quinta-feira, abril 27, 2006

    E os golos?

    VS

    Quem diria que o Arsenal iria alcançar a final da Liga dos Campeões, logo na pior época de Arsene Wenger ao serviço da equipa londrina? A proeza ganha outro significado, chegando a parecer uma estória escrita por alguém com tendência para a utilização de cambiantes irónicos, quando sabemos que Lehmann, o guarda-redes que se prepara para defender a baliza da selecção germânica no próximo Mundial, está há mais de 700 minutos (!) sem sofrer golos na Liga dos Campeões. A piéce de resistance deste argumento é a constatação de que à frente do alemão estão homens que no principio da época eram encarados como segundas escolhas e que eram frequentemente utilizados como arma de arremesso contra Wenger, devido à proveniência destes jogadores ser quase exclusivamente o campeonato francês.

    Foi tudo menos uma exibição à inglesa aquela que permitiu ao Arsenal passar incólume na sua visita à geralmente pacata cidade de Villareal. Tanto assim foi que o singular remate de Henry, em jogada de cunho pessoal já no dealbar da partida, foi a unica situação na qual pareceu que os gunners estavam realmente interessados em visar a baliza adversária no jogo de terça-feira. O penalty ingloriamente falhado por Riquelme acaba por ser uma benesse dificil de justificar quando temos presente o fraco peculio atacante supracitado.

    Diga-se em abono da verdade que o jogador argentino não se conseguiu libertar do estigma de ser um jogador pouco dado aos grandes palcos, parecendo-lhe faltar capacidade competitiva que lhe permita colocar ao serviço da equipa todo o seu reportório técnico quando ela mais precisa. Embora não esquecendo que nunca o submarino amarelo poderia ter chegado onde chegou sem o seu contributo, restam naturais duvidas sobre o destino que irá ter a carreira de Juan Roman. Resposta a ser dada no próximo Mundial ou em Manchester nas próximas épocas?

    Só para concluir, devo dizer que acaba por ser melhor para a competição (seja lá isso o que for) a não-qualificação para a final de 2 equipas do mesmo país. Retiraria aquela dose de luta entre povos e embate de tipos de futebol distintos que já de si se encontram cada vez mais esbatidos com a autêntica sociedade das nações que os planteis das equipas europeias vão sendo.

    Na outra meia-final, a mais aguardada e por muitos considerada a final antecipada da competição, cabia aos italianos a necessidade de atacar e rectificar a desvantagem trazida de Milão, já de si um contra-senso quando sabemos que não é neste papel que eles se sentem mais confortáveis, enquanto os espanhois ficavam incumbidos de demonstrar novamente em campo que são muito mais do que simplesmente uma equipa formada por grandes jogadores de carácter ofensivo, que só tem olhos para a baliza adversária e não possui grandes argumentos quando não tem a posse de bola. Já o haviam feito anteriormente e esta partida não foi diferente. Além do mais contaram com a feliz coincidência de terem sido mais uma vez bafejados com uma decisão muito controversa do árbitro quando Puyol, Edmilson e Iniesta por uma vez não conseguiram manietar a jogada dos milaneses.

    Aliás, gostava aqui de realçar o trabalho do centrocampista espanhol que atingiu a maioridade competitiva (alô Riquelme) quando foi chamado a suprimir a ausência prolongada de Xavi, o que levantará inclusivamente algumas questões a Aragonez quando chegar a hora de escolher o 11 inicial para o primeiro jogo da Espanha no Mundial da Alemanha. Dizer igualmente que Iniesta teve que recuar no terreno e reinventar-se como jogador para agarrar a oportunidade, podendo facilmente ser feita uma analogia com um jogador que estava do outro lado na quarta-feira: Andrea Pirlo.

    Do lado milanês e estando Shevshenko refém da sua condição fisica, ou não fosse o ucraniano, tal como...Kaká, um jogador que precisa de estar em forma para desenvolver o seu tipo de futebol, restava aguardar um lance fortuito que ajudasse a empatar a eliminatória. Torna-se dificil compreender como Ancelotti conseguiu a proeza de manter estes 2 jogadores em campo os 90 minutos, quando foram precisos pouco mais de 45 para se chegar à conclusão que o sub-rendimento destes estava a influenciar os restantes.

    Entretanto deseja-se deste lado que os ultimos jogos não venham desmistificar a ideia de que a conquista da Liga dos Campeões por parte do Barcelona seria a vitória do belo futebol sobre o cinzentismo que teima em surgir nos grandes palcos, estando nas mãos de Rijkaard e Wenger a resposta a esta equação. Os 180 minutos sem golos que ambos ajudaram a proporcionar nestes 2 dias de futebol não auguram nada de bom. Desmintam-me, por favor.

7 Comments:

Blogger Pedro said...

Imagina o Arsenal camepão europeu.
Imagina o sorriso do Wenger
Imagina as orelhas do Mourinho

Por todas as razões e mais alguma: Arsenal campeão.

Para acabar com a prepotência do Bar$a e para Mourinho obrgar os jogadores a comer a relva para a edição do próximo ano!!!

8:32 da tarde  
Blogger T-Rex said...

ARSENAL! ARSENAL!

Eh! Eh!

