sexta-feira, janeiro 27, 2006

quinta-feira, janeiro 26, 2006

    Fernando Redondo (de autoria alheia)

    Vou abrir uma excepção para colocar aqui um texto que caracteriza muito bem um dos melhores centro-campistas que já vi actuar. Atentem sobretudo no que está sublinhado e levante o braço todo aquele que se recordar daquela jogada (o meu já está).

    "Standing ovations at the Bernabeu are rare enough for the Madrid players but for the opposition they come once in a blue moon. Ronaldinho was shown the respect recently; Fernando Carlos Redondo also received this honor as an AC Milan player. Making one of the last meaningful appearances of his career, a rapturous applause rang around the stadium as “El Principe” left the pitch. As one of the most gifted midfielders ever to take the field, his technique, poise and style made him a joy to watch.

    French magazine L’Equipe said in an editorial after the 2000 Champions’ League final “With his allure of a somber tango dancer, his deceptive slowness, his slightly condescending elegance he is always where he should be.” Indeed, anything Redondo did he did with the class of a Latin dancer.

    “The Prince” did come from a grander background than most of his counterparts. His father owned a meat factory in Buenos Aires, giving his son the platform to also obtain a law degree to add to his royal footballing skills.

    Making his debut for Argentinos Juniors in 1985 he was just 17, but it was in the 1988/89 season that Redondo’s talents became noticed. Snapped up from under the nose of the mighty River Plate, Tenerife signed “The Thin One” to play under compatriot Jorge Valdano, one of the few coaches the midfielder saw eye to eye with. After four seasons of personal success with the island club, Redondo signed for Madrid in June 1994, where he was to gain his reputation as a regal footballer.

    With the Merengues he won two league titles and two Champions’ League trophies, one of them as captain. In 2000 he was voted the best South American player to play in Spain over the last decade. This indeed is a quite remarkable feat considering the competition of Romario, Ronaldo and Rivaldo.

    Voted the most valuable player in the Champions’ League of 1999/2000, perhaps Redondo’s defining moment was against Manchester United at Old Trafford that season. Running at Henning Berg he back-heeled the ball through the Norwegian’s legs, ran around him, collected it and side footed to Raul who had a simple tap in. For many it was the single most glorious piece of skill seen on a football pitch, not just that year, but in the history of the game.

    The Prince’s performance in that particular game was totalitarian. Arguably Roy Keane was played off the park, something that had never happened before and hasn’t happened since. Sir Alex Ferguson said after the game “What does this player have in his boots? A magnet?” Always with a desire to play attacking football Redondo patrolled in front of the back four, forever available to receive the ball, he could create space for himself and others with his almost psychic reading of the game and his majestic technique. Fabio Capello once said he was “a tactically perfect player.”

    In light of this it is a great shame he only played 29 times for Argentina. Reasons range from injury, having to sit a law exam and refusal to cut his hair. However, there were some deeper reasons if one looks under the media veil. Former national coaches Billardo and Passarella both had an aggressive, highly structured and tactically dull approach which was the very antithesis of Redondo’s footballing beliefs.Passarella was famed for his almost ‘military regime’ as a coach, and this would obviously clash with someone as creative and stylish as The Prince.

    While he did make a brief return to the national side in 1999, he decided to concentrate on Madrid, a sign perhaps of where his real love lay. He once stated that “I have a great deal to thank Madrid for because I reached my maturity as a professional player and as a human being, having integrated myself in such a wonderful way with the Spanish society.”

    Signing for AC Milan on the 28th of July 2000 for 18million euros was a controversial move. Debate raged whether he had been forced out by new President Florentino Perez, who needed to recoup some of the outlay for Luis Figo, or if Redondo wanted a new challenge in a city that would match his taste in fashion. Considering that Raul allegedly told Perez he would leave if anyone else joined his best friend through the exit, it is likely to be the former.

    All in all it turned out to be a torrid move for The Prince. A chronic knee injury, similar, and simultaneous to his replacement Flavio Conceiceao’s at Madrid, it meant only a handful of appearances in the Rossoneri’s colours. Rumour has it that at one point Redondo refused to take his wages from the club while he trained alone attempting to regain his fitness which took over two years. This, unprecedented at the time, made him a hero in Milan despite his lack of playing time.

    When he returned to Madrid as a Milan player in the Champions’ League, he didn’t have his best game; most likely his emotions got the better of him. Before the game his name rang out of 80,000 mouths in the Santiago Bernabeu, and the massive crowd stood and applauded him off towards the end of the game. Such was the fans’ love for Redondo.

    Now retired, it would not be surprising to see Redondo as coach of Madrid some day. One thing is for sure; his class, grace and desire to entertain will have a mark in the annals of footballing history."

    Gavin Dunne

quarta-feira, janeiro 25, 2006

    Benfica vs Sporting - o derby dos derbies

    À medida que se aproxima a hora do próximo derby da 2ª circular, o nervosismo começa-se a apoderar de todo e qualquer adepto destas equipas. É inevitável que assim seja. Dir-me-ão os mais racionais: Não vale um campeonato. A vitória conta os habituais 3 pontos. Após o jogo faltará disputar quase toda a segunda volta. Tudo verdades insofismáveis mas nenhum adepto desdenha uma vitória, se possível conclusiva (ia dizer humilhante), para as suas cores, nestes jogos. Está em jogo muito mais do que a mera disputa pelos 3 pontos ou a subida de alguma posição na tabela classificativa do campeonato. Quase que diria que se defrontam duas ideologias, duas formas de estar (que não importa aqui identificar), dois Mundos. Dependendo do resultado, as próximas semanas farão os adeptos de cada um destes clubes descer às profundezas do inferno ou tocar ao de leve as nuvens no céu. Precisamente por já ter vivido ambos os cenários desmistifico completamente as três alíneas, e mais haverá com certeza, com que algumas pessoas nos brindam para tentar tirar carga emotiva ao jogo de sábado.

    Não será uma semana parecida àquela que antecedeu o ultimo derby da época passada, por toda a conjectura que na altura se verificava (poder-se-á mesmo chamar a esse o jogo do titulo), mas são sem duvida sete dias que parecem ter mais do que as habituais 24 horas. Para aqueles aos quais as minhas palavras pareçam carregadas de algum exagero, convido-os a visualizarem os seguintes ficheiros gentilmente partilhados pelo pteixeira do www.sl-benfica.com.

    http://www.megaupload.com/pt/?d=B7UIGY59

    http://www.megaupload.com/pt/?d=N6Y4W4J2 Cronologicamente falando, um dos vídeos ajuda a perceber o frenesim dos momentos que antecedem o inicio da partida, enquanto o segundo mostra o sentimento que se apodera dos vencedores após a realização do jogo. Não consegui arranjar nenhum vídeo que exemplifique o estado em que ficam os perdedores e muito sinceramente espero não o poder fazer no próximo sábado.

terça-feira, janeiro 24, 2006

    Revisão, 19

    REVOLUTIE – Uma autêntica “revolutie” (revolução, em holandês), a protagonizada por Co Adriaanse. Pior que perder 2-1 na Amadora, até pior que perder por 5-0, será deitar para o lixo um sistema, um modelo e jogadores capazes de o interpretar. Mas foi isso que o técnico do FC Porto fez, na sequência de uma derrota – inesperada, é certo, contudo absolutamente normal num campeonato. Que lição fica? É que Adriaanse vive sobre a “onda”: se for a das vitórias, perfeito – limita-se a executar pequenas transformações semanais na máquina; se acontece algo de negativo, muda-se tudo! Contra a Naval, o FCP alinhou num absurdo 3x3x4 que só por ingenuidade e pouca coragem da equipa adversária não foi totalmente demolido – bastava os figueirenses terem arriscado um pouco mais... Além disso, Co operou a substituição pela qual mais ansiava – tirou Baía, meteu Helton. Pelo menos é o que parece... A ver vamos como o “mito” responde e os adeptos encaram a decisão. Como dizia alguém, agora se vai prova se o 99 é bom ou mau suplente... De resto, fica da jornada que o Sporting volta a perder pontos, numa altura crucial – prestes a visitar a Luz era imperioso conquistar pontos e motivação. Não fez nem uma coisa nem outra... Desperdiçou 30 minutos de “alta voltagem”, quando poderia ter garantido a vitória de forma fácil, e – sem ritmo no segundo tempo – deixou-se ir na entendiante teia maritimista. Do outro lado da 2.ª Circular mora uma equipa confiante e com muitas mais opções (basta comparar os bancos de Koeman em Setúbal e Barcelos!). Em futebol jogado, ainda se podem limar muitas arestas, mas o holandês parece inteligente na forma como tenta “contentar” todos com minutos, rodando o “onze”. Frente ao Gil Vicente, nova vitória inquestionável... Destaque positivo ao Boavista (segunda vitória consecutiva...); nota negativa para Nacional (estará a perder o gás?) e Vit. Guimarães (a ansiada recuperação, é para quando?). A EQUIPA – Marítimo. Sê-lo-á mais pelo ponto conquistado em Alvalade do que pela exibição, já que, à excepção de alguns lances de perigo perto da baliza de Ricardo, pouco fez em Alvalade para mostrar serviço. Valeu-lhe a boa capacidade defensiva no segundo tempo, quando o Sporting perdeu ritmo e capacidade... O JOGADOR – Geovanni. Escolho-o, não só pelo golo (a conclusão de uma jogada brilhante) mas pela dúvida que, com certeza, vai criar em Koeman quando este decidir o “onze” que vai defrontar o Sporting. Nas últimas jornadas, embora jogando mais à direita, tem merecido a confiança do treinador quando este o desloca para o centro do ataque, com alguns golos importantes. Entre Geovanni, Miccoli e a promessa Marcel, quem joga à frente de Nuno Gomes? LÁ FORA – Não vejo um jogo do Chelsea há muito tempo. Normalmente, tenho o condão de perguntar a qualquer amigo meu, à noite, por quantos é que o Chelsea ganhou à tarde. Desta vez, a resposta foi outra: empatou! E com o Charlton, qual “besta negra”... No entanto, a performance da turma de Mourinho continua intocável... A FRASE – “Para quem andou ao longo de vários meses a criticar o Scolari por não ter levado o seu irmão mais novo [Vítor Baía] à Selecção, ficamos agora a aguardar que critique Co Adriaanse por mandar o seu irmão mais novo para o banco. Ou então para criticar o seleccionador do Brasil por não levar o Helton ao Campeonato do Mundo” – José Veiga, na mais recente resposta dada no duelo que leva, desde sexta-feira última, com Pinto da Costa e o FC Porto.

