sexta-feira, dezembro 30, 2005

    A coisa não 'tá fácil

    A fazer fé no que se lê hoje aqui e aqui, depreende-se que as coisas para o lado do Dragão já não sejam tão fáceis de conseguir como eram. Afinal o poder universal era mero fogo fátuo e apenas uma questão de tempo até se esfumar. Os €€€€ já não abundam como o tempo das vacas gordas e o desempenho na Europa este ano foi o que se viu. Como ficará o amor próprio de Pinto da Costa, se ambos os negócios falharem? Caso a vergonha não seja maior que o orgulho ferido, o que é o mais natural, já estou a imaginar o habitual discurso irónico(*) de Pinto da Costa: "O FCP nunca esteve interessado em nenhum desse jogadores".

    (*) sempre achei o máximo a classificação que os média fazem aos desmandos debochados do ancião

    O onze...

    O meu onze da primeira volta, numa espécie de 4x4x2. Moretto – O guardião do Vit. Setúbal marcou, nas balizas, a maior parte da 1.ª volta, conseguindo registos acima do normal, para quem defende uma equipa de médio plano. Mostrou egurança e reflexos, bateu recordes e está agora a ser disputado por dois “grandes”. Outras opções: Bruno Vale, Benaglio. Nélson – Uma das mais belas revelações da Liga, para quem não o conhecia verdadeiramente. Quando soube que seria ele o substituto de Miguel, não temi pela troca. Sabia que tinha um potencial explosivo e tem-no mostrado. Arrancou bem mas, com o tempo e as adaptações de Koeman, parece ter perdido “gás”. Outras opções: Abel, Alcides (adaptação interessante). José Fonte – É outra revelação, aqui presente mais porque representa, à semelhança de Moretto, a longa série de imbatibilidade conseguida pelos setubalenses. Oriundo das escolas do Sporting, mostrou-se uma promessa muito interessante. Rescindiu e foi logo aprisionado pelas “garras” da águia. Outras opções: Anderson e Ávalos. Luisão – Um belíssimo jogador, talvez o melhor central dos bons centrais que o Benfica tem neste momento. Segurança, força, sobriedade e tranquilidade – tudo resumido num defesa. Outras opções: Tonel e Nunes. Miguelito – Foi complicado optar por Miguelito, porque a ala esquerda da defesa deste “onze” estaria bem ocupada por qualquer um dos três possíveis eleitos. Confirma-se, a cada dia que passa, ser talvez o melhor lateral-esquerdo português, desempenhando a preceito tarefas defensivas e ofensivas (até já foi extremo...). Onde anda Scolari? Outras opções: Jorge Luiz, Léo. Madrid – Optei pelo argentino do Sp. Braga, até ver, o melhor trinco do campeonato. Jogador muito interessante, pela forma como coordena a equipa bracarense e mexe os cordelinhos. É um trinco mas assume o papel de “pivot”, na maior parte das vezes. Outras opções: Petit e Paulo Assunção. Lucho – O segundo argentino para o meio-campo, à frente do compatriota Andres. O motor do meio-campo do FC Porto nesta primeira volta conseguiu ultrapassar a fadiga resultante do facto de não ter tido férias e, nos últimos jogos, até se revelou goleador. Promete... Outras opções: Benachour e João Moutinho. Quaresma – Se Lucho Gonzalez foi a figura no meio-campo, Ricardo Quaresma foi o “pequeno diabo” do futebol de ataque portista. Espalhou magia e encanto pelos relvados nacionais. O “MVP” da Liga. Outras opções: Manuel José e Manu. Lisandro Lopez – Excelente jogador, mais um a impressionar na máquina de futebol atacante do FC Porto. Parece Derlei na forma como corre, se desmarca e, no fim, ainda assina com marca de golos muitos lances. Outras opções: Simão Sabrosa e Nani. Meyong – Saiu de Setúbal para Belém e continua goleador. Não fosse ele e o Belenenses (tal como o Guimarães, uma das grandes desilusões do campeonato) estava ainda pior classificado. Estará perto dos “grandes”? Outras opções: André Pinto e Saganowski. Nuno Gomes – Um goleador renascido, como “9”, “9,5” ou “10”. Pouco interessa a posição, o internacional português voltou a mostrar a sua raça. Está a ser, provavelmente, a sua melhor época de sempre... Outras opções: Marcel e Liedson.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

