quinta-feira, março 30, 2006

    Os outros

    Os resultados teimam em deitar os meus prognósticos por terra e um exemplo cabal é a prestação do Arsenal no jogo em que dominou por completo a Juventus e no qual chegou ao fim com nenhum golo sofrido, sendo neste momento de todas as equipas ainda presentes em prova aquela cujo guarda-redes menos vezes foi buscar a bola ao fundo das redes desde o inicio da competição. Ora, para quem como eu já lhes dava poucas hipóteses de ultrapassar o Real Madrid, devido à (pasme-se) fraca defesa dos londrinos como é que ainda tenho lata para escrever o que quer que seja que envolva o desporto-rei?

    Felizmente vou tendo alguns laivos de discernimento e acabo por somar às erráticas previsões sobre os jogos ainda por decorrer análises relativamente premonitórias sobre o nivel que determinado jogador irá atingir. Tal parece confirmar a ideia de que, muito mais do que analisar tácticas, tenho que me concentrar nos jogadores que as interpretam. Num aparte que vale o que vale consigo perceber em 30 segundos se o jogador é dextro ou esquerdino, o que nem seria motivo de orgulho particular caso não se desse o caso de ainda hoje muitos se referirem ao ex-jogador do Arsenal e Barcelona Overmars como esquerdino, ou se ele domina a técnica de recepcção, passe e remate. Tudo isto porque o homem que ajudou a destroçar a equipa que se prepara para revalidar o título de campeão italiano foi Fabregas, o qual teve menção honrosa aquando do lançamento do jogo.

    Foi desta forma oficializada a passagem de testemunho entre o passado (Vieira) e o futuro (Fabregas). Ainda do lado dos gunners chamo a atenção (cá está mais um bitaite, tenham o caderno de apontamentos à mão) para o lateral direito camaronês, Eboué. Juntando à habitual disponibilidade fisica dos jogadores africanos uma muita razoável cultura de jogo, tem tudo para ser o dono do lugar nos próximos anos.

    Só para terminar o capítulo dedicado ao Arsenal, uma palavra para Henry: valioso.

    Quanto à Juventus, terá sido incompreensivel, sobretudo para extraterrestres que após serem informados das regras do jogo viram nesta partida o jogo ideal para começarem a ver futebol, a atitude de Capello perante aquilo que se estava a passar à frente dos seus olhos na noite de terça-feira. Para todos os outros foi apenas a prova provada de que o pragmatismo pode ser tão nocivo quanto útil dependendo das circunstâncias.

    Se eu não fosse quem sou e as equipas italianas não usassem o pragmatismo para vergar equipas superiores em todos os outros aspectos, exceptuando nesse existissem, aproximar-se-ia a passos largos a meia-final que teria mais de final do que de meia, entre o Lyon e o Barcelona. Fantástica a 2ª parte de ontem em que os franceses encostaram, literalmente, o Ac Milan às cordas, só para ser mais uma vez provado que, em geral, há que evitar sempre que possivel o confronto directo com equipas italianas nas competições europeias. Impressionante como a dada altura ambos os centrais do Olympique, Caçapa e Cris, subiram no terreno passando a fazer a marcação à saída do meio campo francês. Tiago está um senhor jogador e espero que Scolari esteja atento. Ainda por cima com Maniche a não jogar da forma que está no Chelsea, a camisola nº8 está à espera do, curiosamente, ex-jogador do campeão inglês.

    Benfica vs Ac Milan na semi-final portanto. Isto porque o Benfica não vai perder em Camp Nou. Mais do que uma profissão de fé, ok, é mesmo uma profissão de fé, não vale a pena vir com subterfúgios linguísticos e análises rebuscadas sobre o porquê de eu achar que o Benfica não sairá derrotado do confronto com a melhor equipa da Europa (até porque ao fazê-lo, e tendo em conta que acabo de admitir a falência das minhas antevisões, seria um faca de 2 gumes).

    No outro confronto dos quartos-de-final o Inter Milan teve bastante sorte em conseguir virar a eliminatória a seu favor após se ver a perder por 0:1 no 1º minuto de jogo. Contou para tal com um Stankovic em bom plano e com um erro do árbitro ao validar o 2º golo, apontado por Martins em posição de fora de jogo. E aqui está mais uma razão para evitar equipas italianas sempre que possivel. Apesar de não colocar de parte a passagem do submarino amarelo creio que só um Riquelme com vontade de alcançar a maioridade no que às competições de clubes diz respeito lhes poderá proporcionar a reviravolta desejada por todos os que, como eu, querem ver 2 equipas provenientes do Grupo D da 1ª fase de grupos da Champions na final de Paris.

quarta-feira, março 29, 2006

    Estava bom o ambiente, pá

    Manhã de quarta-feira e ainda não me consegui recompor do desgaste que os cerca de 93 minutos de ontem me provocaram. A melhor equipa do Mundo (sic) teve a recepção que merecia com o Estádio da Luz a encher-se, literalmente, para ver a equipa da casa provar que está onde está por mérito próprio.

    Comecei a morder o ambiente quando saí do trabalho (ontem esta palavra foi escrita em itálico) rumo ao metro onde iria apanhar o transporte que me levaria à Catedral. Apinhado de espanhóis e benfiquistas dei por mim a reparar nas pessoas (a)normais que utilizavam este meio de transporte à mesma hora fazendo o trajecto trabalho-casa. Para esses é, deve ser, triste perceber que o futebol, em dia de jogo grande, é a coisa mais importante do mundo.

    Depois de aproveitar o belo tempo que se fazia sentir no final da tarde de ontem com a troca de dois dedos de conversa com alguns camaradas de blogs alheios (alô d'arcy, alô t-rex) enquanto fazia a única escolha possível para matar a sede, estava na hora de descer os 500 metros para entrar na fase final do meu estágio que durava desde o final do jogo de sábado. Confesso que fico orgulhoso quando vejo a equipa do meu coração bater-se galhardamente em competições europeias, talvez devido a um sentimento muito tipicamente português de procurar agradar aos estrangeiros, mas acima de tudo orgulho-me de ajudar a proporcionar ambientes, indescritiveis para quem não está presente, como o que se viveu ontem na Luz. Dificilmente me levarão a acreditar que os jogadores não se deixam afectar, uns em maior escala do que outros obviamente, com os gritos de guerra vindos das bancadas.

    Depois da já emblemática descida da águia, que acaba sempre por provocar uma onda de histeria mesclada com fanatismo saudável (pelo menos aos meus olhos), e de escutar o hino da Liga dos Campeões, era hora de começar a partida.

    No Benfica confirmava-se a titularidade de Ricardo Rocha que fez com o Barcelona o segundo jogo (!) da sua carreira como lateral direito, com a agravante de ter que marcar Ronaldinho Gaúcho. Felizmente Van Bronckhorst não conseguiu subir com muita frequência, o que terá sido dos poucos argumentos positivos que a exibição de Robert teve, pelo que Rocha teve que enfrentar Ronaldinho em lances de 1x1. Fê-lo da maneira mais inteligente possivel, isto é, seguindo o astro brasileiro até à linha de meio campo procurando não lhe dar espaço para se virar e surgir embalado situação na qual é (ainda mais) imparável.