    Anda tudo louco ?

    Quando chegaram à fala com o Miguel para lhe pedir um comentário ao pedido de indemnização do Benfica, no valor de 7 Milhões de Euros, o jogador respondeu que já esperava isso, pois esse senhor não cumpre acordos. Isto porque aparentemente existia uma claúsula no acordo entre o Benfica e o Valência, clausula essa que dizia que o Benfica não iria colocar nenhum processo ao jogador. Estava a ouvir isto no Jornal da SIC e não pude evitar pensar para mim, se estaria de facto a ouvir isto. Independentemente da cor clubistica de cada um, não acham que falta moral ao Miguel e seu representante para poder criticar alguém do Benfica em relação ao cumprimento de acordos ? Será que anda tudo doido ?

sábado, janeiro 21, 2006

    Os criadores de frangos

    No espaço de duas semanas tivémos oportunidade de assistir a dois frangos monumentais do tamanho da Torre dos Clérigos (hmm, onde é que eu já ouvi isto?), cometidos por dois dos melhores guarda-redes da nossa Liga. Se o do Baía acontece com muito mais frequência, já o do Jorge Batista, ontem, é daqueles aviários gigantescos que só devem acontecer uma vez na vida dos bons guarda-redes. Foi um frango tão ridículo e tão triste que até nem teve honras de festejos no banco do Benfica. Porque, tem que se dizer, deu pena. No entanto sendo o frango uma situação normal, passível de acontecer aos melhores GR do Mundo, [lembro-me, por exemplo, recentemente do Oliver Kahn num jogo contra o Real Madrid (1-1) que deixa passar uma bola já 100% controlada por debaixo das pernas] mancha irremediavelmente a carreira e (muito mais) o orgulho de qualquer jogador, principalmente se até então é considerado um dos melhores na sua posição. Mas porque é que os bons jogadores dão frangos? Haverá muitas explicações,
    • Súbita falta de concentração
    • A surpresa de uma jogada: um remate que parecia um passe ou cruzamento mas que de repente é atirado à baliza
    • Bolas demasiado rápidas e traiçoeiras cujo trajecto, por vezes devido à falta de visão no momento que a bola é lançada, engana o GR
    • A confiança excessiva de que aquela bola está controlada e não passa
    • O cálculo errado do momento em que deve lançar-se para agarrar, chutar ou socar a bola.

    Podendo fazer muito mais (daí chamar-se frango) em jogadas com os ingredientes acima mencionados, são no entanto explicações realistas e aceitáveis. Já por outro lado não o são as justificações da poça de água estrategicamente cavada à frente do Guarda redes (se estivesse uns milímetros ao lado ninguém reparava nela), ou do estado do relvado que faz com que a bola, naquele preciso instante e naquele lugar exacto se lembre, caprichosa e convenientemente de ressaltar de forma a trair o Guarda-redes.

    São desculpas um pouco redutoras e ridículas, porque ao fim de 45 minutos as equipas mudam de campo e o Guarda-Redes adversário está sujeito às mesmas condicionantes. Ora, sendo assim, porque é que o GR adversário não dá um frango igual ou semelhante no mesmo jogo?

sexta-feira, janeiro 20, 2006

    Ainda um "diamante" por lapidar?

    Habituei-me a ver a CAN como a competição dos “pobres” do Futebol, num continente subdesenvolvido que os analistas prometiam ser, há anos, um “diamante” por lapidar. Lembro-me, de forma nítida, da África do Sul vencer a competição, momento glorioso para o País que renascia depois das feridas do “apartheid”; lembro-me das desventuras angolanas, ora lideradas por Neca ora por Alhinho; lembro-me de ver, pela Eurosport ou nos canais nacionais, aqueles dribles estonteantes, aquele jogo sem rédeas tácticas. Hoje, a CAN continua a ser competição máxima de um continente subdesenvolvido, com um futebol que continua a ser um “diamante” por lapidar. Nada mudou, aparentemente. A partir de hoje, vamos continuar a ver o mesmo futebol cheio de dribles estonteantes e sem rédeas tácticas (a não ser, talvez, nos Camarões do eterno Artur Jorge – um dos meus ódios de estimação...). É pena, então, que o mundo do futebol não possa focar os holofotes com maior cuidado sobre a CAN. Porque passa à margem... de tudo. Quanto a mim, seria melhor que, à semelhança do Mundial e Europeu, se jogasse de 4 em 4 anos, nos finais de temporada. Impedindo, assim, que as equipas europeias – especialmente as francesas – se sintam defraudadas por perder os seus jogadores, aqueles a quem pagam para os servir. Quanto a esta CAN, os cinco “mundialistas” vão merecer destaque, mas os “grandes” não qualificados (Nigéria, Camarões, por exemplo) também são candidatos à vitória. Eu aposto na Costa do Marfim, na Tunísia e nos Camarões.