    Dejá Vú

    "Não comes, nem sais de cima", é um ditado popular que se pode aplicar à saga já antiga do FCP surripiar jogadores aos clubes adversários, não para se reforçar mas para evitar que os outros se reforcem, logo torná-los menos fortes.Foi assim com o Sporting e Paulo Assunção, sempre foi assim com o Benfica, é e continuará a ser. Assim que surge um rumor, um boato um diz-que-disse sobre um ainda que remoto interesse do Benfica num jogador, eis que se soltam os cães de fila e se põe ao caminho para abortar qualquer aproximação a um jogador, aliciando-os com a ilusão de que ao assinar pelo FCP assinam pelos Campeões Europeus e do Mundo, mesmo que tenham já passado 20 anos sobre esses títulos, pelo melhor clube do planeta e arredores, e ao mesmo tempo sabe-se lá que cobras e lagartos dirão sobre os infiéis lampiões. Dirão os donos da verdade e experts na matéria que é uma estratégia perfeitamente legal, que no futebol vale tudo e o que ganhar a parada, ganhou-a porque foi mais esperto. Ora no caso dos Guarda-redes gostaria, com toda a franqueza, de saber para que raio precisa o Porto de mais um Guarda-Redes quando tem ao seu serviço Baía (claro que já está na fase descendente da carreira), Helton, que foi uma das revelações o ano passado no Leiria e que está condenado ao banco por Co Anderssen, que tratou logo na pré-época de deixar bem claro que Baía seria o titular indiscutível, já sem falar em Paulo Ribeiro e Bruno Vale, este último emprestado ao Estrela e que tem um futuro muito promissor. Bruno Vale, Moretto e Diego Benaglio são neste momento os melhores guarda-redes do nosso campeonato. A conclusão que se tira é que esta é mais uma das milhentas chico-espertice de Pinto da Costa, uzeiro e vezeiro neste tipo de traição pelas costas (lembram-se de Maniche, Jankauskas, Sokota??). Pretende assim que o Benfica não se fortaleça numa posição com bastantes problemas, a de guarda-redes, devido à lesão prolongada de Moreira, de Quim (ainda não totalmente recuperado), e consequentementes não se fortalecendo com um bom guarda-redes tem menos chances de ganhar jogos. É também por essa razão que empresta jogadores a todos os clubes do país para os proíbir, através de acordos de cavalheiros (!?), de jogarem contra o FCP, porque não jogando contra o FCP, o adversário fica mais fraco, e ficando mais fraco é mais facilmente derrotado. Pinto da Costa não gosta de ganhar jogos de maneira limpa, contra equipas mais fortes, porque sabe que desse modo é difícil ganhar campeonatos. Chico-esperto, traiçoeiro, desleal, um cancro que parece eterno a minar cada vez mais o nosso futebol. Vamos ver quem ganha o braço de ferro. Moretto parece preferir o Benfica, mas o seu empresário José Caldeira que é nem mais nem menos o irmão de Adelino Caldeira, um dos administradores da SAD do Porto terá, à partida, maiores possibilidades de desviar o jogador para as Antas.

    Boring

    Faltam 10 minutos para acabar o jogo. As oportunidades ao longo deste foram escassas e o 0-0 será o resultado mais justo parecendo ambas as equipas satisfeitas com o desenrolar dos acontecimentos. De repente um ataque que parece inofensivo no lado direito do ataque visitante e em que a bola está ao alcance do defesa da equipa da casa, este opta por tentar aliviá-la contra o corpo do atacante a fim de ganhar a reposição de linha lateral. A bola acaba no entanto por ficar à mercê do avançado que de pronto isola, sempre pela meia direita, um jogador da sua equipa cujo remate é defendido pelo guarda-redes que não consegue segurá-la sucedendo depois um ressalto (com o braço?) noutro avançado da equipa visitante sobrando por fim para um quarto jogador desta equipa que com a baliza completamente à sua mercê e sem oposição marca o golo que vale a vitória e consequentemente os três pontos em disputa. Sorte? Mérito? Misto de ambas?

