como é possível que uma mesma equipa (- Koller) consiga de um jogo para o outro passar de excelente a medíocre?

    PS- deixo aqui um agradecimento especial ao Seleccionador do Irão. Branko (ou ... brOnco!?) Ivankovic além de nos ter reavivado a memória lembrando-nos, em boa hora, que há 40 anos Portugal não se qualificava para os oitavos de final de um Mundial, também nos ajudou a reescrever essa mesma história. Bem haja! Ah, e afinal o Cristiano Ronaldo jogou!

terça-feira, junho 13, 2006

    EUA x Rep. Checa

    Esperava com ansiedade o jogo de ontem entre os EUA e a Rep. Checa. Não que nesta fase os jogos sejam muito interessantes, mas porque opunham 2 equipas que para mim estão nos antípodas das preferências.

    Os EUA, os nossos carrascos de 2002, são talvez a Selecção que mais deteste, além de possuirem a eterna vaidade e arrogância típicamente americanas (a começar pelo seu treinador, figurinha detestável), pertencem a um país que sempre privilegiou uma bosta de desporto chamado baseball, que utilizam o nome de football para outra bosta de desporto apenas jogado na América, desporto (??) violento e estúpido, relegando o "soccer" para segundo plano, considerando-o um desporto àparte que apenas se pratica a sério no resto do mundo. Resto do mundo esse, que é, na óptica ignorante-americana, um mundo secundário e longínquo. Hoje em dia o soccer, (porra, vamos chamar-lhe pelo seu nome real, ok?) o football já tem muitos praticantes e adeptos nos EUA, mas nunca será o desporto de eleição daquele país. Por isso não compreendo como é que conseguem pela 5ª vez consecutiva estar numa final deste calibre, e ainda menos compreendo como é que estão em 5º no ranking da FIFA. Talvez em parte, compreenda, afinal a maioria dos selecionados jogam na Europa e são esses jogadores quem a modos que europeizaram e importaram o futebol de hoje nos EUA.

    Do outro lado a minha selecção fétiche: A República Checa que eu aprendi a gostar no EURO 2004, que me faz evocar as grandes selecções de Leste no tempo da Cortina de Ferro,e que foi ingloriamente afastada e da pior forma por uma Grécia que nem sequer se qualificou para este Mundial (ain't life a bitch?) E que lindo teria sido uma final Portugal-Rep. Checa!!

    Milan Baros (agora lesionado), Nedved, Poborsky (por quem ainda muitos de nós suspiram de nostalgia pelas arrancadas mortíferas e que com 34 anos (velho??) ainda mete dois de 17 anos no bolso), o gigante Koller, Petr Cech, Rosicky... 3 magníficos golos, 3 secos, qual deles o melhor e mais belo a culminar uma vitória limpa e mais que justa sobre um esmagado e inferior EUA. Gostei especialmente do trombil do Arena à medida que os checos lhe espetavam mais uma farpa no orgulho :)

    Auguro um grande Mundial para a Rep. Checa, assim os altos poderes do futebol não lhes cortem as pernas quando virem que estão a causar incómodo aos favoritos do costume.

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