    Mercado de Inverno - Parte II

    Aproveitando um recente post editado pelo melhor blog sobre futebol feito em Portugal, irei-me abalançar um pouco e procurar entender os comos e porquês das contratações já efectuadas no mercado de Inverno pelos nossos principais clubes. Quando a dança de nomes possíveis e prováveis era muita, eu analisei aquelas que para mim deveriam ser as alterações que cada um destes 4 clubes deveria fazer se queria atacar a segunda metade da época com possibilidades intactas de atingir os seus objectivos. Bem sei que o mercado ainda não está fechado mas se houver alterações significativas, e nalguns casos parece evidente que ainda há uma ou outra contratação/venda prestes a ser concretizada, prometo voltar ao tema. Para já, vamos ao que já é real e deixemos o resto (leia-se “quase real”) para os jornais. Comecemos pelo actual líder, Fc Porto. Comprou Adriano, dispensado pelo Cruzeiro, e Anderson jovem coqueluche do Grémio Porto Alegre. Enquanto o primeiro vem colmatar as ausências de McCarthy e de Sokota, além de prevenir a possibilidade de ser mais uma vez adiada a afirmação do tanque Hugo Almeida, o segundo vem rodeado de uma aura de novo Ronaldinho que em principio só o prejudicará nas análises que vierem a ser feitas às suas primeiras exibições com a camisola azul e branca. Não esquecer que estamos perante um jogador que ainda não subiu todas os degraus que levam ao futebol profissional sénior. Ainda por cima vem do futebol “GNT”. Não me parece portanto jogador para pegar de estaca no resto da temporada que falta completar, vide caso-Diego. Já Adriano, caso consiga atingir o rendimento evidenciado nas duas primeiras épocas ao serviço do Nacional, pode fazer uma boa dupla com Lisandro. E aqui tenho que concordar com o Rotura de ligamentos pois também me parece que o argentino está a ser mal aproveitado na actual posição de falso extremo, não tão falso como isso, em que o Adriaanse o tem colocado. É no entanto uma incógnita o modo como o Adriano se vai adaptar às andanças de um clube grande. A ultima experiência no Cruzeiro não foi propriamente muito sugestiva. Ou terá sido? Na defesa não houve alterações e se bem que a aquisição de um lateral esquerdo não deva estar de todo descartada, ainda para mais com a lesão de Cesar Peixoto, creio ser uma medida pouco avisada da SAD portista. A afirmação de Pedro Emanuel está concretizada, sendo um bom central mas não se lhe peça no entanto o Mundo; e um ou outro golo mais consentido não apaga a consistência evidenciada nos últimos anos por Vitor Baía; no restante estamos conversados: nem Pepe nem Ricardo Costa nem Cech me parecem com arcaboiço para emprestar os níveis de qualidade normalmente exigidos ao Fc Porto. Ainda por cima se pensarmos que há grandes chances de estarem os três simultaneamente em campo. José Castro teria sido uma bela opção (ainda é?) para reforçar o eixo da defensiva. Surpreendentemente, ou não (ou não…), foi o Benfica que ganhou o por vezes decisivo campeonato das contratações de Inverno (ver titulo conquistado pelo SCP após aquisições de André Cruz, Mpenza e Prates). Ao todo foram 5 e, mais uma surpresa quiçá pouco surpreendente, não houve nenhuma saída dos habituais titulares, nem sequer Simão Sabrosa. Às minhas exigências que previam a necessidade de adquirir um guarda-redes, um extremo e um avançado, foram acrescentadas duas contratações para as alas que me fazem acreditar ter sido levada em linha de conta a possibilidade do capitão benfiquista ser vendido nesta abertura da janela de mercado. Para a baliza veio o guarda-redes menos batido da Europa. É mesmo assim, não há volta a dar. Poder-se-á discutir a qualidade do campeonato ou a subjectividade objectiva destes números, mas o Moretto foi de facto a revelação das revelações no que à guarda das redes diz respeito no panorama europeu. Ele que o ano passado lutava para vencer o ostracismo a que muitas vezes era relegado, com a preferência dos técnicos sadinos por Marco Tábuas, esta época tem vivido uma autêntica fábula de sonho à qual nem terá faltado a bruxa má. Admito que por vezes não consigo despir a pele de adepto optimista por natureza, e neste como nos casos seguintes provavelmente não conseguirei ser tão pragmático como gostaria. Até ver a diferença desde que Quim foi relegado para o banco, e pese não discutir a qualidade do guarda-redes português, é abissal. Aos centímetros há que acrescentar a segurança posicional que não tem passado despercebido aos homens que actuam à sua frente e, não menos importante, a noção que passa aos adversários de que bola nas mãos de Moretto é bola prestes a ser lançada com velocidade para o meio campo adversário ou para a ala mais livre do meio campo benfiquista. Moreira neste pormenor ainda era pior do que Quim, sendo que ambos podem aprender com o guarda-redes brasileiro como transformar uma atitude defensiva em ofensiva. Marco Ferreira, Robert e Manduca foram contratados para suprimir a maior lacuna do plantel nos últimos anos: as alas. Tendo-se descoberto finalmente que Geovanni não é, nunca foi e nunca será, extremo, e que Carlitos ainda não tem (veremos se alguma vez vai ter) arcaboiço (e com isto é a segunda vez que utilizo esta palavra hoje) para um grande, sobrava Simão. Com a previsível saída do extremo português, obviamente havia que contratar jogadores que fizessem ambas as alas do ataque. Vieram o Marco Ferreira, até ver uma situação muito estranha que entra directamente na série “Guerra FCP vs SLB” envolvendo jogadores, Manduca e Lauren Robert. Do primeiro não espero muito, do ex-maritimista dou-lhe o beneficio da duvida, até porque se trata de um jogador que pode fazer várias posições no ataque, inclusivamente a actualmente ocupada pelo Nuno Gomes. Já quanto ao francês, e correndo o risco de passar por jovem imberbe que fica embevecido com os lances de um passado mais ou menos recente assinados pelo jogador, tenho a dizer que considero uma contratação que pode dar certo. Vejamos, com 30 anos feitos e uma ultima época e meia bastante abaixo do que normalmente rendia nos campeonatos francês e inglês, trata-se quiçá da ultima hipótese de Robert fazer jus ao valor que lhe era creditado nos primeiros anos da carreira, épocas iniciais do Newcastle incluídas. Caber-lhe-á a ele justificar a contratação. E não ao Veiga ou ao Vieira. Aproveito para acrescentar que o meu temor relativamente a este caso, e também ao de Miccoli e de Karagounis, é o que sucederá com a sua (deles) motivação competitiva se o Benfica for eliminado na próxima ronda da Champions. Aqui entrará necessariamente o Koeman e gostaria de estar mais certo do que estou actualmente em que o treinador holandês tem capacidade (ia dizer arcaboiço mas rectifiquei a tempo) para segurar o balneário e as vontades individuais no caso de o Benfica de repente se ver envolvido somente nas competições internas. Por ultimo, Marcel. Sempre acreditei que ele estava em trânsito para o Porto. Enganei-me e creio não ter sido o único que se sentiu enganado. Noutros casos porém terá sido um sentimento exponenciado pela mágoa em vê-lo envergar a camisola do Benfica, o que não é naturalmente o meu caso. O meu conhecimento do jogador é escasso e resume-se às partidas efectuadas pela Académica, e transmitidas na televisão. Nunca o vi sequer jogar ao vivo. Sei no entanto que há 2/3 anos foi chamado à selecção sub-23 brasileira, pelo nosso conhecido Ricardo Gomes, e que na altura fez furor chegando a ser comparado ao Adriano (sosseguem, falo do internacional brasileiro ao serviço do Inter Milão). Em suma, era uma posição carenciada, e foi devidamente colmatada com um jogador que tem necessariamente características diferentes do Nuno Gomes e especialmente do Miccoli. O treinador ficou com algumas dores de cabeça iminentes mas prefiro estas às anteriores em que o problema era inversamente proporcional à actual crise de abundância. Passemos ao Sporting de Braga. Aqui continua-se a privilegiar a componente financeira, procurando no entanto através da aquisição de jogadores menos renomados não perder a consistência da equipa. O melhor defesa central foi vendido para Espanha (Nunes -> Mallorca) por uma soma considerável, cerca de 2.5 milhões euros, e fala-se com insistência na possível saída de Jorge Luiz para Moscovo. Para a esquerda há Rossato mas o centro da defesa não se deixará de ressentir se entretanto não for adquirido nenhum jogador que possa substituir o ‘máquina zero’ que a costumava comandar. Paulo Jorge é razoável mas para uma equipa que luta (luta mesmo?) para o titulo, não chega. De resto parece que acertei nas necessidades que precisavam ser atendidas, e vieram Marinelli (argentino ex-Torino) e Kim (sul coreano). O primeiro vem bem referenciado e nos breves minutos que o vi actuar, gostei. Esquerdino, e com bom toque de bola, tem algum passado ao nível das selecções jovens argentinas, mas por um ou outro motivo chega com 23 anos ao campeonato português e a um clube não pertencente aos habitualmente apelidados de grandes. Veremos se consegue fazer esquecer as intermitências exibicionais, derivadas sobretudo da (falta de) condição física, do Hugo Leal, e transmitir alguma qualidade de passe e apoio ao ponta de lança que por vezes parece faltar à equipa bracarense. Kim vem substituir o Maxi “marquei 2 golos ao Benfica e foi só” Bevaqua e juntar-se a João Tomás e ao ainda lesionado Delibasic como opções atacantes do Sp.Braga. O ataque ao titulo antevê-se de difícil execução mas um lugar de acesso à Liga dos Campeões não está descartado. Last but not least, ou neste caso é mesmo least para já, o Sporting Clube de Portugal. A atravessar uma fase complicada em termos directivos, com eleições à porta, e uma situação financeira dificilmente esquecida quando analisamos a posição do clube perante o mercado, adquiriram-se para já Caneira, Abel e Romagnoli. As saídas foram muitas e entre dispensas e empréstimos contam-se nomes como Edson, Silva, Pinilla, Wender, Paíto e Varela. Emagreceu-se portanto o plantel, o que em teoria não é má estratégia, e procurou-se com a aquisição dos jogadores já referidos emprestar mais qualidade ao onze-base. Caneira não precisa de apresentações, trata-se de um bom defesa central que se está a deparar com um problema na sua carreira que é a insistência com que o tentam adaptar a lateral (esquerdo ou direito), para corrigir deficiências na construção do plantel por parte dos dirigentes. É uma adaptação que não colhe. Em certos aspectos faz lembrar Ricardo Rocha e o seu karma quando o Benfica não tinha laterais esquerdos, em numero e em qualidade, que lhe chegou a custar inclusivamente uma maior notoriedade na carreira. Esses tempos parecem ultrapassados num caso mas o Caneira já se deve ter desenganado se pensava que vinha para comandar a defesa do Sporting. A dispensa/venda do Edson e de Paíto terão sido (pouco?) elucidativas. O incrível desta situação é que o ex-Valência se vê envolvido numa encruzilhada em que não há uma saída fácil. Se jogar como central, e por muito bem que o faça, não é opção para Scolari. Se a adaptação à lateral esquerda se confirmar, é provável que venha a ser chamado para o próximo Mundial. Perderá no entanto mais uma época que poderia (deveria?) ser de afirmação das suas capacidades como defesa central. Tempo esse que como se sabe não volta para trás. Abel parece-me um jogador mediano, se bem que possa trazer mais um pouco de cultura de lugar do que o inócuo Miguel Garcia ou o entretanto desaparecido do mapa Mário Sérgio (tem jogado no Guimarães?). Lembrar que muitas vezes o Abel não era titular no Braga cedendo a posição ao curiosamente ex-(flop)-sportinguista Luis Filipe. Romagnoli, tal como Marinelli do Braga, não conheço. Nunca vi jogar. A fama que o precede fala em internacionalizações pelas selecções inferiores argentinas, criticas favoráveis de Maradona (que nunca foi reconhecido pela sua capacidade de análise a jovens promessas, mas isso é outra estória), e uma primeira experiência emigratória pouco feliz. Correm alguns rumores acerca de uma lesão complicada, talvez não completamente debelada, ao nível do joelho, que o terá impedido de seguir a sua afirmação em consonância com o efectuado pelos seus ex-companheiros de selecção Aimar e D’Alessandro, mas concedamos-lhe o benefício da dúvida. Ainda se fala na possível contratação de mais um avançado, até porque em condição inversa se encontra o descontente Deivid, mas mesmo que o jogador a contratar venha realmente fazer a diferença, creio que não foram acauteladas todas as necessidades do plantel. Polga e Tonel são melhores do que Beto e Polga ou Beto e Tonel, mas fica a sensação de que falta ali qualquer coisa. Será Rochemback? Ou a implicação da falta do anafado jogador brasileiro reside principalmente no défice de rendimento evidenciado pelos jovens João Moutinho e Custódio no que já vai jogado desta época? Extremos também não existem, excepção feita à jovem promessa Nani (que quanto a mim tem sido a maior revelação do campeonato) e para recuperar o losângulo do meio-campo da época passada já não há Barbosa, Viana e o já citado Rochemback. Qual será a ideia de P.Bento, sabendo que até meados de Fevereiro também não pode contar com Douala? Confesso que não auguro grandes veleidades ao que resta disputar desta época para ambos os Sportings, um porque não se reforçou devidamente e passa por óbvias divisões internas, enquanto o outro deixou sair ou se prepara para deixar, dois dos principais pilares da defesa que como se sabe era o principal argumento que tinha para ombrear com os clubes mais poderosos.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

