terça-feira, maio 16, 2006

    Quem será o senhor que se segue ?

    Um dos temas que vai dominar claramente esta semana (e talvez as próximas, se tivermos em conta a rapidez com que J.Veiga costuma resolver estas questões) será a do próximo treinador do Benfica. Neste momento, é uma incógnita quem será esse treinador, e se dermos uma vista de olhos pelos jornais, encontramos basicamente os mesmos nomes de sempre, e quando não são nomes, é o perfil, "estrangeiro, com experiência e nome feito".

    Se é verdade que o Benfica tem seguido uma linha de pensamento, em relação ao treinador, bastante coerente (Camacho, Trapattoni, Koeman) após a saída de Jesualdo Ferreira, a mim parece-me que foi aberta a porta pelo próprio Veiga para um viragem nessa linha.

    «Queremos um treinador que consiga conquistar os objectivos que vamos traçar para a próxima época. Pretendemos um técnico ganhador, que nos consiga levar aos êxitos. Definir o perfil de um treinador é relativo porque os melhores são sempre aqueles que ganham.» Estrangeiro ou português? José Veiga diz que «tanto faz», justificando: «Não está em causa a nacionalidade, tem é de nos dar garantias de podermos ganhar o campeonato no próximo ano. Iremos analisar os possíveis treinadores e tudo é possível», frisou.

    In A Bola

    Tudo isto para introduzir aquilo que foi um "feeling" que tive a semana passada, e que comentei com o meu amigo e também "bloguista" Supermantorras. De realçar que tive este sentimento ainda antes desse nome ser falado nos jornais. Pois bem, para mim, acho que o próximo treinador do Benfica será ...

    Sim, podem agora dizer, "ah e tal, os jornais já deram essa possibilidade". Pois eu sei que sim, mas a verdade é que falei desta possibilidade a semana passada, ainda bem antes de ter surgido qualquer ligação possível do Fernando Santos ao Benfica. E porquê é que eu acho que ele vai ser o próximo treinador do Benfica ? Bom, a verdade é que antes do mais é um "feeling". Logo não há uma razão objectiva por trás. Mas é bem capaz de ter sido influenciado pelos seguintes factos,

    1º) Anunciou que ia ficar livre após o final desta época. 2º) Foi um treinador já falado em situações anteriores (quando veio Camacho por exemplo). 3º) Mesmo tendo sido treinador do Porto ("o engenheiro do penta") e do Sporting, a verdade é que Fernando Santos é e sempre foi benfiquista. Era sócio (assim como eu) não só do Benfica mas também da casa do Benfica de Cascais. 4º) É um treinador com uma fama de "disciplinador", algo que de certo agradará a Veiga, depois da "balbúrdia" que foi o balneário este ano. 5º) Como já foi assumido por J.Veiga, e ao contrário de situações anteriores, a nacionalidade não é importante. Nos anos anteriores era afirmado peremptoriamente que seria sempre estrangeiro. 6º) Qualquer treinador falado até agora que esteja no Mundial será dificil vir para um clube que começa a sua época a 4 de Julho, 1 semana antes do término do Mundial.

    Será que até ao fim desta semana iremos ter a confirmação deste nome como futuro treinador ? A ver vamos. Eu aposto o meu dinheiro em Fernando Santos. Caso venha a acontecer, iremos então depois discutir os "prós" e "contras" dessa opção.

    As escolhas de Scolari

    Começo desde já por dizer que sempre gostei de Scolari. É frontal, determinado e com grande poder de chefia sem ser ditador. Talvez por isso tenha granjeado muitos inimigos (bem identificados, por sinal), que têm em si o efeito contrário ao desejado. As críticas e tentativas de pressão dão-lhe mais força e determinação para pôr em prática as suas ideias e não arreda pé das suas convicções.

    Porque esta é das tais coisas. Quando um seleccionador/treinador ganha é levado em ombros em grandes manifestações de júbilo e homenagem, quando perde é apredejado em praça pública. É por isso extremamente difícil ser-se treinador em Portugal, e muito mais difícil será ser seleccionador. Porque um seleccionador mexe com clubismos e clubites - é impossível por mais que se tente ser-se imparcial, até na Seleccção e porque quem selecciona como que trai as nossas expectativas e preferências por este ou aquele jogador.