    Curiosamente a marcação supracitada não era a unica pois Koeman optou por marcar individualmente outros dois jogadores do Barcelona, Deco (vigiado por Beto) e Iniesta (por Manuel Fernandes), além de Van Bommel que era marcado desta feita mais à zona por Petit. Não discutindo a validade da marcação ao internacional português penso que Manuel Fernandes foi nitidamente sub-aproveitado nas tarefas de marcação que lhe foram confiadas pelo que não pôde surgir como homem mais avançado do meio campo, em directo apoio aos três homens na frente, nomeadamente Geovanni que esteve sempre muito só, e acabou por criar alguns buracos no meio campo quando se abstraía de pressionar a saída de bola do Barça preocupando-se primeiramente em seguir Iniesta. Foi sobretudo em lances em que o adversário directo era ultrapassado, quer fosse através de movimentos individuais ou através de trocas de bola em que esta parecia que tinha olhos, que o Barcelona criou os principais lances de perigo da 1ª parte. Ah e quando Moretto resolvia fazer de anjo(inho). (In)felizmente, dependendo do ponto de vista, o guarda-redes brasileiro alternava essa faceta com a de diabo (com asas) pelo que, estranhamente, acabou por vestir duas peles no jogo de ontem. Levou-me inclusivamente a escrever o seguinte sms enquanto decorria o intervalo: "Ajuda-me, preciso de uma segunda opinião para saber se devo amar ou odiar o Moretto."

    A convicção de que o Benfica iria vencer o jogo cresceu com a manutenção do zero a zero quando estavam decorridos 45 minutos. Miccoli aquecia e a entrada de Karagounis aos 60 minutos era tão certa como 2 + 2 serem 4. Além disso a intranquilidade que alguns jogadores do Benfica demonstraram desde o apito inicial ia-se esbatendo à medida que o tempo passava e as ausências que a defesa do Barcelona apresentava iriam começar-se a fazer notar.

    Aliás sobre o Barcelona pouco tenho a dizer, ou pelo menos nada do que eu possa escrever fará jus ao tipo de jogo que os espanhóis praticam. Não duvidem amigos que a ser eliminado pois que seja pelo Barcelona. Ninguém, a não ser o Benfica, merece mais o título do que os catalães. A acontecer será o triunfo do futebol e sinal de que ainda há esperança para os defensores do belo jogo. Quero destacar a exibição de Eto'o que será hoje por hoje um dos melhores avançados que pisam relvados europeus, e que deu água pela barba ao habitualmente eficaz Anderson. Na 2ª parte trocou de posição com Ronaldinho encostando-se à esquerda e ouviu-se na bancada o suspiro do defesa central brasileiro do Benfica. Ao que se seguiu um impropério que me abstenho de escrever aqui quando reparou que se tinha livrado de Eto'o para passar a apanhar com Ronaldinho. Embalado...

    Como digo nesta altura eu estava razoavelmente optimista até porque me tinha convencido que se não tinhamos sofrido golos até então só podia estar escrito nas estrelas (inexistentes no céu ontem, pois tinham-se transferido em peso para um relvado situado nos arredores da 2ª circular) que o Benfica iria vencer. A oportunidade de ouro surgiu numa bela jogada em que Simão com uma simulação de corpo isolou Miccoli, ligeiramente descaído para a esquerda, sendo o remate deste parado por Valdez, mas com a bola ainda a ressaltar para o interior da grande àrea espanhola ficando ao alcance de Petit que inteligentemente não tentou o remate à baliza preferindo assistir Geovanni que a escassos 2 metros da linha de baliza conseguiu acertar em Van Bronckhorst. Era o melhor período do jogo pois as oportunidades sucediam-se e desta feita as equipas alternavam entre si a possibilidade de colorir o marcador. A (mais) dois lances de cortar a respiração em que os postes foram amigos sucederam-se uma bola em que Simão, isolado, não conseguiu desfeitear Valdez e outro em que o cruzamento do extremo benfiquista encontrou o braço de Motta, posicionado bem dentro da grande àrea catalã. Penalty nítido no unico lance em que o árbitro terá cometido um erro grosseiro. Além do mais a bola parecia se encaminhar direitinha à cabeça de Miccoli que se havia desmarcado nas costas de Oleguer.

    Até final nem em lances de bola parada o estigma a que este jogo se viu votado desde o apito inicial do árbitro se alterou e daqui a 8 dias recomeçaremos do exacto ponto em que a eliminatória se (pre)definiu: Barcelona favorito mas atenção a este Benfica que caso junte à estrelinha da sorte o aproveitamento dos espaços que inevitavelmente irá dispor no imenso Camp Nou pode deitar por terra as ambições de Laporta, que não quis deixar de elogiar o apoio vindo das bancadas. Pena que ninguém o esclareceu que há uma palavra que resume melhor do que qualquer outra o ambiente vivido na Luz: Mistica.

terça-feira, março 28, 2006

    Liga dos Campeões - Quem passará?

    Começam-se hoje a disputar os quartos-de-final da mais competitiva prova de clubes que existe, a Liga dos Campeões.

    VS

    Em Lisboa os actuais campeões portugueses defrontarão a equipa mais excitante do futebol europeu. O Barcelona é, indiscutivelmente, o favorito, e pese as ausências que não deverão deixar de se fazer sentir na sua defensiva, parte como candidato principal à conquista do ceptro quando restam 8 equipas com naturais ambições a subir ao lugar mais alto de todos.

    Ronald Koeman, ao contrário do que tem sucedido por vezes ao longo da época, nomeadamente em alguns jogos do campeonato português, pode ser um importante trunfo para a equipa da Luz já que conhece como ninguém a filosofia de jogo implantada pelo seu amigo Rijkaard no Barcelona. A esta perspectiva há que juntar o dogma que parece criado de que esta equipa do Benfica está talhada para os jogos grandes.

    A meu ver só há uma maneira de parar o Barcelona 2005/06, e isso nem o Chelsea de Mourinho conseguiu fazer, que passa por uma marcação à zona muito apertada, sobretudo nos terrenos habitualmente pisados por Ronaldinho e Deco (Messi está, feliz e infelizmente, ausente) e uma marcação ao homem a Eto'o.

    Depois, muita velocidade na frente e aproveitamento cabal das oportunidades criadas e voilá, o Barcelona é eliminado (ver eliminatória da Taça do Rei, com o Saragoça). A boa noticia é que o Benfica tem homens rápidos na frente, Simão, Miccoli e Geovanni consubstanciam essa teoria, a má é que nos últimos jogos a eficiência dos avançados encarnados tem atingido uma bitola muito baixa.

    Cá atrás Andersson dever-se-á ocupar do camaronês e Luisão ficará para as dobras ou para o 2º avançado, provavelmente Larsson. Neste momento a maior dúvida reside na constituição do meio campo que o Benfica vai apresentar, estando em cima da mesa a hipótese de jogarem o Pittbull 1 (Petit) e o nº 2 (Beto), com Manuel Fernandes ligeiramente adiantado a fazer a ligação com os homens mais avançados. Eu, que não percebo nada disto, não gostei das experiências anteriores em que esta tripla coabitou no mesmo 11, mas a verdade é que com um Karagounis que teima em não render quando joga de início e um Kariaka que muito raramente se tem afirmado como opção, parecem restar poucas alternativas para parar o meio campo composto por Deco, Van Bommel e Iniesta, sem correr o risco de juntar ao déficit técnico o menor número de elementos nesta zona habitualmente chamada de nerválgica do terreno de jogo.