    Benfica vs Maritimo (Arquivo histórico II)

    Uma palavra para descrever o jogo de ontem, presenciado no estádio: FUTEBOL Ontem houve jogo da bola no Estádio da Luz. Fosse qual fosse o resultado, ontem, tal como já se havia visto esta época no mesmo estádio frente ao Sporting ou frente ao Rio Ave, as pessoas que pagaram bilhete para ver o jogo deram por bem empregue o seu dinheiro. São jogos como estes que devolvem a credibilidade à competição e aumentam a paixão pelo jogo dos inumeros adeptos de futebol espalhados pelo país. Após o golo do Mantorras, a pérola negra, o homem que mais sentimentos gera nos benfiquistas, extrapolando tudo o que é perceptivel ou possa ser subentendido por adeptos de outras cores levando muitas vezes a julgamentos precipitados e/ou injustos, fiquei simplesmente sentado a escutar os cânticos do publico e senti-me em perfeita comunhão com as 60 mil almas que me acompanhavam naquele sentimento lindo. Imaginei depois o que sentiriam os jogadores que envergavam o jersey vermelho com a águia ao peito, isto quando um deles estava por terra sem se mexer, chegando a pairar por breves segundos na minha memória o momento mais triste que já vi como adepto do Benfica, e só quando o vi a mexer-se e a levantar-se do relvado ainda com o extâse a percorrer-lhe todas as veias do corpo entendi que ele estava a sentir o mesmo que eu. Com a diferença de ele estar no relvado e ter lutado com todas as suas forças por aquela vitória e de ser um jogador profissional, pago portanto, e não ter nenhuma obrigação moral de sentir esta vitória como eu a senti. Eu que sou benfiquista desde pequenino e que em hora de jogo me abstraio de tudo o que me rodeia, exceptuando o jogo a decorrer lá em baixo, na relva. Falo do Ricardo Rocha, o que ainda assume outra relevância quando sabemos todos o que um meio de comunicação social tentou fazer durante a semana que passou e que poderia ter consequências nefastas para a empatia que sempre houve entre jogador e clube/massa associativa, mas felizmente as pessoas já começam a perceber do que é que a casa gasta e para mim aquele gesto provou o que já me tinha apercebido há muito: estamos na presença de um jogador que deve ser mantido no clube, custe o que custar. Talvez seja injusta esta referência individualizada quando todos os jogadores deram o seu melhor e se houve exibições menos conseguidas e não se ter tratado propriamente de uma goleada após uma exibição fantástica, há que dar mérito à garra apresentada e ao querer demonstrado, que viria a culminar num golo que de resto já havia sido marcado antes e cuja justiça me parece indiscutivel. E ontem, há que dizê-lo com frontalidade, houve dedo do treinador italiano na vitória encarnada. Quando foi preciso meteu a carne toda no assador porque sabia que ontem um empate seria quase como uma derrota e não querendo entrar em euforias desmedidas (60 PONTOS DE AVANÇO, VAMOS GANHAR O CAMPEONATO COM 60 PONTOS DE AVANÇO!!!) penso que há muito mérito de quem dirige a equipa nesta vantagem que actualmente a equipa detem no campeonato nacional. Agora, algumas notas finais sobre o jogo de ontem:
    • Se alguem souber informar o jogador que ontem envergou a camisola do Nuno Gomes, ficar-lhe-ia extremamente agradecido;
    • Para quem duvidava quando em tempos se afirmava que o Miguel, embora sendo lateral direito, era um dos jogadores mais importantes do Benfica, ontem teve mais uma prova da veracidade dessa afirmação;
    • Depois de todas as viagens que o Luisão fez na ultima semana e meia, penso que não foi uma decisão muito acertada colocá-lo a titular no jogo de ontem. Há outras opções, sendo que o Alcides por exemplo já demonstrou que é um valor seguro e ontem deveria ter jogado de inicio;
    • Se o remate do Petit no qual o GR adversário desviou a bola com os olhos tem entrado na baliza, tinha sido um dos golos mais belos do campeonato. Fez-me lembrar o Brasil de 82, Socrates a abrir as pernas e Eder a rematar de fora da àrea ao angulo do GR que se limitou a acompanhar a bola com os olhos sem nada poder fazer para impedir o seu curso...

    Não queria terminar sem referir o ambiente ontem vivido no Estádio da Luz. Talvez já o tenha mencionado mais acima mas nunca será demais repeti-lo: é indescritivel a emoção que se sente sentado naquele estádio, rodeado de pessoas com o mesmo 'credo'. É que ali apoia-se uma equipa, não se está a 'desapoiar' terceiros...

    saudações benfiquistas

    Crónica escrita em 4 Abril, a propósito do épico Benfica 4:3 Maritimo (Campeonato Nacional)

    Wallace and Gromit (Arquivo histórico I)

    Dos mesmos produtores de "Fuga das Galinhas", estamos em presença de um filme com alguns méritos mas tambem com diversas falhas que cumpre serem realçadas.
    Ao nivel dos figurantes, pouco a dizer, a não ser que compareceram em massa e sempre que houve momentos divertidos corresponderam a preceito, com gargalhadas várias e um ambiente positivo de modo a que os "actores" principais pudessem ter condições para uma boa actuação.
    Wallace não esteve mal, em geral as suas falas foram bem estudadas e as decisões que o boneco (de plasticina, recorde-se) tomou em cada frame (não esquecer que estamos a falar de um filme animado) mostraram um personagem sábio e conhecedor do enredo do filme e da melhor forma de o interpretar. Poder-se-á eventualmente questionar uma ou outra atitude, mas caramba, falamos de um boneco de plasticina portanto não se pode exigir a mesma performance de um actor de carne e osso.
    O(s) Gromit(s), falo no plural porque no decorrer das filmagens houve vários que foram para o gal(in)heiro pelo que tiveram que ser substituídos, é que me decepcionaram um pouco. Quem já viu alguma das curtas-metragens desta dupla sabe do que o(s) Gromit(s) é(são) capaz(es) e não pode deixar de se interrogar sobre a quantidade absurda de diálogos, comandados pelo simpático cão, em que se notava perfeitamente que a mira dos seus olhos não estava bem direccionada, chegando a ser constrangedor reparar que na maior parte das vezes mais parecia estarmos em presença de um boneco estrábico pois não conseguia olhar de frente para os olhos da personagem que com ele contracenava.
    Uma ultima referência para os maus da estória, o "Coelho-Homem", parecendo-me que se trata de um vilão com pernas para andar e que inclusivamente pode aspirar a ter uma série própria pois mostrou capacidades interpretativas para se abstrair do ambiente desfavorável, não esquecer que a assistência desejava ardentemente um final feliz para o Wallace e seu simpático cãozinho, e conseguir mesmo assim levar a melhor o que (não leiam agora, quem ainda não tenha visto o filme).................................... faz com que o filme não tenha um Happy End, à Hollywood, mas quantas e quantas vezes não é assim na vida real?
    E de resto, não concordam comigo quando defendo serem os filmes que prescindem do efeito fácil do final feliz aqueles que mais nos marcam, pois fazem com que encaremos as adversidades de frente e vejamos que afinal ainda há espaço para melhorar e as preocupações não levam a lado algum pois no fundo no fundo estamos aqui todos agora, mas daqui a um bocado vamos dar lugar a outros.
    saudações cinéfilas
    Escrito em 03/11/2005, a propósito do Benfica vs Villareal disputado na Luz (Champions League)