    Já dei para este peditório e, visto que até ver não acredito em bruxas, quero crer que tudo se deve a um trabalho meticuloso, profissional, nunca tendo feito tanto sentido a frase "A sorte protege os audazes".

    Na verdade, e quanto ao jogo de ontem em concreto, estou certo que o Mourinho teria ficado contente com a conquista de um ponto, sobretudo tendo em conta a ausência do motor da equipa e por estarmos a meio da maratona suicida na qual os clubes ingleses se veêm envolvidos nesta altura do ano. Após ter jogado na segunda-feira, seguiu-se o jogo de ontem e no sábado há mais.

    O substituto do Lampard acabou por ser o Gudjohnsen que, apesar de toda a sua boa vontade e de lhe reconhecer capacidades técnicas para uma posição mais recuada do que costumava ser hábito antes de ser obrigado a fazer de centro-campista quando sempre foi um avançado, e o islandês acabou por cumprir minimamente aquilo que lhe terá sido pedido mas obviamente nunca poderia produzir o tipo de jogo que o internacional inglês produz com uma cadência fabulosa.

    Residiu aqui uma das principais razões pelas quais o jogo de ontem se revelou enfadonho e pouco espectacular mas quanto a isto, e mesmo com Lampard em campo, tenho que confessar que de entre todos os previsiveis campeões desta época é o Chelsea aquele que para mim tem o jogo menos atraente. É pouco importante? Não interessa? O que contam são as vitórias? A movimentação colectiva do 11, o sentido de entreajuda, o trabalho táctico a um nivel superior quando comparado com a maior parte das equipas, não me fascina? Até posso concordar mas não me culpem a mim se entre ver um jogo do Chelsea ou ver um filme realizado pelo Manoel de Oliveira eu prefira...ler um livro.

    E quanto aos ingleses que, exceptuando os adeptos do Chelsea e os observadores independentes (tambem haverá lá disto?), aturem-no e limitem-se a constatar o óbvio: há luta, sim, mas do 2º lugar para baixo.

    Eu por mim limito-me a ficar contente deste homem já não trabalhar em Portugal e num clube diferente do meu.

terça-feira, dezembro 27, 2005

    Obrigado Pai Natal Veiga!

    Acabei de saber pela nossa imprensa escrita que o Pai Natal apanhou uma grande buba e confundiu Adriano (sim, a minha prenda mais desejada) com... Manduca, o novo reforço (!?) de Inverno do Benfica. Manduca é um avançado muito possante, também ele uma força da Ana Teresa (nome de sua mãe, quiçá?), tal como descrito pelo Supermantorras no post sobre Adriano, cujo percurso glorioso pode ser visto na página do clube insular. A saber : 1998/99 HJK HELSINKI (I), 8 jogos , 2 golos 1999/00 FELGUEIRAS (II) 16 jogos, 2 golos 2000 a 2003 CHAVES (II), 67 jogos, 27 golos 2003/04 PAÇOS FERREIRA (I) 29 jogos, 3 golos 2004/2005 MARITIMO (I) 31 golos, 6 jogos É na verdade o curriculo fascinante que todos os jogadores sonham em ter no seu portfolio, e até apetece perguntar: Adriano?, quem é esse gajo? Ok, eu sei que me vão dizer que é um tipo jovem com grande margem de progressão, que precisa rodar em grandes clubes para se tornar um grande jogador, que fez um grande jogo contra o FCP e marcou um grande golo a Baía, mas e daí, vale a pena gastar 500.000€ num jogador cuja experiência em jogos mais exigentes, como os da LC, é nula? Pode já ser considerado bom o suficiente para reforçar o ataque benfiquista, uma das posições mais carenciadas do plantel? Eu digo que não, mas se alguém conseguir convencer-me do contrário, agradeço!, porque por enquanto a nível de presentes este foi o Natal mais triste da minha vida. Dá-me a sensação que aquela entidade omnipotente, omnipresente e omnisciente que comanda os nossos destinos me está a castigar severamente por um dia ter rido até às lágrimas com a contratação bombástica de Manoel por parte do Sporting.