    Entretanto noticias postas a circular hoje apontam para a titularidade de Ricardo Rocha em detrimento de Nélson, com a agravante de o lateral direito benfiquista, chame-se ele como se chamar, se ter que preparar para apanhar o melhor jogador do Mundo, Ronaldinho Gaúcho himself. Não sou apologista de adaptações, sobretudo de centrais para laterais, mas tendo em conta o rendimento recente do ex-boavisteiro e com a lesão de Alcides (mais uma adaptação), prefiro um Rocha a 100% do que um sub-Nélson.

    Quanto ao resto, só peço que o dia 28 de Março possa ser lembrado num futuro distante como uma data histórica em que se viveu (mais uma) grande noite europeia na Luz.

    VS

    Apontando baterias a paragens mais húmidas teremos o aliciante de ver Patrick Vieira, o emérito patrão do meio campo do Arsenal, a regressar a Highbury para defrontar a sua ex-equipa desta feita envergando a camisola preta e branca da Juventus.

    No longo reinado de Wenger nunca o Arsenal atingiu as meias finais da Liga dos Campeões e muito francamente não lhes auguro esse desiderato na presente edição. Tendo pela frente a cínica equipa de Turim, ou não fosse orientada por quem é, será em Henry que estarão depositadas as maiores esperanças dos adeptos ingleses para vergar a armada italiana.

    No entanto com Emerson a juntar-se a Vieira no miolo do campeão italiano Fabregas terá nesta eliminatória um curso intensivo de cultura futebolistica e experiência de jogo que muito úteis lhe poderão ser quando se afirmar de pleno direito como um dos melhores centrocampistas da Europa. Num aparte que pouco cabimento terá nesta crónica mas que não quero deixar de escrever, comparo-o a João Moutinho do Sporting.

    Ainda na Juventus o meu carinho vai todo para Del Piero, do qual sempre fui admirador, que parece ter ganho novo fôlego com a chegada de Capello a Turim bem como com a aproximação da convocatória para o Mundial a disputar no Verão. Seria de justiça elementar ver a Juventus erguer o troféu conquanto fosse Del Piero a envergar a braçadeira de capitão no jogo da final e esta não se disputasse com o Benfica.

    Numa nota mais pessoal devo dizer que é indescritível o estado emocional em que me encontro desde ontem estando a contar os segundos para me deslocar para a Catedral.

    Viva o Futebol!

quinta-feira, março 23, 2006

quinta-feira, março 16, 2006

    Lotaria "Sporting 100... guito"

    Lotaria «Sporting 100» anda à roda dia 27

    (Notícias na Hora, A Bola 16/03/06)

    Os vizinhos do outro lado da rua continuam a surpreender-nos com a sua capacidade negocial. Não se sabe o que vai sair da AG de amanhã, mas seja qual fôr o resultado "vendemos o património", "não vendemos o património" o que urge já é fazer pela vidinha que não se sabe o dia de amanhã.

    Dizem que a necessidade aguça o engenho, e como o futebol vive em tempo de vacas magras (ou será de bois pretos?) criam-se operações financeiras arrojadas e originais para fazer frente às dificuldades económicas que os clubes atravessam. Foi o que fez o Benfica com o Kit Novo Sócio, que apesar de não ter tido o resultado astronómico previsto (a médio e a longo prazo tê-lo-á) teve pelo menos o mérito de movimentar os adeptos em torno do clube.

    Para qualquer operação financeira dar resultado há que pensar no timing perfeito para ser efectuada, e nada melhor para o fazer do que no momento da saída do lodo em que o nosso clube se encontrava, pela mão de um corajoso dirigente de nome Manuel Vilarinho secundado por um não menos corajoso dirigente - Luis Filipe Vieira, que herdaria o mundo Benfiquista e iria continuar a obra começada. Uma Taça de Portugal, um campeonato, uma Supertaça foram os troféus alcançados por um clube que durante uma década praticamente caminhou paralelamente aos êxitos, e ainda que nada esteja garantido na Liga dos Campeões , pelo menos conseguimos uma proeza que nos escapava desde a já extinta Taça das Taças de 1996/1997. Pondo de parte os dixotes dos detractores do costume, que na verdade soam mais a mesquinhez e inveja do sucesso alheio, diga-se que, ainda que sabendo a pouco, não é mau para começo - Roma e Pavia não se fizeram num dia.

    E foi na sequência disto que foi lançado aquele desafio a todos os adeptos. Se o tivessem feito na altura de Damásio ou Vale e Azevedo seria um rotundo fracasso.

    Serve tudo isto para relembrar esses mesmos detractores que tanto glosaram com o excelente resultado do Kit Novo Sócio, (o mais meigo que lhe chamaram foi de Operação Coração II), para falar sobre a tentativa do Sporting sacar umas receitas extra através do lançamento de uma ideia empreendedora - a lotaria "Sporting 100". Reconheço que esta nem ao Luis Filipe Vieira lembraria. O Filipe Soares Franco deve estar inchado de orgulho por ter tido uma ideia tão brilhante, e até creio que a cooperação que o nosso presidente foi procurar na China é batida à légua por... esta ideia sui géneris.

    Afinal, incluindo pedir esmola na rua, qualquer ideia para arrecadar receitas extraordinárias deverá ser considerada honesta e válida. A ver vamos se as mentes tacanhas ainda terão coragem para ridicularizar qualquer outra iniciativa do tipo kit-novo-sócio que o Benfica tiver.

    PS - cada fracção custa €5,00. Hmmm, prefiro gastá-los em 10 cafés.

quarta-feira, março 15, 2006

    Estamos vivos!

    Ao contrário do que possa parecer, este blog continua a merecer a visita diária de todos os nossos (3) fãs, pois embora estando em falta no que diz respeito a textos recentes há sempre uma extensa colecção de artigos (quão pomposo) pertencentes à categoria vintage que parecem ganhar outro significado após uma segunda leitura.

    E para que não me acusem de abusar da oportunidade que os nossos amigos do blogger.com nos dão ao disponibilizar caridosamente espaço e ferramentas, escrevendo somente um monte de banalidades e aproveitando o ensejo para fazer publicidade gratuita, passo desde já ao sumo que este post vai ter.

    Quem traça a linha divisória que separa o sucesso do fracasso? Isto é, nas análises que todo o ser que mexe e pensa (às vezes) se sente inclinado a fazer no sentido de fazer descer a espada sobre a cabeça dos treinadores ou elevá-los à categoria de super-sumo (como diria o outro) do conhecimento futebolistico, até que ponto é que esta análise tem muito mais de subjectivo do que nos querem fazer crer?

    Por outro lado penso ser indiscutivel a assumpção de que a diferença de um lance concluído com êxito ou outro destinado ao fracasso, deriva muitas vezes da auto-confiança que o executante possui naquele momento especifico da sua carreira do que das capacidades inatas que tem para a prática da modalidade. E nesse sentido é ou não verdade que cumpre ao treinador, entre outros, a garantia técnica de que os jogadores que jogam sob o seu comando se apresentam sempre com os niveis máximos da supracitada auto-confiança quando chamados a intervir nas partidas?

    E cá está mais uma ajuda preciosa para baralhar e voltar a dar: ou conhecem critério mais subjectivo do que este que permite uma miríade de respostas ao analista que observa os jogos de futebol do alto da sua arrogância voyeurística?