terça-feira, janeiro 17, 2006

    Revisão, 18

    FENÓMENO... – O mistério paira... Foi um OVNI, um pássaro, o Super-Homem? Que raio de fenómeno passou, no domingo à noite, pela Amadora sem que ninguém o conseguisse identificar – pelo menos, a generalidade da crítica especializada. Pois, para mim, foi um “frango” – e dos grandes. Ao lermos os jornais, quase ninguém deu por isso – o Est. Amadora marcou dois na primeira parte e o FCP reagiu após o intervalo. Ok... foi isso mesmo que se passou, mas, atenção, não falta aqui qualquer pormenor? Parece que, quando Baía “franga”, nada acontece. Retirando da conversa os “fait-divers”, e analisando o que se passou, a vitória do Est. Amadora é justa, tal como seria justo o empate, pois no segundo tempo os amadorenses foram “engolidos” – diga-se de passagem que o FCP também aí não mostrou muito mas merecia, pelo menos, um ponto. Mas o futebol é isto, e o Est. Amadora acaba por fazer valer a excelente primeira parte, com aproveitamento eficaz das oportunidades de que dispôs, perante um conjunto abúlico e sem chama. O início de segunda volta parece, assim, deixar alguns sonhos no ar. Renasce a esperança... nomeadamente, do lado leonino, que se vê agora a “apenas” sete pontos do FC Porto. Para o Sporting, torna-se então imperioso vencer o Benfica, no final do mês, e o “dragão”, quando este visitar Alvalade, e esperar que os portistas percam noutros campos. Quem se aproximou ainda mais do 1.º lugar, e fica a depender apenas de si próprio para vencer o campeonato, é o Benfica. Mas a qualidade do plantel ainda não permite ver a qualidade de jogo e do futebol que se espera. Temos, porém, o melhor plantel dos últimos anos e, se não o melhor da Liga, equiparado ao do FC Porto. A ver vamos como Koeman rege a “orquestra”... A EQUIPA – Est. Amadora. Desferiu a segunda machadada no “dragão” desde o início da temporada, apontando os holofotes para esta boa surpresa da Liga, a quem eu próprio não dava outro derradeiro caminho que não o da descida. “Toni” também pertence ao escalão das surpresas – lidera uma equipa que não perde há seis jogos e que está perto de conseguir lutar pela UEFA. E esta, hein? O JOGADOR – Semedo. Tem uma história engraçada: saiu de Amadora no final da última época, depois de ter um dos principais contribuidores para a subida do clube lisboeta à Liga a pensar noutros voos. Contudo, a poucos dias do início da época, voltou – era a surpresa preparada por António Oliveira! E, agora, forma com Manu a dupla de “sprinters” do ataque do Estrela, que sem cão (leia-se, ponta-de-lança matador) caça com... gato(s). LÁ FORA – É um recorde no “Calcio” a três pontos por vitória: 52 é o pecúlio alcançado pela “Juve” à primeira volta. Que se passa na Europa, meus amigos? Onde está a competitividade? Os principais campeonatos estão decididos – nenhum escapa: Espanha, Alemanha, Inglaterra, França, Itália... Venha o Mundial! A FRASE – Qualquer uma retirada da crónica de hoje do Miguel Sousa Tavares, n’“A Bola” (especialmente, sobre o 2.º golo do Est. Amadora...); mas também as de Rui Alves, sobre o caso-Adriano – é escolher, leitor!

segunda-feira, janeiro 16, 2006

sábado, janeiro 14, 2006

    Importa-se de repetir?

    [...]"Depois de ter tomado uma posição pública, ameaçando com uma denúncia à FIFA, falei com o presidente do Cruzeiro e expliquei-lhe as razões pelas quais não queria que o jogador fosse cedido ao Sporting. Disse-lhe, na altura, que não podia emprestar um jogador do qual ainda temos parte do passe a um concorrente directo no campeonato, ou seja, a um clube que luta pelos mesmos objectivos do Nacional", explicou o dirigente do Nacional, que de seguida diferenciou o caso do FC Porto: "O negócio foi tratado de uma maneira diferente e sempre com o meu conhecimento. Para além disso, o FC Porto luta pelo título, enquanto o Nacional não, pelo que os objectivos dos dois clubes são diferentes, o que não acontece com o Sporting". [...] Rui Alves a O Jogo 14 de Janeiro 2006 Não sei se ria, se chore, se salte, se pule... se dê um estalo a este gajo! PS - fiquei pelo menos a saber que o receio de Rui Alves é que o Sporting lhe roube os objectivos, que é não ser campeão. Ufa, sendo assim fico mais descansado ao saber que o Sporting e o Nacional não representam perigo e dessa forma o Benfica pode lutar com menos concorrentes ao título!

sexta-feira, janeiro 13, 2006

    Esta valia um par de estalos

    Os Suspeitos do Costume Rui Alves ameaça Cruzeiro com queixa na FIFA CASO NEGOCEIE ADRIANO PARA O SPORTING Em declarações à Rádio Renascença, o dirigente do clube madeirense, que cedeu o jogador brasileiro ao clube de Belo Horizonte, revelou que a Adriano não poderá ser emprestado a nenhum clube mas apenas vendido [...] Record 10 de Janeiro 2006 O FC Porto garantiu nas últimas horas a contratação de Adriano ao Cruzeiro de Belo Horizonte [...] O entendimento entre o Cruzeiro de Belo Horizonte e o FC Porto passa pelo empréstimo de Adriano estando fixado um valor para a opção de compra do passe do jogador pelos portistas no final da época. O Jogo 13 de Janeiro 2006 Francisco Soares Franco declarou que nunca agiria como o Benfica na disputa por um jogador. Faz bem? Se o futebol fosse uma loja de virtudes diria que sim, assim só lhes posso chamar otários. É que Pinto da Costa descobriu-lhes o ponto fraco e agora é um ver se te avias. Qual será o freguês que se segue, ou para quem irá o próximo estalo? Há uma pergunta que me atormenta: a que se deve tanto ódio de Rui Alves ao Sporting?

quinta-feira, janeiro 12, 2006

    Ídolos pessoais - o primeiro

    Ponto prévio: há paixões que não se explicam. Tendo consciência da dificuldade inerente à tarefa que me proponho, nas próximas linhas tentarei justificar o porquê de a minha primeira paixão futebolística não se ter chamado Diego Armando Maradona, Marco Van Basten ou Roberto Baggio por exemplo. Situemo-nos no tempo, finais da década de 80, princípios dos anos 90. Naquela altura as semelhanças com o presente eram escassas, sobretudo se levarmos em linha de conta essa palavra, tão sintomática de tudo aquilo que representa: Globalização. Tendo bem presente de que estamos a falar de um adepto português, pois é nessa condição que eu me apresento, mais cristalinos se tornam os motivos pelos quais se tornará de difícil execução explicar o porquê de o meu primeiro ídolo ter sido este.