    Por isso nunca contesto as suas convocatórias, se bem que questione um pouco o seu critério aqui e ali. Na convocatória de hoje, por exemplo, questiono a insistência em Ricardo e muito mais em Quim, que por via dos poucos - ou quase nenhum - jogos deveria ceder o seu lugar de nº2 a Bruno Vale. E se a experiência conta muito, a boa forma física contará muito mais.

    O caso de Quaresma é discutivel apenas no termo pedagógico da coisa. Afinal vai-se disputar um Europeu de futebol, e a falta de Quaresma sentir-se-ia muito mais nos sub-21 que nos AA. Porque sendo um jogador de qualidade é praticamente insubstituível e a sua ausência seria um rude golpe para o Prof. Agostinho Oliveira.

    No entanto, apesar de ser um critério seu, é obrigatório questionar a escolha de Ricardo Costa. Excepto para os portistas (a clubite existe, não duvidem) foi para todos um balde de água fria, quase uma desilusão.Não gosto de Ricardo Costa como jogador. Não o acho com nível suficiente para substituir Jorge Andrade e penso que a escolher um jogador do Porto escolheria Pedro Emanuel, que até está livre depois de lhe ter sido vedado a inclusão na Selecção de Angola. Se Scolari privilegia a antiguidade, experiência e entrega então teria em Pedro Emanuel a escolha perfeita.

    Não digo que Ricardo Costa não tenha margem de progressão. É muito novo e até pode vir a ser um grande jogador. Por enquanto é um jogador vulgar, sem grande destaque. Teve uma época de altos e baixos, por via da escolha de Adriaanse e a subida de forma e boas prestações de Pepe, e por isso em muitos jogos ficou a aquecer o banco. Adriaanse a partir do momento que ganhou maior confiança em Pepe, simplesmente "ignorou" Ricardo Costa e apesar de o convocar em muitos jogos muito raramente o pôs a jogar.

    Antes da convocatória Scolari fez uma espécie de mea-culpa para antecipadamente justificar a escolha de Ricardo Costa. Scolari vai buscar jogadores aos sub-21 para colmatar as falhas no plantel . Ficámos (nós e todos os jogadores que não jogam nos sub-21) a saber, então que em Portugal quem não jogue em Selecções jovens e não faça parte da trupe de jogadores intocáveis do Scolari, nunca terá hipótese de entrar na Selecção principal (quase me tenta o pensamento de que aquilo quase que é mais um clube privado onde é quase impossível alguém se tornar membro).

    Puxando (sem grande sacrifício, digo-vos já) pelo meu clubismo diria que preferia o Rocha ao Costa, até porque já merecia há muito tempo a oportunidade, a idade já não lhe permite sonhar com muitos mais Mundiais ou Europeus, e também jogou mais minutos, é muito mais possante e não vira a cara à luta.Mas vou mais pela coerência e justiça e digo que a escolha deveria ter recaído em Tonel. Tonel foi um exemplo de regularidade e muito poucas vezes se notou alguma quebra de ritmo ou baixa de forma. Basta ver a estatística em baixo para verificarmos que se foi uma aposta incontestável de Paulo Bento, e notou-se que foi uma boa aposta (apenas nos primeiros jogos ficou no banco tapado pelo execrável e vulgaríssimo Beto) facilmente seria a escolha para o lugar de central. Porquê então Scolari não apostou nele? Porque não jogou nem joga nos sub-21.

    É por isso então que Scolari não necessita de ver os jogos ao vivo (não são só os do Porto). Já todos ficámos a saber o critério utilizado. Não querendo sofrer já por antecipação, espero que se Portugal fôr precocemente afastado que seja por erros colectivos e não por erros específicos da defesa escolhida a dedo por Scolari.