    Se o jogador marcou o golo e concluiu com indiscutivel mestria o lance que se predispôs a executar o mérito foi:

    • do jogador que sempre deu mostras de ter classe para almejar outros patamares na sua carreira e que se não repete este gesto com mais assiduidade tal deve-se primeiramente aos parcos niveis de auto-confiança que lhe são induzidos pelo treinador que o orienta;
    • do treinador que é um óptimo condutor de homens e sabe como ninguém colocar as vontades individuais ao serviço do colectivo, sendo portanto normal que os jogadores ao seu serviço exponenciem as suas qualidades a um nivel jamais igualado nas suas carreiras e minimizem os seus defeitos chegando mesmo, qual milagre, a torná-los virtudes.

    Agora pensem nos golos de Tonel, nos falhanços do Marcel e nas palavras de Lampard e digam-me o que é que o Paulo Bento, o Ronald Koeman ou o Mourinho têm a ver com este chorrilho de disparates que acabei de escrever?

sexta-feira, março 10, 2006

    Sorte...

    Perfeito.

    Vou repetir, dividindo por sílabas: Per-fei-to.

    O sorteio de hoje não poderia ter sido mais feliz para o Benfica.

    Pela maneira como eu vejo as coisas o clube português já ultrapassou aquilo que lhe poderia ser exigido esta época em termos de Liga dos Campeões. Ora, chegados aos quartos-de-final, onde teoricamente estão as 8 melhores equipas europeias, as hipóteses de ser eliminado eram sempre grandes, fosse qual fosse o adversário.

    Assim, que adversário melhor do que a equipa que pratica actualmente o futebol mais entusiasmante do panorama europeu? Além de que, comparo hoje em dia a oportunidade de ver jogar o Barcelona ao vivo aos tempos em que Maradona brilhava no Nápoles. Vai ser espectacular ver o Barça de Ronaldinho na Luz, e quem diz que a derrota é certa? Pensei que por esta altura já todos tivessemos aprendido, afinal já andamos por cá há algum tempo, que nenhum resultado é certo antes do fim do jogo.

    Vou mais longe e direi que o facto de a 1ª mão se disputar na Luz é (mais)um factor positivo a juntar aos demais. Não duvido que Ronald Koeman, que juntamente com Bruins Slot conhecerá melhor a equipa do Barcelona do que Rijkaard a do Benfica, irá optar por uma estratégia parecida à empregue com o Liverpool, dando a iniciativa de jogo ao adversário e basicamente jogando em casa como se estivesse a jogar fora: em contra-ataque.

    Obviamente não desconheço que o poderio ofensivo do Barcelona é superior, ia dizer muito superior, ao Liverpool, e que a equipa catalã se sente bem na pele de equipa dominadora, mas creio que o Benfica terá poucos argumentos caso decida dar o peito às balas e encarar o adversário olhos nos olhos. Não, a tendência será encará-los como uns fidalgos que se estão a rebaixar ao visitar a casa de um simples homem do povo e tentar vencê-los utilizando para tal a sabedoria popular que costuma pulular neste tipo de comunidades. Com sorte eles, os jogadores pelo menos já que o treinador já veio colocar água na fervura e dizer que a eliminatória não será fácil, irão entrar em campo precisamente com a atitude supracitada e surpreendê-los será então mais fácil.

    Além disso, vou ser mauzinho agora, eles não vão ter o Puyol e o Messi e nós não vamos ter o Nuno Gomes.

    Ou então esqueçamos quatro dos cinco parágrafos anteriores e contentemo-nos somente com a possibilidade de ver jogar ao vivo Ronaldinho Gaucho.

quinta-feira, março 09, 2006

    FUTEBOL!

    EM JEITO de semi-balanço (falta o Inter-Ajax) aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, não deixa de ser curioso que o encontro mais aguardado por estes dias - o duelo de titãs Barça vs Chelsea - tenha sido, afinal, o menos excitante. VEJAMOS: o Benfica, contrariando todas as expectativas iniciais, elimiou o campeão europeu com um "score" de 3-0!; o Werder Bremen fez suar a Juve até ao apito final do árbitro, com o seu guarda-redes transformado em herói e vilão em poucos minutos; o Lyon deu espectáculo e provou que está no pódio de candidatos à vitória final (com Barça e Juve); o Villarreal conseguiu suportar a força escocesa e é outra surpresa nos quartos; o Milan proporcionou uma enorme lição ao Bayern e atirou com os alemães para fora da competição (semana má para o futebol alemão, em três confrontos com o italiano...); e o Arsenal-Real Madrid foi um belo jogo de futebol, em que a bola andou num tu-cá-tu-lá excitante: o 0-0 não premeia o futebol de ataque evidenciado pelos dois conjuntos. E DEPOIS? Chegamos ao Barça-Chelsea. Confesso que esperava mais um pouco dos ingleses e Mourinho foi um pouco réu nesse aspecto: acabou com Drogba no banco e o gigante Huth no ataque, ou seja, sem soluções para quando o trabalho e a mecanização são ultrapassados pela imaginação e criatividade contrárias. O Chelsea joga para ganhar e Mourinho sabe que tem mais possibilidades de ganhar do que qualquer outro conjunto; mas a ínfima possibilidade de perder dá-se quando encontra, como opositor, uma equipa com capacidade para "detalhes" técnicos absolutamente deliciosos: aí, meu caro Zé, tens de dar o braço a torcer. O Barça mereceu inequivocamente passar - até porque, no Camp Nou, sentiu-se muito mais à vontade no papel do Chelsea, a controlar o ritmo e volume de jogo. É verdade que, 11 contra 11, vimos equilíbrio e a expulsão de Del Horno marcou a eliminatória: mas o que passou, passou. E em Espanha, vimos um Chelsea claramente sem capacidade para mais. Mourinho, um "recado" - pega nos "trocos" do Roman e compra um fantasista: de certeza que, com equilíbrio táctico, consegues colocá-lo no teu "onze". E aí ganhas um enorme trunfo... E AGORA? Pessoalmente, creio que há três equipas muito fortes e claramente as maiores candidatas ao título: Barça, Juve e o Lyon. Talvez possa inscrever o Milão nesta galeria, mas este ano demonstra uma enorme irregularidade. Irregular é, também, o Arsenal - que, além do mais, nem tem tradição de Liga dos Campeões. E ainda existe o Inter, a qualificar-se, outro conjunto que prima pela irregularidade. E depois chegamos aos "outsiders": Benfica e Villarreal (e Ajax?). É claro que gostaria de vingar-me dos espanhóis, mas também gostava de ir ao Camp Nou. Mas, com esta "fezada anti-british", acho que o melhor era mesmo o Arsenal...

    ENORMES!