    Ávido amante do futebol internacional, apesar de benfiquista indefectível, sempre comprei os jornais desportivos em função do número de páginas que dedicavam aos campeonatos estrangeiros. O “Domingo Desportivo” (saudoso tempo em que ocupava o prime-time, na altura em que esta expressão ainda não tinha a força dos dias de hoje, de…domingo) era acompanhado com sofreguidão e sempre com aquele misto de sentimentos de não querer que acabasse mas ao mesmo tempo desejando que chegasse a parte final do programa, o que equivale a dizer que fossem apresentados os resumos das principais partidas do fim de semana dos campeonatos mais importantes do velho continente. O Calcio, epíteto pelo qual era conhecido o campeonato Italiano, era na altura onde se reuniam as maiores estrelas do firmamento europeu e mundial. Apesar do interesse em acompanhar a carreira de Paulo Futre no Atlético Madrid e ter ligações afectivas à Alemanha que me fazem até hoje ter como segundo clube o ex-grande Borussia Monchengladbach, eram sem duvida a Juventus, os clubes de Milão e o Nápoles de Maradona, aqueles que despertavam mais sentimentos no jovem imberbe que começava a dar mostras de dar uma importância desmedida ao futebol. Eu disse desmedida? Queria ter escrito, “de um jovem que já então desconfiava que o futebol é um fenómeno maior que a própria vida.” Ora, em Itália as estrelas abundavam, mas mais nenhum jogador tinha aquele “je ne sais quoi”, característica que se pode comparar aos motivos pelos quais desejamos passar o resto da nossa vida com uma pessoa, mesmo que tenhamos consciência dos seus defeitos e de provavelmente não ser a pessoa mais perfeita que conhecemos. Pierluigi Casiraghi era o rebelde que nem sempre jogava, o ponta de lança que nunca poderia sonhar em ser o melhor marcador do campeonato pois, infelizmente para ele, pese a beleza estética dos golos que marcava, nem por isso estes passavam a contar mais do que os marcados por qualquer um dos outros avançados que escolhiam o prático em detrimento do belo. Se eu fosse adepto da Juventus decerto também me exasperaria com este modus-operandi mas, convenhamos, para apreciar devidamente o fenómeno, convém termos um certo distanciamento que nos permita olhar com igual deferência para a movimentação do jogador “a” e do jogador “b”, seja qual for a equipa que ele represente. Recordo-me nitidamente de um dos golos que fez despertar esta paixão. Disputava-se mais uma edição do clássico Ac Milão vs Juventus e ao golo inicial de Marco Van Basten, do qual (óh heresia) nunca fui especial fã, respondeu o nosso amigo Pierluigi com um daqueles golos que só pode nascer dos pés de um louco. A insanidade é na verdade a razão mais plausível que encontro para explicar o porquê de alguém corresponder com um remate de primeira a um passe longo efectuado a partir da meia esquerda do ataque, e com este simples toque na bola arrancar um “petardo” que antes de beijar as redes ainda teve tempo para uma rapidinha com a trave da baliza (perdoe-se-me a analogia). E com isto, eu estava conquistado. Ainda me recordo de outro golo, curiosamente também marcado aos rivais de Milão, na sequência de um pontapé de bicicleta, mas a verdade é que nunca a carreira de Casiraghi viria a atingir a bitola que ele, e eu, merecia(mos). Seguir-se-iam algumas épocas na Lázio de Roma, onde finalmente conseguiria passar a cifra de 10 golos por época, em dois anos seguidos, e o triste final no Chelsea. E é também este factor trágico que ajuda a emprestar a aura em que continua envolvido o fenómeno Casiraghi aos meus olhos, pois os finais felizes tranquilizam a alma mas não têm o condão de ter um efeito duradouro. A componente cómica da situação, se recorrermos ao uso do humor negro tão caro aos britânicos, é verificarmos que o lance que veio a ditar fim da carreira do internacional italiano (camisola com a qual chegou a fazer furor nomeadamente no Europeu de ’96, curiosamente disputado nos relvados que viriam a ditar o seu infortúnio) só aconteceu porque ele tenta chegar a uma bola perdida na esperança de fazer um golo à matador, movimento que, de tão incaracterístico na sua carreira, só podia mesmo dar no que deu. Choque com o guarda-redes e com o defesa, 5 minutos a ser assistido no relvado, substituição, mesa de operações. Após 10 (dez), o fim, aos 29 anos.

    ...

    Posto isto, e com a esperança de terem entendido as traves-mestras sobre as quais assentam os meus gostos pessoais, só podia mesmo ter sido este nº 11 a substituir o Casiraghi no lugar mais alto do meu pódio fictício na categoria em apreço.

quarta-feira, janeiro 11, 2006

    Beleza, sob a forma de letras

    Nada a ver com nada, e principalmente nada a ver com 2005: Vladimir Nabokov, como Albert Camus, também foi goleiro. A diferença entre os dois é que Camus disse que aprendeu mais sobre a vida no gol do que em qualquer outra atividade, enquanto Nabokov conta que no gol só foi feliz. E nem sempre. Em Fala, memória, ele lembra sua experiência de jogos em Cambridge "sob céus lúgubres, com a área do gol uma massa de barro negro, a bola escorregadia como um pudim, e a minha cabeça torturada pela nevralgia depois de uma noite insone fazendo versos". Felicidade era quando a bola estava longe do seu gol e "com braços cruzados, eu me encostava na trave esquerda e desfrutava o luxo de fechar os olhos e ouvir meu coração batendo, sentindo o chuvisco no rosto, ouvindo, na distância, os ruídos fragmentados do jogo e pensando em mim mesmo como um fabuloso ser exótico disfarçado de jogador inglês, compondo versos numa língua que ninguém entendia sobre um remoto país que ninguém conhecia". E Nabokov arremata: "Não admira que eu não fosse muito popular com meus companheiros de time". Luiz Fernando Verissimo, in Zero-hora

terça-feira, janeiro 10, 2006

    Apanhados

    Escuta telefónica captada hoje pela Judite: - Tô? - Tô? Toni? É só pra te avisar que o Bruno está lesionado. - Como?, quem fala? - É o PC - desculpa ser em código mas isto das escutas, nunca fiando. - Ah, olá xô Presidente, mas... mas olhe o Bruno está a 100%, ainda esta tarde estivémos a treinar e ele não se queixou. - Pois, mas agora está lesionado e não quero mais discussão. - Mas, xô Presidente, ainda faltam tantos dias para o jogo com o FCP, deixe-o ao menos disputar o jogo da Taça, depois no próximo fim de semana podemos então combinar a lesão, se o senhor quiser. É que não tenho mais nenhum guarda-redes em forma. Eu prometo que não me descaio como o outro. - Náá, já me escaldei por duas vezes e desta vez temos que actuar com mais subtileza, e como os mouros estão muito perto temos que tratar já da vidinha. Com o Bartó e o Loureirinho já me entendi, e acabei agora de falar com o teu presidente para lhe dar conta da decisão. - Ok, o xô presidente manda. - Eu sei. clic

    Revisão, 17

    SPORTING PERDE TERRENO – Iniciar a segunda volta com dez pontos de atraso para o líder é uma desfeita enorme nas aspirações do jovem Paulo Bento, que não há muito tempo, em algumas entrevistas, assumia-se claro candidato ao título. Mas, como dizia o outro, “não se podem fazer omoletes sem ovos”. Comparem-se os bancos de FC Porto, Benfica e Sporting neste fim-de-semana... Com que ficamos? O do “leão” cheio de “putos”. Junte-se a isso a punição (clara e óbvia) pela “indisciplina aérea” brasileira e temos um “onze” preso por arames. Como se não chegasse, o Sporting fez um jogo mau, talvez o seu pior jogo desde que Bento assumiu o comando da equipa. Valeu-lhe o “fenómeno” Liedson – quase gerou a reviravolta. Pode ser muito extremo mas, na segunda metade do campeonato, o Sporting não se pode dar ao luxo de perder um jogo sequer. O FCP continua na sua “onda” vencedora, levado ao colo... por Ricardo Quaresma. Destaque negativo para o Boavista, que não sabe o que é vencer fora de casa. Apesar de uma segunda parte de sinal mais, os “axadrezados” continuam na senda dos maus resultados fora do Bessa. Até com o Rio Ave Carlos Brito parecia mais forte longe do seu terreno... Ao final da primeira volta, o 8.º lugar parece menos que o prometido... Mais sólido e compacto, o Benfica surge como o principal adversário do FC Porto na luta pelo título. Koeman ganhou também mais opções, tornando o “banco” encarnado extremamente capaz de responder, com soluções fortes, aos problemas que se podem colocar ao holandês, jogo-a-jogo... Perante o Paços de Ferreira, uma vitória fácil e sem “espinhas”. Est. Amadora e Un. Leiria merecem, nesta jornada, algum destaque, enquanto, por outro lado, Vítor Pontes tarda em confirmar as palavras do seu “mestre”: o Guimarães está cada vez mais afundado... A EQUIPA – Sp. Braga. Os bracarenses são uma equipa de automatismos. Cada jogador sabe o que deve ou não faz, consoante o rumo do jogo. Wender é apenas mais um, que se junta ao grupo numa altura fundamental. Com Rossato recuperado e os outros reforços bem integrados, a turma de Jesualdo Ferreira volta a mostrar-se na luta, pelo menos, pela Liga dos Campeões – o título parece demasiado longe, devido ao aziago mês de Dezembro. O JOGADOR - Wender. Um acto de gestão magnífico, o dos responsáveis pelo Sporting. Dispensar um jogador para o adversário seguinte é dar-lhe vontade de mostrar aos seus patrões a sua mais-valia. Wender teve poucas oportunidades em Alvalade e quando as teve pouco mostrou. É mais um daqueles jogadores que joga bem nos “pequenos”. E, particularmente, em Braga, sente-se como peixe na água. Será um dos principais elementos do Sporting local na segunda volta, acredito. LÁ FORA – O Barcelona soma e segue. Além da 15.ª vitória consecutiva, a equipa de Rijkaard distanciou-se dos principais adversários, nomeadamente o Real Madrid. Deco e Ronaldinho Gaúcho na criatividade, e Eto’o nos golos são as principais “estrelas” mas Messi é um novo dado a ter em conta. Mourinho – já vencedor desta Premier League – que se cuide... Em Itália, nove pontos distanciam a Juventus do AC Milan, 2.º classificado. Qual destas três equipas vai ganhar a Liga dos Campeões? A FRASE – “Elegi o Moretto porque penso que era o melhor para este jogo. (...) É normal um jogador estar descontente, mas [Quim] tem de saber que há concorrência e mais jogadores.” – Ronald Koeman explicou desta forma a troca de Quim – quatro jogos seguidos sem sofrer golos – por Moretto.