    Adriano - uma força da natureza

    Ora cá estamos novamente para uma análise a um jogador que se tem destacado no firmamento do futebol mundial. Trata-se do segundo jogador do Inter Milão (ou da Internazionale, para os mais puristas) sobre o qual escrevo mas tal não se deve a qualquer sentimento de maior afinidade da minha parte para com este clube, mas sim para corresponder ao pedido de um amigo que me pediu encarecidamente para escrever sobre o seu (dele) ponta de lança fétiche na minha próxima intervenção bloguística.

    Recordo-me do imperador desde os seus tempos do Flamengo, nos saudosos tempos em que se podia assistir a jogos do campeonato brasileiro através do GNT. Destacou-se na época de 2000/01, após ter ajudado o Brasil a tornar-se campeão do Mundo de sub-17 no ano imediatamente anterior. Apesar de não ter marcado nenhum golo nesta competição terá sido devido às suas exibições que o rubro-negro apostou num míudo imberbe de 18 anos para liderar o seu ataque.

    A meia duzia de golos e, sobretudo, a sua forma de actuar, muito fisica, levou a que o Inter(nazionale) se interessasse pela sua contratação o que acabou por suceder em 2001/02. Trata-se portanto de mais um jogador brasileiro que irá fazer grande parte da sua carreira na Europa. É a triste sina dos adeptos brasileiros que para assistirem à evolução dos seus craques têm que o fazer através da televisão ou, porque não, através da leitura atenta de blogues como este.

    No exigente campeonato italiano e sobretudo num clube como o Inter(nazionale) já se sabia que não seria propriamente de fácil execução a afirmação futebolistica do Adriano. E assim foi.

    Até chegar aos dias de hoje, onde a sua preponderância é indesmentivel, e forma com Martins (sobre o qual tambem quero escrever pois considero-o juntamente com o Messi a nova coqueluche do futebol internacional) uma dupla temivel, teve que ganhar consistência exibicional e, porque não dizê-lo, lógica competitiva, tão do agrado do comum adepto italiano. E fê-lo percorrendo um trajecto que teve muito pouco de convencional pois após ser emprestado à Fiorentina para cumprir o que restava da época 2001/02, viu 50% do seu passe ser vendido ao Parma onde efectuou duas épocas muito boas que lhe valeram nova transferência para o Inter num negócio muito inflacionado devido ao suposto interesse dos rivais do AC Milan.

    Num pequeno à parte a história do Adriano no Inter(nazionale) pode igualmente servir de explicação para a séca de titulos que este grande clube vive desde que se viu sem a sua tripla de ouro germânica composta por Brehme, Matthaeus e Klinsmann, que ajudaram a conquistar o ultimo campeonato italiano. As contratações milionárias e as dispensas, que de desportivo têm muito pouco, sucedem-se e pouco valem quando comparadas com a estabilização que tanto a Juventus como o AC Milan emprestam aos seus planteis.

    Voltando ao Adriano e desta feita para falar do estilo de jogo que ele obriga a que a sua equipa faça no sentido de poder exponenciar todo o seu imenso valor, temos que o próprio Figo se teve que reinventar pois o jogo de cabeça não é uma das caracteristicas mais fortes do ponta de lança que se prepara para dinamitar as selecções contrárias quando em pleno verão compor uma tripla maravilhosa com Ronaldinho e Ronaldo (os célebres três 'érres').

    Quando sabemos que habitualmente faz parceria com o Martins, um rodas-baixas que faz da velocidade a sua principal arma, temos que o Inter(nazionale) acaba por ter um problema estrutural para resolver, pois participando no campeonato do país que inventou o catenaccio, precisa de ter uma filosofia de ataque na maior parte das partidas pois descontando os principais clubes os restantes apostam nesta estratégia de jogo para contrabalançar o maior poderio destas equipas. E, na minha opinião, esta dupla apesar de funcionar muito bem em conjunto, tem qualquer coisa na sua génese que me leva a pensar se é a linha avançada ideal para actuar com um Figo e um Stankovic nas alas...