    Fantástico!! Humildade, entrega, segurança e qualidade - ah, e muita sorte, essencialmente na forma como ultrapassámos aqueles primeiros 20/25 minutos de "entrada de leão", em que o Liverpool desperdiçou três grandes oportunidades e, numa delas, até atirou ao poste. A partir desse momento, o Benfica ganhou mais confiança e chegou-se à frente: a estratégia de Koeman foi inteligente, deixando Nuno Gomes a acompanhar Geovanni de forma a que a equipa não se encostasse demasiado à sua área, podendo alongar-se em campo, trocando a bola e gerindo o esférico com critério. Subimos ao outro lado e, desde logo, desperdiçámos uma enorme (dupla) oportunidade, por Geovanni e Simão. Pouco depois, o grande golo de Sabrosa ("Comprassem-no, seus idiotas!", exclamava hoje Leonor Pinhão...). Enfim, o poderio inglês resultou, em meia hora, no mesmo número de lances de iminente golo de que o Benfica, mais defensivo mas bem corajoso, dispôs. O nervosismo cresceu nas hostes inglesas. Com 0-2 contra, seriam precisos três golos. Em contrapartida, aumentou a confiança dos encarnados, claramente patente após o intervalo. Vimos uma equipa calma, segura e sóbria. Em que todos foram enormes (mas Robert, curiosamente o mais temido pelo seu historial contra o Liverpool, esteve algo apagado...). O Liverpool pressionava mas pouco demonstrava, no sentido de ultrapassar a defensiva contrária. À medida que os minutos passavam, a certeza de que o Benfica estava mais perto da qualificação - aumentada ainda com as substituições perfeitas operadas por Ronaldo Koeman, nos momentos exactos. Karagounis para acalmar o jogo, Ricardo Rocha para segurar e Miccoli... para marcar! E estava feito. Tivemos sorte? Claro! Mas também tivemos futebol para o campeão europeu que cai aos nossos pés para surpresa geral...

    E não é que morreu mesmo?*

    Pontapé de saída:

    Depois do bom resultado alcançado em Lisboa, cumpria ao Benfica tentar segurar a magra, mas consistente, vantagem e quiçá alargá-la com a marcação de um golo que fizesse abanar as estruturas do campeão europeu. Estádio cheio, ambiente efeverscente (nunca este adjectivo terá feito tanto sentido), e 11 rapazes/homens a lutarem contra a vontade de perto de 40 mil pessoas mas com a doce sensação de terem milhões atrás de si, em espírito, aos quais se juntavam 3000 que fizeram questão de transmitir a mensagem presencialmente.

    Desmarcação:

    Com a lesão de Petit e as debilidades fisicas de Karagounis, Koeman fez aquilo que porventura não teria feito caso estas condicionantes não o tivessem...condicionado: optou por uma estratégia de 2 avançados. Ou melhor, e para ser mais fidedigno, optou pela entrada de 2 jogadores com caracteristicas ofensivas já que Nuno Gomes pisou áreas mais recuadas no terreno cabendo a Geovanni a deambulação por toda a frente de ataque tentando tirar partido da sua velocidade e codícia pela baliza.

    Desta forma Beto acabou por ser o substituto natural de Petit tendo a seu lado um Manuel Fernandes que parece crescer de forma à medida que se aproxima o final da época. Ora, é impossivel não reparar, e realçar, a exibição do médio brasileiro contratado ao Beira-Mar.

    Actuando na sua posição de origem mostrou que pode ser útil na gestão do pressing mais defensivo e nas dobras aos laterais, sobretudo quando estes fecham no meio, além de ter fôlego para dar e vender como se veio a comprovar com a recuperação de bola seguida de sprint e assistência (?) que viria a dar o 2º golo do Benfica. Isto com 90 minutos de jogo decorridos, atente-se.

    Tenho para mim que Benitez acabou por ser surpreendido com a opção de Koeman, ou então tratou-se de uma medida consciente do treinador espanhol no sentido de colocar maior pressão ao extremo reduto benfiquista, isto porque desta feita o Liverpool apostou somente num double-pivot no meio campo com Gerrard a juntar-se a Alonso e Sissoko a ser substituído por mais um jogador ofensivo.

    Isto provocou a divisão (propositada?) da equipa do Liverpool em duas. Uma, composta pelos quatro defesas, pelos dois médios mais defensivos (pese a abrangência de Gerrard), e pelos quatro avançados. Desta forma o jogo dos ingleses foi muito mais kick and rush do que a presença de três jogadores espanhóis e dois jogadores de tendências latinas (Kewell/Gerrard) aconselhariam. Crouch obrigará a este tipo de processos? Não me parece, até porque se a equipa contrária souber combater a inércia dos seus médios e recuá-los a fim de ganhar as segundas bolas necessariamente ganhas pelo gigante inglês e a estes juntar uma defesa atenta e com peso/categoria suficiente para aguentar os rombos provocados por estas golfadas de ataque bruto, 75% do potencial perigo está eliminado. Os restantes 25% ficaram a cargo de Moretto e dos postes e, porque não dizê-lo, dos Deuses.

    O jogo poderia de facto ter caído para o lado inglês caso uma das três/quatro oportunidades flagrantes viessem a ser convertidas em golo, mas a inépcia de uns e a categoria de outros viria a redundar no zero a zero com que se chegaria aos 30 minutos de jogo.

    Estava portanto ultrapassada a fase inicial do jogo em que mais se temia que as pernas dos jogadores do Benfica viessem a tremer e a reviravolta no sentido do jogo começou-se a escrever com o fantástico remate de Geovanni à barra. Poucos minutos antes, isto porque tinha tirado o som à televisão logo no inicio do jogo quando me apercebi do delay entre o que estava a ser dito e o que viria a acontecer umas fracções de segundo depois, e derivado da emoção com que inevitavelmente estava a seguir a partida, havia-me apercebido da ausência de Hyppia no centro da defesa do Liverpool e vi as minhas esperanças na marcação de um ou mais golos aumentar exponencialmente ao juntar dois mais dois e verificar que além de Riise também o patrão da defesa inglesa estava de fora. Como seria se tivesse actuado somente Nuno Gomes na frente? Provavelmente foi com a lesão do Petit no treino da véspera que o Benfica começou a ganhar o jogo.

    Mais uns minutos decorridos e surgiu o momento do jogo e um dos pontos altos da carreira de Simão Sabrosa. O primeiro toque, a recepção ao passe de Nuno Gomes, é muito importante pois tira do caminho o primeiro defesa que com a simulação de corpo com que o toque foi acompanhado ficou completamente fora da jogada, depois a inteligente movimentação do autor do passe levou consigo os restantes defesas e o nº 20 mais não teve que fazer do que teleguiar a bola rumo ao ângulo esquerdo da baliza de Reyna.

    E com isto o mais dificil estava feito. O Liverpool passava a precisar de três golos para seguir em frente. Chegar com a vantagem, alcançada de forma tão brilhante, ao intervalo era o próximo passo. Até lá ainda vimos a bola a embater mais uma vez no ferro da baliza guardada por Moretto, com este a fazer sorrir os adeptos sportinguistas ao verem que de tanto cuspirem para o ar (leia-se comentários sarcásticos às saídas destemperadas de Ricardo a cruzamentos pelo ar) os adeptos do Benfica acabam por ver a escarradela virtual cair-lhes bem em cima da testa de uma forma tão irónica quanto o destino por vezes sabe ser.

    Na 2ª parte a insistência dos ingleses no tipo de futebol que por vezes critico ao Chelsea de Mourinho, fazendo lembrar os lançamentos directos de Carvalho para Drogba, só que com a diferença importante de neste caso as bolas se destinarem a uma torre que terá perdido somente dois ou três lances aéreos em todo o jogo, com a finalidade de assistir os alas ou o outro avançado. Cumpre igualmente destacar a enorme exibição da dupla de centrais brasileiros do Benfica, e se a Luisão ninguém questionará os méritos estando a sua chamada ao Mundial mais do que garantida, já Anderson se afirma cada vez mais como um jogador com um potencial enorme. Muito inteligente na forma como conseguiu se não parar, pelo menos suster, a produtividade de Crouch, ainda se destacou em três ou quatro cortes de carrinho em que deu a sensação de ocupar a totalidade da área do Benfica.