    Analogia de trazer por (uma) casa (italiana)

    Buffon é muito provavelmente um dos melhores guarda-redes do Mundo. Se não o melhor. Buffon lesionou-se com gravidade no inicio desta época. Para suprimir a ausência de uma alternativa credivel no seu plantel para substituir o titular da selecção italiana, a Juventus contou com os bons préstimos do seu rival Ac Milão para contratar por empréstimo o renomado, mas habitual suplente de Dida, Abbiati. A carreira da equipa de Turim tem sido irrepreensivel, passeando no tradicionalmente exigente campeonato italiano e tendo-se qualificado sem problemas para os oitavos de final da Liga dos Campeões. Tendo um ataque muito forte, onde pontificam nomes como Ibrahimovic, Trezeguet, Mutu ou Del Piero, é usualmente na defesa que reside a principal força (de qualquer equipa italiana) da Juventus. Ora, é impossivel dissociar uma boa prestação defensiva de uma equipa, do homem que antecede os defesas. O problema, para Abbiati já se vê, é que Buffon está a caminho da recuperação total e já hoje, no embate da Taça de Itália a realizar com a surpreendente Fiorentina, deverá ter uma oportunidade de mostrar se esta, a recuperação, já lhe permite regressar ao seu posto natural. O de nº 1. Já estou a imaginar a imensa blogosfera italiana bem como os adeptos juventinos mais, como dizê-lo, sentimenta(listas)is, questionando o porquê de se estar a promover a entrada directa para a titularidade do Buffon quando o até agora cumpridor Abbiati tão bem se tem exibido. "Como se sentirá ele?", perguntarão os adeptos; "Qual será a consequência para o espirito da equipa, vendo esta tremenda injustiça cometida contra um dos seus/nossos?"; "O Capello não percebe nada disto!" Ou então, e fazendo uso de uma lógica cuja fundamentação é indiscutivel, dirão que o Buffon é melhor, pelo menos aos olhos do treinador, não assumindo importância relevante para o caso se a maior parte dos adeptos concordam ou não com esta avaliação das capacidades de ambos os guarda-redes, e como tal o Abbiati deverão compreender e aceitar esta decisão. Às vezes gostava de ser italiano. Numeros de Abbiati esta época: Campeonato Itália 18 Jogos - 10 golos sofridos Champions League 6 Jogos - 5 golos sofridos

segunda-feira, janeiro 09, 2006

    Decisões, decisões.

    Este ano, o Pai Natal trouxe muitas prendas para este senhor, no entanto, terá se esquecido da mais importante de todas, um fornecimento vitalício de Aspirina. Ronald Koeman vai passar a ter muitas dores de cabeça, semana após semana, para colocar 11 jogadores em campo e manter satisfeitos os outros que não entram nesse mesmo 11. No primeiro jogo, Koeman acabou por surpreender meio mundo ao colocar Moretto a titular, em detrimento de Quim, que vinha de 4 jogos seguidos sem um golo sofrido. E logo se levantou a voz popular, "Injustiça", dizem. Quer se concorde ou não com a opção, Ronald Koeman é pago (e bem) para tomar decisões. É ele quem lida com os jogadores todos os dias, não só nos treinos, mas nos balneários. Será que todos nós temos legitimidade para dizer que é de facto "uma injustiça" ? Para mim, não foi uma surpresa. Ronald Koeman já deu indicações de dar importância à estampa física dos jogadores (como no caso do Ricardo Rocha na esquerda e mesmo agora o Alcides na direita), e embora seja um excelente guarda-redes, Quim é um pouco mais baixo do que se desejaria para uma posição onde se é constantemente solicitado em cruzamentos. Quem ontem assistiu ao jogo, como eu, reparou por exemplo que Moretto agarrou algumas bolas em cruzamentos que teriam sido socadas por Quim. Olhando para esta foto, apetece então perguntar, terá sido por este aspecto que Moretto jogou ontem ?? Koeman deverá estar a pensar para si, "Decisões, decisões." Fotos de Isabel Cutileiro in SL-Benfica.

    Notas soltas (trocos)

    Apetece-me escrever utilizando uma ordem cronológicamente correcta, portanto sou forçado a começar pelo jogo entre dois candidatos ao titulo (?) disputado no sábado. Infelizmente não pude ver a 1ª parte mas de acordo com diversas análises que tive oportunidade de ler/ouvir, terá sido nos primeiros 45 minutos que o Sp. Braga mais fez pela vida. De resto o remate do Carlos Martins que foi defendido pelo Paulo Santos e que viria a originar o canto que daria o 2:1, terá sido o primeiro remate à baliza efectuado pelo Sporting. Ora, visto estarmos nessa altura com cerca de 70 minutos jogados, creio que está tudo dito acerca da exibição do clube leonino em Braga.

    Antes de me debruçar um pouco sobre as contradições de que a gestão do futebol sportinguista enferma, gostaria de debitar meia duzia de palavras sobre o Braga. Voltou a repetir o mesmo resultado que havia obtido perante o candidato (!) Benfica e creio nunca ser demais realçar a consistência do seu futebol. Ontem, e após se ver incrivelmente empatado num jogo que parecia dominado (e morto), e sofrendo inclusivamente para conseguir manter o 2:2 no período imediatamente a seguir ao bis de Liedson, conseguiu dar a volta por cima e, em mais um lance de bola parada, voltar à posição de vencedor. Tem actualmente o futebol mais geométrico de Portugal. Além disso tem por norma feito bons negócios com os clubes da capital, quer seja através da entrada de capital (Tiago, Armando e Rocha para o Benfica) ou conjugando o factor económico com o fortalecimento do plantel (episódio Wender, vendas de João Alves e Abel para o adversário de sábado), e tem um treinador de continuidade que conhece os cantos à casa melhor do que ninguem. Uma palavra de apreço portanto para a administração da SAD bracarense. Não contava realçar nenhum jogador em particular porque só vi cerca de 30 minutos do jogo mas é impossivel fugir à vingança, que neste caso se serviu quente, do Wender sobre o seu ex(?) clube. Marcou dois golos decisivos e teve uma noite de sonho que nenhum jogador desdenharia. Passemos portanto ao Sporting. Há um pequeno episódio que ilustra bem o meu sentimento relativamente à gestão desportiva do clube da segunda circular. Como já referi só vi o jogo a partir dos 5o/55 minutos e uma das primeiras imagens que vi mostravam um jogador envergando a camisola verde-e-branca a perseguir uma bola. Nada de extraordinário portanto não fosse se dar o caso de eu não conhecer aquela cara de lado algum. Não me considero um expert futebolistico, ou melhor, pronto, considero, mas isso não vem agora ao caso, daí que só admito não conhecer uma cara de um jogador de um dos três grandes se estivermos perante a seguinte situação:

    • ex-junior chamado para colmatar insuficiências pontuais, nomeadamente devido a um surto de lesões ou castigo dos titulares e habituais reservas.

    Foi me portanto fácil descortinar estarmos em presença de um miudo que estava a fazer pela vida, lançado às feras que havia sido, e a minha duvida reside aqui: quais são os jogadores do Sporting que estão actualmente lesionados ou castigados? Sei que o Devid está a pagar por aquilo que (não) fez, isto é chegar a tempo das férias natalicias e que o certificado do reforço argentino não chegou a tempo de ser utilizado neste jogo. Mas é só. De resto, Silva já não há e Pinilla já se prepara para exibir o perfume do seu futebol nos treinos da sua equipa nos relvados espanhois. Não sendo particular apreciador de qualquer destes jogadores ou sequer apologista da luta consistente pela titularidade do jovem Varela nesta fase da sua carreira quero crer que qualquer uma destas hipóteses seria sempre mais vantajosa para o Sporting do que o ex-junior supracitado. Não que tivesse jogado mal ou destoado dos restantes companheiros, e isto tambem é preocupante pois tal não se deveu a uma exibição muito conseguida do avançado promovido mas sim a um nivel exibicional, quer estejamos a falar em termos colectivos ou individuais, muito abaixo do exigivel a um clube de uma SAD que se quer pujante e dominadora no panorama futebolistico nacional.

    Escapou-me alguma coisa e o Sporting passou de repente a fazer parte do lote de clubes que luta pelo acesso às competições europeias, renegando as hipóteses de se sagrar campeão nacional?