    Gostaria de terminar com uma referência ao movimento mais forte do Adriano que é aquele corte para dentro, que além de pouco estético tambem é muito previsivel, mas que invariavelmente acaba com a bola a beijar as redes. E a falta de estética e a previsibilidade só aumentam o valor do resultado final pois isso diz muito da potência que ele empresta aos seus remates. Precisamente devido a esta potência muscular não raras vezes assistimos à realização deste movimento nas imediações da grande àrea, a 25/30 metros da baliza, levando a golos que de tão normais já podem ter feito com que não se lhes credite o seu devido valor. Erro no qual eu não incorro.

    Só há um jogador que protagoniza estes lances melhor do que o Adriano e esse alguem é virtual, joga igualmente no Inter(nazionale), actua com o nº 10, e evolui no Pro Evolution Soccer 5.

    Chama-se Adriano.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

    Debate

    O SectorB32 e o 4x4x2 retomaram a velha discussão sobre a renovação dos quadros competitivos portugueses e o Planeta da Bola, pelo menos da minha parte, recorda algumas ideias avançadas no passado. A 24 de Julho de 2003, escrevia isto, no Adepto-de-Bancada: “OBVIAMENTE, REDUZA-SE! – O Laranja Mecânica (das Forças de Blogueio), colocou um desafio: abordar o tema da redução dos quadros competitivos do futebol português. Muito sinceramente, sou a favor (já há muito tempo). Como é óbvio, esta medida só terá sucesso se ao mesmo tempo forem aplicadas outras ideias e processos: a aposta na formação, o rejuvenescimento da classe dirigente (a tal mudança de mentalidades de que há muito se fala!) e o controlo da gestão dos clubes, são talvez as mais importantes. Só com uma enorme revolução, em todos os sectores, pode o nosso futebol melhorar e atingir patamares mais elevados, para benefício de todos os agentes ligados ao fenómeno: jogadores, técnicos, dirigentes, árbitros e adeptos. No que à redução propriamente dita diz respeito, o estudo da Deloitte & Touche propõe três projectos: 10 (o mais revolucionário), 12 e 14 equipas. Há ainda quem fale em 16 equipas, mas este projecto não muda nada (ou muda pouco) e, por isso, vai direitinho para o caixote do lixo. Uma competição com 14 equipas não seria totalmente desagradável, só que teríamos apenas 26 jornadas, poucas para as expectativas dos adeptos. As fórmulas mais interessantes, sob todos os pontos-de-vista, são mesmo as de 10 ou 12 equipas. Dos pontos-de-vista económico, social e desportivo, uma liga reduzida permite ter uma competição de qualidade entre os melhores (e colocar de fora as equipas e treinadores que jogam para empatar e não para ganhar...), o que traz, como é óbvio, mais rivalidade, mais adeptos, mais assistências e mais receitas. A hipótese de play-off traria, numa segunda fase, muito mais emoção, quer na luta pelo título quer na luta pela permanência. Uma coisa é certa: o futebol português é incapaz de progredir com as actuais 18 equipas. Mais: os pequenos emblemas não deixam, infelizmente, espaço à mudança, e a ideia de mudar, encarar o futuro, tem de partir do governo. Senão, fica tudo na mesma. Já tive oportunidade de ler o projecto do Sindicato dos Jogadores, onde são avançadas mais ideias para a modernização do desporto-rei nacional, e, na questão da redução, a proposta é bastante interessante: I Liga com 12 equipas, 22 jornadas na primeira fase, mais 10 jornadas na segunda fase, composta por dois grupos, seis a lutar pelo título e outros tantos pela permanência; a II Liga disputar-se-ia em moldes semelhantes; por fim, a III Liga teria 12 grupos de 12 equipas, o que acentuaria rivalidades regionais, a melhor forma de trazer qualidade e emoção a esta competição. A decisão de manter tudo na mesma ou mudar para melhor tem de ser feita rapidamente. O Euro’2004 está à porta e na próxima época já deveria haver desenvolvimentos neste processo. É a decisão mais importante dos últimos anos: ou continuamos atrasados na Europa ou damos um passo em direcção a um melhor futebol.” Como é óbvio, não lhe retiro uma vírgula, em termos gerais, porque o que se disse há dois anos e meio continua a ser bastante válido agora. Resta-me acrescentar, estendendo o debate ao futebol dito amador, designadamente em relação ao papel das II e III Divisão (na sua génese, profundamente semelhantes), onde defendo a mudança para uma única liga regionalizada, com 10 séries de 12 equipas (120 equipas). Por exemplo: Grande Lisboa, Grande Porto, Algarve, Alentejo, Beiras Alta/Baixa/Interior, Beira Litoral, Minho, Trás-os-Montes, Madeira e Açores. Basicamente, esta alteração aumentaria a competitividade e a rivalidade, trazendo mais espectadores aos campos. E para aqueles que têm peles de galinha em comparar o “fabuloso” campeonato português com outros de igualha menor, recordo as estatísticas desta época, em termos de assistências a jogos de futebol. Segundo o site European Football Statistics, as médias relativas à época 2005/2006 são estas, por ordem (os 20 primeiros): Alemanha, 39965; Inglaterra, 33275; Espanha, 29961; Itália, 22217; França, 22177; Escócia, 16222; Holanda, 16110; Rússia, 12241; Bélgica, 10107; Portugal, 9698; Noruega, 9480 (média final de 2005, com o campeonato findo); Suíça, 8894; Suécia, 8738; Dinamarca, 7890; Áustria, 7696; Ucrânia, 7588; Grécia, 6036; Roménia, 5527; Polónia, 5081; e Rep. Checa, 4335. Como podemos observar, o tão discutido campeonato escocês, apesar da afamada (falta de?) competitividade consegue quase o dobro da nossa média de espectadores. Ou seja, tirando as cinco principais ligas europeias, há mais quatro posicionadas à nossa frente, Escócia, Holanda, Rússia e Bélgica. Tomara que a nossa média fosse a escocesa, não? Pois, o impacto do Euro’2004 já passou... e os adeptos estão cada vez mais convencidos ficar em casa. Mas vai tudo ficar como está. Ou não estivéssemos em Portugal!