Fiquei "meio chateado" com a passagem do Barça, mas quem tem Ronaldinho arrisca-se a ganhar tudo.

Abraço, super!

2:39 da tarde  
Blogger avô maltine said...

Apito Dourado _ A noticia do inicio do fim _ 1.6.06 :

Director nacional da PJ impõe demissão dos dois responsáveis pela operação "Apito Dourado"


Novos directores empossados hoje

PÚBLICO 1.6.06

Adelino Salvado forçou o afastamento dos adjuntos do responsável pela directoria do Porto da Polícia Judiciária (PJ), juiz Artur Oliveira, que se demitiu ao princípio da manhã de anteontem, devido a problemas familiares. O director nacional da PJ aproveitou aquele gesto, que precedeu em poucas horas a detenção do pai e do irmão de Artur Oliveira, para impor a saída dos dois adjuntos deste magistrado judicial, Teófilo Santiago e João Massano. Ataíde das Neves vai substituir Artur Oliveira e será assessorado por Reis Martins e Dias Santos.

A demissão forçada dos dois principais responsáveis pela mais importante operação policial desenvolvida nos últimos anos pela directoria do Porto, com o nome de código “Apito Dourado”, é considerada nos meios policiais como uma decapitação do maior departamento da PJ fora de Lisboa. Adelino Salvado demorou seis semanas a traduzir em actos o seu profundo desagrado pela operação “Apito Dourado”, que se saldou em 16 detenções de autarcas, dirigentes desportivos e árbitros, entre os quais o vice-presidente da mesa do Congresso do PSD, presidente da Liga de Futebol, da Câmara de Gondomar e do Metro do Porto, major Valentim Loureiro.

Inconformado por não ter sido previamente avisado da realização da investida policial que, na madrugada de 20 de Abril, mobilizou 150 elementos da directoria do Porto da PJ, que detiveram nomes sonantes e realizaram 60 buscas em empresas, domicílios, organismos desportivos e autárquicos, Salvado impôs o afastamento de Teófilo Santiago, o único “crachat de Ouro” (a mais importante condecoração da PJ) em actividade e um dos inspectores com o currículo mais invejável da Judiciária, e de João Massano, responsável pelo combate à criminalidade económica, que dirigiu complexas investigações neste domínio.

Abrangendo uma área entre Bragança e Setúbal, o “Apito Dourado” não foi previamente comunicado a Adelino Salvado pelos operacionais e pelo responsável da PJ do Porto. Esta manifestação de descentralização não agradou ao director nacional, nem à própria hierarquia máxima do Ministério Público, que também desconhecia a operação e chegou equacionar a sua avocação pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal.

A operação ainda está em aberto, havendo grande expectativa quanto aos desenvolvimentos que poderá ter, nomeadamente a sequência que será dada ao tratamento em curso da informação recolhida nas dezenas de buscas e nas centenas de horas de escutas telefónicas.

Escolhidos pessoalmente por Adelino Salvado para dirigirem a directoria do Porto, o juiz Ataíde das Neves, Reis Martins e Dias Santos estão confrontados com um teste que, a médio prazo, ajudará a determinar o alcance do seu grau de empenhamento.


O “Apito Dourado” está longe de ser um acto que mereça o reconhecimento por parte da hierarquia do Ministério Público e da Polícia Judiciária. Os gabinetes de José Souto Moura e de Adelino Salvado não foram tidos nem achados nesta investigação. O primeiro por desmazelo da procuradoria distrital do Porto, que não viu em tempo útil uma carta que lhe foi remetida pelos serviços do MP de Gondomar; Salvado por não ter consultado o sistema de informação onde estava registada aquela acção policial.

As consequências estão à vista: o procurador Carlos Teixeira continua sozinho a titular a investigação, partilhando energias com outros inquéritos, enquanto a Polícia Judiciária poderá vir a ser condicionada quanto aos investimentos dos recursos humanos, como sucedeu com a investigação de Fátima Felgueiras, quando Reis Martins dirigia a inspecção de Braga da PJ. Os dois inspectores muitas vezes tiveram de interromper diligências para trabalhar noutros inquéritos.

Somente a juíza Ana Cláudia Nogueira viu reforçada a sua capacidade pelo Conselho Superior da Magistratura (CSM), que destacou para Gondomar um juiz auxiliar a tempo inteiro e um experiente juíz de círculo das Varas Criminais do Porto para lhe permitirem despachar o processo com maior rapidez.

PÚBLICO 01.06.06

1:45 da manhã  
Blogger avô maltine said...

Errata: a noticia é de 1 de Junho de 2004

1:58 da manhã  
Blogger Exorcista said...

Para quem ainda não viu...

Passarinhos Fritos production...

Passem por lá e divirtam-se!

Abraços

2:43 da tarde  
Blogger antitripa said...

Dont look in wenger...rsss. Não me parece com estofo o arsenal.Falta saber é se o barça voltará a precisar do dedinho do costume.

11:51 da tarde  
Blogger RV said...

Era bom para o FC Porto e automaticamente para o futebol português, o Barcelona ganhar, para o Arsenal nao ter entrada directa para o ano, e sobrar nova vaga.

7:57 da tarde  

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