    Por ultimo, é possivel dissociarmos o jogo de sábado dos dirigentes responsáveis pelas dispensas e aquisições do clube? Culpabilizar os Wenders desta vida ou os Paulos Bentos é demasiadamente redutor.

    Next.

    Mais uma "casa cheia" na Luz. Faço parte dos felizes detentores de um cativo pelo que muito me apraz a onda que se tem verificado nos ultimos 4/5 jogos que, não duvido, tem empurrado a equipa para algumas vitórias que sem a moldura humana que mais uma vez foi possivel constatar no jogo de ontem dificilmente teria sido alcançada. Não foi no entanto o caso do jogo de ontem. Tratou-se de uma vitória normal da equipa mais forte sobre a equipa mais fraca. Poder-se-á defender que aquele golo inaugural praticamente no primeiro remate à baliza ajudou à tranquilização de equipa e adeptos mas estou certo que seria sempre uma questão de tempo até o Benfica ganhar o jogo. Não que o Paços tivesse sido inofensivo mas a onda, que se pode vir a tornar tsunami, está aí, e a equipa da capital do móvel soçorbaria sempre, como acabou por suceder, perante as vagas dos avançados encarnados.

    Depois da movimentações de natal previam-se algumas alterações na base da equipa mas a verdade é que de surpreendente (terá sido mesmo?) só a entrada directa do Moretto que passou da melhor defesa da Europa para outra que não sofria golos há 5 jogos, relegando o Quim para o banco de suplentes. Faço aqui um pequeno parêntesis para salientar as alternativas que o Benfica tinha no banco ontem:

    • Quim
    • Leo
    • Manuel Fernandes
    • Manduca
    • Karagounis
    • Robert
    • Mantorras

    Salta aos olhos o acréscimo de qualidade, juntando esta à quantidade, binómio raramente visto para as bandas da Luz nos ultimos 10 anos, verificado nesta altura no plantel benfiquista.

    Há aqui alterações que estão a pedir para ser feitas, o povo pede insistentemente Manuel Fernandes, e quem diz isto tem em mente além da entrada do jovem internacional português tambem, e sobretudo, a saída do Beto da equipa. Infelizmente, e apesar de ter estado escassos 15 minutos em campo, voltou a demonstrar as mesmas insuficiências que já o haviam relegado para o banco antes de se ter lesionado. E quando assim é, e apesar de eu ser mais um dos muitos que se têm visto apoderados de uma ambivalência dificil de digerir em termos estomacais, pois a um "ahhh" de apreço por cada bola roubada segue-se na maior parte das vezes um "grrrrrr" de frustração por a bola recuperada ser logo perdida, tenho que concordar que o Beto merece se manter como titular neste momento.

    Será Karagounis uma opção para aquele lugar? Para fazer dupla com Petit, mais uma vez exibiu-se em grande plano, ou para tomar conta do flanco direito acho que o grego está talhado para entrar na equipa. Até porque não estou certo de que o Simão se mantenha por muitos mais dias no clube.

    Na defesa as coisas não funcionaram particularmente bem mas foi o suficiente para guardar a inviolabilidade das redes por mais 90 minutos. E vão 540. Nelson regressou ao nivel do que havia exibido nos primeiros jogos e formou com Simão uma ala esquerda muito empreendedora, até à deslocação deste para a direita para dar espaço à entrada do decepcionante Robert. Mas já todos, nós os conhecedores, sabíamos que estas contratações de bons jogadores que por um ou outro motivo estão encostados no seu clube têm este contra: há que dar tempo para que estes se reencontrem com o seu antigo "eu". Karagounis vai a caminho e o francês tambem lá há-de chegar. Assim Koeman saiba gerir ambos os casos com pinças pois a fronteira entre o regresso ao passado e a continuidade do fracasso recente pode ser bastante ténue.

    Mas, sejamos claros, é uma opção de mercado e até ver concordo com a medida pois se em cada 2 houver 1 que faça a transição desejada por cada um dos 53 mil presentes no Estádio ontem, e dos milhões que "sofreram" (entre aspas claro) em casa, já terá valido a pena.

    Uma ultima palavra para Geovanni e Miccoli. O primeiro está a anos-luz do segundo neste momento. Geovanni a titular, já. Ainda para a posição que se pode tornar problemática na ala direita do meio campo, será que o italiano não poderia fazer a posição, desde que devidamente coadjuvado em termos defensivos pelo 2º trinco? É que custa-me ver o Miccoli no banco. Mas ainda me custa mais ver a diferença abissal entre o Geovanni extremo-direito e o Geovanni avançado.

    A seguir ao Benfica entrou em campo o outro candidato ao titulo (!). Infelizmente deste jogo ainda vi menos do que do embate entre os dois Sportings, devido a um contratempo à saída do Estádio da Luz que não me importa especificar. Ou melhor talvez até importe: dos cerca de 5 visitantes do blogue e dos 3 que eventualmente leiam este post até ao fim, pode ser que um deles tenha estado na Luz e tenha achado uma pequena bolsa vermelha, claro, com 40 euros (insignificativo neste momento) e umas chaves de um Renault lá dentro. Não? Pois...

    Seja como for já sei que a vitória do Porto não sofre discussões e que foi, mais uma vez, o Quaresma a resolver a partida. Está numa forma exuberante e a gozar nitidamente com todos quantos dizíamos há poucas semanas que ele nunca viria a ser um jogador decisivo no sentido de colocar ao serviço do clube as suas qualidades individuais. A transição ainda não está completada mas está indubitavelmente mais perto de ser conseguida do que nunca.

    Sei bem que a janela do mercado de transferências ainda não está fechada mas ser-me-á dificil de entender se até isso acontecer o Porto não se reforçar com um avançado e com um ou dois jogadores para a sua defesa. Ou os tempos são mesmo de vacas magras ou então Pepe, Ricardo Costa, Sonkaya têm qualidades que eu ainda não lhes consegui creditar e é mentira que Sokota está (irremediavelmente?) lesionado e McCarthy se prepara para ir para a CAN.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

    Eureka!

    Quando todos opinam sobre a validade da nova contratação do Benfica para atacar a segunda metade da época, tendo eu inclusivamente embarcado nessa enorme viagem colectiva que além dos obviamente interessados adeptos benfiquistas tambem merece, como sempre acontece, uma marcação cerrada por parte dos adeptos do 2º grande clube português, descobri o real motivo desta aquisição. E é com uma alegria imensa e sem conseguir esconder algum orgulho pela descoberta que ainda não vi nenhum blogger ou analista desportivo realçar, que vos anuncio a principal vantagem adquirida pelo Benfica com a vinda do Lauren Robert. Vamos passar a ver estes lances somente com a camisola das quinas:

    Além do efeito irónico da questão, pois os adeptos do 2º grande clube português deixarão de se poder consolar ao pensar "Pois, tenho que levar com ele a marcar os livres e os cantos da minha selecção, mas ao menos fica o consolo de o ver a anular quase por completo qualquer hipótese de êxito na sequência de lances de bola parada no seu clube"; como dizia, além da suprema ironia supracitada tambem é um passo seguro para eu ganhar a aposta colectiva, que efectuei com todos os meus conhecidos e amigos (e mesmo com algumas pessoas que não conheço de lado nenhum) após o golo marcado ao serviço da selecção num dos ultimos particulares, em como até ao fim da época o Petit não marcaria mais nenhum golo de livre ao serviço do Benfica.

    Adenda: o seu a seu dono, afinal a pólvora já tinha sido descoberta. Há prémio para o 2º classificado?

    Segue o link responsável por me roubar o momento de glória: Diario de um Adepto Benfiquista

segunda-feira, janeiro 02, 2006

    A inocência perdida !!!

    "Se em São Paulo, testemunhas oculares falam de acesas discussões e alguns confrontos, com agressões ao líder benfiquista, sendo Vieira confrontado por alguns cidadãos brasileiros alegadamente ao serviço do FC Porto (o que não foi até agora confirmado) e Moretto quase que era impedido de embarcar, já esta manhã bem cedo, em Lisboa, a cena rocambolesca teve a sua continuação e epílogo." in A Bola De facto, o futebol perdeu completamente a sua inocência e este episódio é mais uma prova disso mesmo. Lembro-me de ter 10 anos e estar a assistir a um Juventus - Porto, final da antiga Taça das Taças. O Porto foi extremamente prejudicado, se bem se lembram, contra uma equipa que contava com o Paolo Rossi, Platini e Boniek. Nessa altura, era já benfiquista com orgulho, e lembro-me de ter ficado extremamente triste com a derrota e também revoltado. Em 1987 ainda consegui festejar a vitória do Porto na Taça dos Campeões Europeus. Hoje em dia, não consigo desejar o sucesso de qualquer um dos rivais, seja em que prova fôr. Mesmo nas competições europeias, e porque não sou hipócrita, não consigo ficar feliz com as vitórias do Porto ou Sporting. Algures no tempo, fui perdendo a inocência, e muito provavelmente devido a episódios como este. Triste, muito triste mesmo.
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