    Nas alas mais dois brasileiros, e se Léo prescinde de adjectivos pois está tudo dito acerca da categoria do melhor defesa esquerdo a jogar no Benfica desde Schwartz, Alcides tem se revelado uma boa surpresa colmatando o menor fulgor fisico de Nelson e acrescentando centimetros à defesa. Desta feita marcou impecavelmente o canguru Kewell, mesmo não contando algumas vezes com o apoio total de Robert, e funcionou como terceiro central sempre que tal se justificava. E justificou-se várias vezes.

    Da dupla do meio campo também já falei e quero somente realçar, mais uma vez, a utilidade de Beto quando joga na sua posição de origem. Não duvidem (allô Koeman), para entrar no onze e atingir a plenitude dos seus recursos deverá ser opção a Petit e não complemento deste.

    Tratando-se de uma posição tão desgastante há que gerir a ausência de um em detrimento do outro por forma a garantir uma prestação eficaz e com fulgor fisico a toda a prova poupando o concorrente directo para outros embates.

    Manuel Fernandes também esteve muito bem na ocupação de espaços e se bem que não tenha alargado tanto a sua zona de acção como lhe é reconhecido talvez tivesse que ser mesmo assim por forma a que a equipa não fosse apanhada em contrapé.

    Aos 60 minutos de jogo a consistência de Karagounis na gestão dos tempos de passe veio substituir a velocidade e pressing ofensivo (mais este que aquela neste jogo) de Geovanni, e a posse de bola passou a ser mais equilibrada. Salientar igualmente que nestes quarenta e cinco minutos as oportunidade de golo não foram tão flagrantes e se bem que na cabeça dos benfiquistas estivessem sempre presentes as reviravoltas alcançadas pelo seu adversário em eliminatórias passadas, edição anterior da Liga dos Campeões incluída, a consistência defensiva (ler com sotaque brasileiro) do Benfica nunca pareceu próxima de quebrar.

    A entrada de Miccoli pareceu pecar por tardia pois Nuno Gomes havia-se desgastado no decorrer do jogo e, apesar da atenuante de ter jogado numa posição pouco comum, nunca pareceu estar numa noite particularmente inspirada. Os 15 minutos em campo chegaram no entanto para colocar a cereja no topo do bolo, que não inglês, e com um golo de tesoura inscreveu no placard um estrondoso 0:2.

    Finalização:

    Koeman venceu Benitez, considerado um dos melhores treinadores do Mundo, as substituições do espanhol só conseguiram quebrar ainda mais a já de si pouco consistente e homogénea formação inglesa e Cissé na direita ou um Fowler longe dos tempos áureos muito dificilmente poderiam dar a volta aos acontecimentos. Há portanto que dar mérito ao treinador holandês do Benfica que após ganhar uma equipa-base e ultrapassar alguns equivocos provocados pela inexperiência e aclimatação a um futebol diferente estará no bom caminho para dar razão aos que defendem serem os antigos defesas centrais ou guarda-redes os melhores treinadores.

    Não vou gastar mais do que uma palavra para definir a arbitragem de ontem: caseira.

    * Ver declarações de Luis Filipe Vieira antes do sorteio dos oitavos de final.

quarta-feira, março 08, 2006

    Hoje

    Depois dos jogos de ontem, hoje o prato forte para nós portugueses é o Liverpool vs Benfica.

    O dia começou com a péssima noticia da lesão de Petit, talvez o jogador mais preponderante do Benfica nos últimos meses, pela cadência que empresta ao conjunto e pela regularidade das suas (boas) exibições.

    O substituto natural até já estava escalado para jogar de início, Beto, portanto sobra uma vaga que deverá ser preenchida pelo igualmente tocado Karagounis. Veremos se será suficiente para equilibrar as contas tendo em conta que do outro lado estarão Xabi Alonso, um grande jogador, Gerrard (outro...) e Hamann. Cá atrás Anderson deve marcar o gigante Crouch e Luisão ficará para Fowler ou Morientes, depende da opção de Benitez, depois um dos trincos deverá descer e marcar aquele espaço nas imediações da grande área onde surgirão frequentemente os homens do Liverpool para as sobras. Nos flancos Leo não deverá ter problemas de maior mas Alcides poderá ter uma noite complicada se as pernas lhe tremerem.

    Depois é ter fé na tripla ofensiva que deverá ser composta por Simão, ao seu melhor nivel espera-se, Robert e Geovanni que poderá ser a cartada lançada por Koeman para baralhar os centrais ingleses.

    Confesso que não estou propriamente muito esperançado numa noite gloriosa mas também não o estava antes da recepção ao Man Utd na Luz.

    Nos restantes jogos, destacar as deslocações do Real Madrid a Londres para defrontar o Arsenal e do Bayern a Milão. O Lyon esse deverá confirmar o favoritismo e carimbar a passagem aos quartos de final às custas do PSV Eindhoven.

    Penso que em Londres o Real Madrid pode passar. Tradicionalmente o Arsenal de Wenger não brilha na Europa, daí a surpresa provocada pela vitória no Barnabéu, e o Real Madrid pode aproveitar as debilidades da, ainda por cima especialmente debilitada pela lesão de alguns jogadores-chave, defesa dos gunners.

    Em Milão o Bayern terá que vencer ou empatar pelo menos a dois golos para passar. A maior dose de favoritismo deve no entanto ser endereçada à equipa de Ancelotti, sobretudo após ter conseguido empatar em Munique. Inzaghi deverá ser titular ao lado de Shevchenko mas o maior problema do Milão será colmatar a ausência de Gattuso. Do lado dos bávaros Ballack poderá ser preponderante e na frente veremos se Makaay volta à titularidade depois de atravessar um período menos produtivo nas últimas semanas. Assim, Pizarro e Guerrero podem ser as opções de Magath para marcar golos em San Siro.

    Incrivel

    Cenário: Estádio Delle Alpi.

    Jogo: Juventus vs Werder Bremen.

    Competição: Liga dos Campeões.

    Antecedente: Jogo da 1ª mão que os alemães haviam vencido por 3:2.

    Após um jogo controlado pelos alemães, surge o fenómeno mais inacreditável do jogo para todos aqueles que não estavam a ver o jogo através da SportTv, pois para esses estava guardado o bocado, após segurar uma bola cruzada desde a direita do ataque da Juventus, Wiese o GR do Werder (um dos melhores em campo até então) larga inexplicavelmente a bola colocando-a à mercê de Emerson que mais não teve que fazer do que empurrá-la para a baliza deserta. Com 88 minutos jogados era a vitória da equipa italiana e parecia que para nós, espectadores atentos da estação televisiva supracitada, a noite estava arrumada.

    Entra então em acção o ponta de lança de serviço da SportTv. A eliminatória, segundo esta aventesma, estava empatada (4:4 no conjunto das duas mãos) e a Juventus já se dava por contente por levar o jogo para prolongamento (!!). Golos marcados fora em competições europeias valem por 2, em caso de desempate? Este conceito passa-lhe completamente ao lado e atenção, o profissional (??) em causa repetiu este discurso até ao final dos 4 minutos de descontos que o árbitro deu, não se tendo tratado portanto de um simples equivoco momentâneo.