    RICARDO COSTA

    Nº de jogos - 32 ; Titular - 16 ; Suplente nao utilizado - 13 ; Suplente utilizado - 3 ; Não convocado - 2 ; Maior número de jogos seguidos como titular - 7 (desde a 1ª à 7ª jornada) ; Total de minutos de jogo - 1539

    RICARDO ROCHA

    Nº de jogos - 30 ; Titular - 16 ; Suplente nao utilizado- 4 ; Suplente utilizado - 10 ; Não convocado - 4 ; Maior número de jogos seguidos como titular - 2 ; Total de minutos de jogo - 1644

    TONEL

    Nº de jogos - 30 ; Titular - 28 ; Suplente nao utilizado- 0 (zero) ; Suplente utilizado - 2 ; Não convocado - 4 ; Maior número de jogos seguidos como titular - 23 (desde a 12ª à 34ª jornada) ; Total de minutos de jogo - 2587 ;

sexta-feira, maio 12, 2006

    Il fischio dorato ou onde é que eu já vi isto??

    O Tribunal de Génova decidiu abrir uma investigação para apurar responsabilidades em torno de alegados favorecimentos e manipulação de resultados de jogos relativos à época passada da I Liga italiana. A corrupção no futebol italiano chega ao extremo de haver redes de apostas ilegais envolvendo jogadores da Juventus estando Buffon (GR da Selecção) à cabeça como um dos principais suspeitos.

    Por incrível que pareça também o Milan e a Lazio estão implicados no esquema de corrupção que agora se investiga, quando já haviam sentido na pele a despromoção para a Segunda Liga, pelo mesmo motivo.

    Mas apraz-me verificar que nada disto nos diz respeito e como estamos longe desta realidade (ler esta frase imaginando que o seu autor a escreveu ostentando um sorriso irónico). Aliás, qualquer semelhança com aquela coisa chamada Apito Dourado (um simples passeio pelo parque) é pura coincidência, principalmente o seu desfecho, que será quase de certeza a justiça pura e dura aplicada ao futebol tal como é (ou deveria ser sempre) aplicada a qualquer outro sector da nossa sociedade. Mais impressionante se torna se verificarmos que estamos em vésperas de Mundial, e se pensarmos que se trata da Liga maior de Itália, o que significa que ali não há vacas sagradas nem ninguém acima da Lei. Exemplo disso é a historia recente da punição, posta em prática, com a descida de divisão a clubes considerados grandes em Itália, quer por incumprimentos financeiros, como foi o caso da Fiorentina ou corrupção desportiva como já foi o caso do Génova (despromoção da I para a... III Liga) e nos já referidos AC Milan e Lazio no final da década de 70. Num país habituado a lidar com a Máfia e todo o tipo de corja criminosa outra coisa não seria de esperar da Justiça Italiana. Sem olhar a quem ou a quê.

    Lá como cá, dirão. Com a diferença de que lá é lá (a justiça italiana não brinca) e cá é a desbunda que se conhece. Nestas alturas vezes gostaria de ser italiano, e não português para não sentir tanta vergonha das entidades que existem e foram criadas para proteger a sociedade e as pessoas de bem.

quinta-feira, maio 11, 2006

    Elogio póstumo, elogio actual, Rochemback, desculpas públicas

    A transfiguração facial de um adepto do Sevilha durante a realização da 1ª final europeia de 2005/06, insistentemente focada pela excelente realização da transmissão televisiva, devia constar num qualquer compêndio no qual se faria por comprovar o porquê deste desporto levar à loucura milhões de fãs em todo o Mundo.

    Dificil não ficar emocionado com a alegria desse adepto, o qual pode personificar qualquer um de nós, adeptos de um clube, quando vê a sua equipa atingir um título inédito na história do clube, e foi assim mesmo que fiquei ontem enquanto assistia à entrega da Taça UEFA aos jogadores do Sevilha e num canto da televisão surgia a festa dos adeptos sevilhistas numa qualquer praça da cidade espanhola onde se tinham juntado vários milhares de adeptos para assistir ao jogo.

    O jogo de ontem serviu também para vários jogadores darem o grito de emancipação futebolística. Acima de todos, Maresca. O centrocampista italiano, que após alguns jogos muito promissores nos seus primeiros tempos de Juventus não deixou de me provocar um sentimento de desilusão quando foi parar a um clube de 2ª linha do campeonato espanhol, parece apostado em mostrar que com 25 anos feitos ainda vai muito a tempo de se afirmar como um dos valores seguros do futebol europeu. Ontem, no duelo com Rochemback e Boateng, levou claramente a melhor e terá passado sobretudo pelo jogador italiano e pelas descidas de Daniel Alves, devidamente apoiadas pelo pequeno e rápido Jesus Navas, a superioridade espanhola verificada no resultado final.