    Revisão, 16

    TUDO NA MESMA - FC Porto, Nacional, Benfica e Sporting terminam 2005 em alegria. Venceram os seus encontros e colocaram-se nos principais lugares da "pole-position", antes de ser dado, em Janeiro, o arranque para a segunda metade da Liga. Em Guimarães, Adriaanse confirmou que, parece, finalmente, ter um "onze" mais ou menos bem definido, depois de ter ganho o meio-campo que lhe faltava, no início da época, para construir a superequipa a que se propôs. Paulo Assunção e Lucho controlam, Quaresma cria e Lisandro corre e concretiza. Sem Europa para pensar e discutir e com algumas remodelações no plantel para encetar, o principal candidato confirmará as expectativas na segunda volta? O Rio Ave foi demasiado macio para um Sporting descontraído, que chega tranquilo a esta fase da Liga, depois do início de época conturbado. O leão promete - e se Liedson voltar à forma que lhe conhecemos, então, cuidado. Quem não foi macio, perante o campeão nacional, foi o Vit. Setúbal, que causou imensas dificuldades aos encarnados, a quem a vitória caiu literalmente nos pés, quando já todos pensavam na contabilidade dos pontos perdidos para rivais. Além da luta no topo, destaque para o mau período do Boavista (derrota pesada em casa antes do dérbi), a lenta mas mais que certa confirmação de que o Penafiel tem a corda na garganta, e a vitória do Belenenses - será que, com Couceiro, vamos ter mais Belém na 2.ª volta? A EQUIPA - Nacional. A equipa de Manuel Machado é, talvez, a maior surpresa da primeira volta. Ok, o Setúbal passou por muitas dificuldades e mostrou excelentes qualidades; mas os madeirenses (e brasileiros) orientados pelo antigo técnico do Guimarães demonstram sentido prático da coisa e saber de conjunto. Jogam, se me permitem, à "Machado", tal como este já nos habituou. A vitória frente ao Boavista deixa-os em 2.º lugar. Depois do descanso, que vai acontecer? O JOGADOR - Ricardo Quaresma. O extremo do FC Porto chega à metade do campeonato com a certeza de se tratar, neste momento, do melhor jogador da Liga mas com a aparente possibilidade de nem isso lhe chegar para ir à Alemanha fazer as figuras que tem feito em prol do bem nacional. O golo que marcou ontem é um hino ao futebol. Quaresma está em plena forma. Sr. Scolari, tem-no visto? LÁ FORA - Lopéz Caro garantiu, um dia antes, a confirmação, por parte do presidente, de que ficaria até final da temporada. No dia seguinte, liderou o Real Madrid para nova derrota em casa. Neste momento, o Real está em 5.º lugar e não se afigura como certa, sequer, neste estado de coisas, a hipótese de garantir a Liga dos Campeões no final da época para preparar nova revolução (ou semi-revolução?). No próximo Verão, quando Fabio Capello chegar a Bernabéu, vai encontrar exactamente o quê? A FRASE - "Se estivesse com eles diria para crescerem. Muitas pessoas gostavam de ter o trabalho deles e de serem como eles" - Richard Caborn, o professor a instruir os pupilos Mourinho e Wenger, acerca da zanga natalícia.