    Foram sem dúvida 7 dos mais inenarráveis minutos que já assisti na televisão portuguesa. Entre a incredulidade inicial, aos ataques de riso subsequentes, terminando na raiva incontida por estar a pagar um serviço com tamanha falta de qualidade, fui-me deitar com a certeza de que ainda há um largo caminho que temos que percorrer para chegar ao nível dos restantes canais pagos que pululam por essa Europa fora. Resta-nos o consolo de pelo menos na mensalidade paga por nós, assinantes(ia dizer otários), já estar reflectido o valor que se paga no estrangeiro.

terça-feira, março 07, 2006

    Ansiedade

    Será a gestão da ansiedade que naturalmente se irá tentar apoderar de todos os jogadores que irá ajudar a decidir quais as equipas, entre as 16 que começam hoje a discutir a presença nos quartos de final da Liga dos Campeões, que irão seguir em frente na prova.

    Mais do que qualquer outro argumento, quando avançamos para fases mais competitivas destas competições, é nos pequenos pormenores que os jogos se decidem. As equipas mais experientes levam portanto vantagem pese a juventude e vontade de vencer possam proporcionar uma surpresa, isto caso estes factores sejam subvalorizados pelas equipas mais experimentadas.

    Sem mais delongas vamos ao que importa. Segue a minha antevisão para os jogos de hoje.

    VS

    Não há como fugir, é o jogo grande da eliminatória, e por muitos considerada a final antecipada. Depois da vitória em Londres o Barcelona conseguiu amealhar mais umas casas percentuais de favoritismo para o jogo de hoje. E é precisamente aqui que reside o principal motivo pelo qual a minha tendência para este jogo vai no sentido contrário, ou não conduzissem eles à esquerda, ou seja o inglês. Todo o ambiente que rodeou a chegada da equipa londrina à Catalunha, a fazer lembrar as famosas recepções a outro português (vocês sabem de quem estou a falar) só servirão para elevar o jogo do Chelsea para um nível para o qual o Barcelona pode não estar preparado.

    Mais do que a luta no meio campo, com Lampard certamente a actuar de inicio, mesmo que a sua lesão não esteja totalmente debelada, penso que será na forma como as defesas irão parar (ou deixar de o fazer) os avançados/alas/médios ofensivos contrários é que irá ser preponderante para definir o vencedor.

    O Barcelona não deixará de actuar da maneira que mais gosta, ou seja com um tipo de futebol mais apoiado e de toque, com Deco a comandar as operações num registo mais recuado e Ronaldinho e Messi a partirem das alas (curiosamente o dextro partindo da esquerda e o canhoto da direita) para se juntarem a Eto'o nos desiquilibrios ofensivos.

    O Chelsea por seu turno deverá optar pelo seu registo de lançamentos velozes directamente de Carvalho, Terry e Lampard, para as corridas loucas de Robben e Drogba. Será no entanto outro nome que poderá ajudar a elucidar o sentido da eliminatória: Joe Cole. O ritmo de jogo será naturalmente elevado, é assim que o Chelsea gosta e sabe jogar, e será igualmente interessante perceber se os niveis de agressividade serão afectados pelas sucessivas expulsões de jogadores que o Chelsea tem sofrido nos jogos com o Barcelona.

    Dica: Chelsea

    VS

    Também em Espanha mas alguns quilómetros a Oeste caberá aos homens que vêm de Glasgow a iniciativa de jogo de modo a darem a volta ao resultado do jogo de ida, que se cifrou num empate a duas bolas. Terá no entanto que fazê-lo sem recorrer a um dos seus jogadores principais na arte de marcar golos, Dado Prso. Na forma que encontrar de parar Riquelme e de substituir o avançado croata poderá estar a diferença entre perder de forma clara ou de vencer e atingir inéditos quartos de final para equipas escocesas. Nos espanhóis a ausência mais relevante é a do defesa/médio/avançado argentino Sorin. Na frente Forlán não deverá deixar os seus créditos por pés alheios.

    Dica: Villareal

    VS

    Em Turim, e num estádio que mais uma vez deverá ficar longe da lotação esgotada, defrontar-se-ão a Juventus, actual campeã italiana e que se prepara para revalidar o titulo com uma perna às costas, e o Werder Bremen. O jogo da 1ª mão correu dentro da normalidade até aos 85 minutos. A Juventus vencia por 2:1 e na 2ª mão teria tão somente de confirmar o favoritismo e poderia inclusivamente dar-se ao luxo de perder 1:0. Eis senão que, fazendo gala do habitual estoicismo alemão, o Bremen beneficia de 2 cantos que após serem convertidos em golo dão um carácter bastante diferente à eliminatória. Não se iludam, o favoritismo continua a falar italiano, mas com equipas alemãs ao barulho nunca é de desprezar a possibilidade de surgir uma surpresa. O Werder não irá defender a magra vantagem (alô Koeman) e portanto um 0:0 está fora de cogitações.

    Prevejo um jogo com muitos golos e a equipa de Capello não deverá deixar de marcar presença no próximo sorteio.

    Quanto às armas que cada equipa apresentará mais logo, Del Piero parece renascido das cinzas e encabeçará o ataque à baliza germânica, acompanhando Trezeguet. Zambrotta também será um reforço de peso, ele que estivera ausente no jogo da 1ª mão.

    O Werder terá no maestro Micoud e na dupla de avançados (cá está a vertente ofensiva que sublinhei há umas linhas) Klose/Klasnic a esperança em levar a eliminatória para terrenos pantanosos, do ponto de vista italiano.

    Dica: Juventus

    VS

    O Inter vs Ajax só se irá jogar a 14 de Março, pelo que a análise a esta partida ficará para segundas núpcias. Posso adiantar no entanto que prevejo à equipa holandesa a necessidade de no final deste jogo ter que procurar outro subterfugio para esquecer a péssima campanha interna que está a fazer no campeonato holandês.