    Não quero no entanto esquecer de dar a devida importância à táctica suicida de McLaren que, qual Director Técnico de uma equipa de F1 que mesmo sabendo que os seus carros estão com falta de gasolina diz aos condutores para carregarem no acelerador, jogou a última meia hora de jogo com quatro avançados, mesmo que dois deles partissem de posições exteriores e se pôs desta forma a jeito para ser cilindrado por uma equipa que não pode nem deve ser comparada a qualquer equipa romena ou suiça.

    Além de ter sido poupado à expulsão, o que seria um castigo talvez excessivo para um jogador que juntou a goleada de ontem à agonia da derrota da época passada realizada precisamente no estádio do clube cujas cores defendia na altura, penso que passou também pelo sub-rendimento do brasileiro parte da culpa do Middlesbrough ter perdido ontem. Não que eu pense ser ele o maior culpado da situação, já que cedo se viu entregue ao disparate quando o treinador (re)começou a louca roda-vida de entrada de atacantes por jogadores de mais contenção, além de não podermos esquecer a grande penalidade que o árbitro se esqueceu de apitar quando Viduka (outro dos culpados pelo nulo da equipa no fim do jogo) foi nitidamente carregado na àrea quando a vantagem espanhola ainda se cingia ao golo marcado pelo ex(?)-fabuloso.

    Ficou igualmente por provar o motivo pelo qual Van Basten prefere Boateng a Seedorf. Mas isso serão contas de outro rosário e talvez as razões sejam mais obscuras do que a directa comparação entre o valor futebolistico dos dois jogadores pode dar a entender. Eu disse "talvez"?

    Por terras lusas, ou melhor africanas, o Benfica vai fazendo o fim de festa ("festa" AH AH), enquanto por cá os adeptos e os jornalistas, ou melhor os jornalistas e os adeptos, vão tentando adivinhar o sucessor de Koeman no comando técnico dos encarnados. Por mim e seja qual for o nome do chosen-one já decidi que mais do que traçar perfis ou lançar expectativas tantas vezes originadoras de decepções futuras, estarei de olhos bem abertos para saber se a mudança de técnico será a única das alterações propostas pelos gestores do futebol benfiquista para eliminar tudo aquilo que correu menos bem na época seguinte à da conquista do campeonato. Se assim for então ficaremos a saber duas coisas: 1- na opinião da dupla V&V residia no técnico holandês a origem de todos os males; 2- têm a inteligência dos adeptos benfiquistas em pouca conta .

    Badabing, um dos membros fundadores deste blog, decidiu deixar de nos deliciar com os seus textos. A falta de tempo foi a razão invocada, e não admito que comparem esta explicação às decisões meramente familiares dos técnicos que abandonam os clubes no final da época e optam por este discurso para esconder outros motivos, menos confessáveis à opinião pública. Não, neste caso foi mesmo a falta de tempo. Obrigado Badabing, terás a porta entreaberta para regressares quando quiseres/puderes.

    urra...apre merece os encómios actuais por ter posto mãos à obra e desta forma ter alterado alguns pormenores, bem importantes na minha óptica de leitor (sim que eu sou um ávido leitor de tudo o que escrevo), na estrutura deste blog. Agora só falta me (nos) presentear com um escrito relativamente longo e abrangente sobre o futebol mundial.

    As desculpas ficam para o fim, espero conseguir resolver em meados do próximo mês a falta de tempo com que me tenho deparado nas últimas semanas e que me têm impedido de escrever sobre vários assuntos sobre os quais tenho opinião (Paulo Bento, Adriaanse, Ginola, Bergkamp, Borussia Monchengladbach, etc) , pelo que mais do que eliminar este blog dos favoritos aconselho a que fiquem com ele debaixo de olho porque ele tem tudo aquilo que os grandes blogs mundiais têm, ou então simplesmente por uma questão de caridade.

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