quinta-feira, março 02, 2006

    Revisão, 24

    SUPER BENFICA - E aí está! Depois de uns jogos de desilusão, já temos de volta o “super Benfica”, para agrado daqueles que hoje festejam e amanhã, com nova derrota, vão deitar abaixo. É futebol, eu não levo a mal. O que interessa é isto: com esta vitória sobre o FC Porto, os encarnados renovam as esperanças de reconquista do título. O jogo foi péssimo até ao golo do francês. Futebol “mastigado” de ambos os lados, bola maltratada, jogadores sem imaginação para mais. Parecia coisa de “solteiros e casados”. De repente, um míssil – foi período de Carnaval, é certo, mas a partida de Vítor Baía (ajudado por Robert, claro) não terá sido levada a bem por Co Adriaanse. O tento libertou as duas equipas, logo a seguir queixosas dos seus números “9” – McCarthy e Nuno Gomes falham golos e deixam água na boca para o intervalo. O Benfica começou mais constante e controlou sempre o jogo, com Koeman a observar o seu congénere a assassinar um conjunto de futebol – e pudesse ele substituir os outros jogadores por... mais avançados! Este FC Porto é uma miscelânea de nada – na sequência de mais uma derrota, adivinham-se novas trocas, novas mudanças, nova táctica, novo modelo, tudo de novo (ah, e Helton de volta, claro!). Mesmo assim, ainda depende de si mesmo para ganhar o campeonato, pois continua líder. O problema de Adriaanse é que vai ainda visitar o campo do, neste momento, seu mais directo rival – o Sporting. A equipa leonina continua a não me convencer por completo mas a realidade acaba por ser vitoriosa: há alguns jogos invicta, com uma segurança defensiva interessante e uma eficácia tremenda – há algo de “trapattoniano” na forma como Paulo Bento (re)construiu este “leão”, depois das cinzas deixadas pelo nestes dias mediático Peseiro. A EQUIPA – Benfica. Concluiu com êxito uma semana preciosa para manter as aspirações em duas importantes provas, vencendo os dois últimos campeões europeus. Se, mais do que outra coisa, a atitude permanecer, vejamos o que podem fazer os encarnados nos próximos jogos... O JOGADOR – João Pinto. Continua a dar que falar, está numa forma fantástica, tem levado o Boavista ao colo e, pensando bem, Scolari não podia olhar para ele quando diz que não tem alternativas a Deco? LÁ FORA – Laszlo Boloni, lembram-se? Pois bem, ele é a grande figura desta jornada europeia, quanto a mim, pois goleou, fora de casa, uma das melhores equipas do panorama europeu, o sólido e fascinante Lyon. Grande surpresa, a do Rennes – mas, a turma de Gerard Houllier continua a única candidata ao título da Ligue 1, pois os adversários teimam em desperdiçar estas oportunidades. A FRASE – “Não tenho agora dúvidas de que o director-geral, Carlos Freitas, foi um dos responsáveis por isso. Possui amigos em alguns jornais que sistematicamente me atacaram, assim como não valorizaram o que de bom fizemos” – José Peseiro, na análise ao que correu mal ao Sporting durante a sua estada em Alvalade.

    Boavistão

    Em campeonatos nacionais que mais do que nunca se parecem com verdadeiros campeonatos internacionais, dá gosto assistir à ascensão de uma equipa como o Boavista FC que se dá ao desplante de actuar em alguns jogos só com jogadores portugueses. Mais do que um qualquer sentimento xenófobo da minha parte, este sublinhar advém do facto de eu defender que uma Liga interna terá sempre que manter a sua génese futebolistica, o que só pode ser verdadeiro no caso de os jogadores que a integram serem na sua grande maioria originários desse país. Vivemos a fase mais aguda da globalização, nada é nosso tudo é de todos, e quer se queira quer não o perigo é latente: onde mora a nossa identificação? Também, ou sobretudo, por isto sinto que estou em falta por ainda não ter dedicado um artigo à melhor equipa da 2ª volta do campeonato português.

    Impossivel passar ao lado da mudança de equipa técnica verificada no final da época passada, aliás importa sublinhar que é esta a forma ideal de proceder a alterações de treinadores, isto é, aproveitando o final da época para fazer o juízo final do trabalho realizado e aferir da concretização dos objectivos estabelecidos.

    Nesse sentido Carlos Brito foi chamado para iniciar um trabalho a médio prazo, como tem sido hábito neste clube (mais um segredo que hoje em dia já deveria ter sido apreendido por todos os dirigentes), e trabalhou a equipa desde a pré-época vivendo com ela tempos menos felizes até chegar ao ponto de, com um terço do campeonato por realizar, ainda poder sonhar com a conquista do campeonato(?).

    Recorde-se que após jornadas em que os empates se sucediam e a equipa parecia não ter argumentos para passar do meio da tabela para cima, a opinião generalizada e dita especialista colava ao ex-treinador do Rio Ave rótulos que hoje em dia, estranhamente, parecem uma memória muito longínqua.

    Focalizemo-nos no entanto nos elementos sem os quais nenhum técnico consegue brilhar, os jogadores. Com uma postura bastante curiosa perante o mercado e onde as divisões secundárias são objecto de olhar atento, além da politica de empréstimos que ao contário do que sucede por outras bandas não é o primeiro passo para o jogador ser dispensado do clube em termos definitivos, é também por isto que a SAD boavisteira consegue o feito de ter um dos orçamentos mais baixos da 1ª Liga.

    É interessante analisar a forma de jogar do Boavista 2005/06 porque além de manter os niveis de agressividade de épocas anteriores conseguiu eliminar ou fazer diminuir o elemento castrador que esta caracteristica por vezes implicava no funcionamento criativo do conjunto. O exemplo mais flagrante e que pode inclusivamente originar o sempre interessante debate sobre se quem surgiu primeiro foi o ovo ou a galinha, é o renascimento competitivo de João Vieira Pinto. Ou seja, JVP encontrou espaço para (voltar a) impôr o seu futebol devido à diferença de estilos entre Pacheco e Brito, ou por outro lado o outrora menino bonito (hoje em dia não faz muito sentido chamar-lhe menino) ganhou segundo fôlego na carreira e com esta subida de forma tem arrastado a equipa para outros patamares?

    Importante será também darmos o devido crédito a figuras que, ao não serem mencionadas, poderiam ser de alguma forma injustiçadas, pese o grande mérito do conjunto ser quanto a mim precisamente o colectivismo do 11 (ia dizer 14 pois mais do que um onze inicial são 14 os elementos que vão rodando a titularidade). Assim, e como costuma suceder bastantes vezes, é no eixo central que a equipa tem a sua força maior, com a tripa constituída por Paulo Sousa, Lucas e Tiago a formarem um meio campo de respeito dificilmente igualado em termos de niveis de trabalho pela equipa adversária. Destes três destaco Lucas, um médio que oscila entre o discreto e o exuberante mas que raramente se esconde do jogo. Com 26 anos e após uma época de ambientação a um clube com outras ambições quando comparado com o seu anterior clube, Académica, nota-se que é um jogador feito à medida deste Boavista. Talvez só lhe falte uma maior confiança quando se encontra em zonas de finalização.

    Uns metros atrás encontramos outro dos pilares do conjunto, Ricardo Silva. É um caso paradigmático de um jogador que passou ao lado de uma grande carreira. Tinha categoria para chegar muito mais longe do que chegou e os seus 31 anos já não lhe deverão permitir grandes esperanças de voltar a um grande. Poderá ter no entanto mais dois ou três anos de bom nivel e o Boavista parece o clube perfeito para que isso suceda.

    Depois, bem depois existem vários jogadores cuja importância deve ser dividida em partes mais ou menos iguais: desde o polivalente Manuel José que parece bem lançado para ser mais um caso de extremo convertido a funções mais defensivas; passando pelo explosivo Zé Manel (estou convencido que se não fosse a infeliz escolha de nome artistico a sua carreira poderia ter atingido outro brilhantismo); até à promessa Paulo Jorge (atenção a este jogador); e terminando nos agora mais intermitentes Diogo Valente e Fary.

    Em suma, e concluindo, independentemente do que vier a suceder no que resta de campeonato, mora no Bessa uma das equipas com mais futuro do futebol português. Assim lhe seja dado tempo para crescer e a SAD continue a conseguir o por vezes dificil equilibrio entre saúde financeira e crescimento desportivo.

    Quanto a saber até onde esta equipa pode chegar em 2005/06, os próximos dois jogos (Braga e Alvalade) podem fazer incidir alguma luz sobre o futuro imediato da equipa das camisolas esquisitas.

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