quinta-feira, dezembro 22, 2005

    A teoria da conspiração (1ª Edição)

    Já repararam que certas equipas contra o Benfica fazem o jogo da sua vida e depois contra outras equipas assumem o papel de bombo da festa ? Isto a propósito do Rio Ave, que na época passada empata 3-3 em pleno Estádio da Luz e depois vai perder 5-0 a Alvalade. Pensei eu que tinha sido um incidente isolado, mas eis que este ano a tendência confirma-se. Empatam na Luz novamente 2-2 (onde é o Benfica a conseguir empatar nos últimos instantes) e depois vão perder 3-0 a Alvalade. Digam o que disserem, é no mínimo estranho. É assim, eu não acredito em bruxas "pero que las hay ...". É verdade, não me apresentei convenientemente. Sou o JJoão, nova contratação deste blog, e a minha especialidade é ler nas entrelinhas.

    Até pagam por cima!

    foto: A Bola Vagner Love pergunta desde o Brasil: «O Benfica ainda me quer?...» in Notícias na Hora, A Bola Se prometeres marcar 30 golos por época, não jogar no sportém ou no fóculporto até arrumares as botas, tens sempre a porta aberta. Quanto a dinheiros, fica já sabendo que sendo uma honra jogar no Glorioso, só ao alcance dos grandes craques (por isso o Tomasson está a jogar num clube de segunda categoria) deverás assinar um contrato (em branco) de 3 épocas com mais 5, vá lá 6 de opção, jogar pro bono (para prima donnas já temos o Nuno Golos e o Grande Simão) e doar os prémios de jogo às escolinhas dos nossos futuros craques. Estamos de acordo? Óptimo, vou já ligar ao Veiga.

    Baptismo de Blog

    Andava o meu alter ego perdido na blogosfera à espera de uma boleia virtual quando vejo ao longe o Vermelhão com os meus comparsas da bola, o Bada Bing e o Superman torras (oi péssoau). Não sei se foi por piedade, isso agora não interessa, ofereceram-me boleia sem sequer exigir uma carta de recomendação e eu nem hesitei. Pudera, andava há anos à espera de uma oportunidade destas para destilar o meu veneno (também ele virtual, descansem). Chegou a hora da verdade. Comigo à solta na selva da blogosfera ninguém me segura. Como um verdadeiro animal à solta não vou ficar agarrado a uma única posição no campo, pelo que me verão actuar a extremo, 1º ou 2º ponta de lança, 9,5, médio ofensivo (sem ofender), defesa esquerdo, central ou até roupeiro, meto o turbo e lá vou eu pró que der e vier. Posto isto, abram-se as cancelas e que comecem as hostilidades. Nota de rodapé: Bada Bing e Superman, lamento mas agora é tarde para arrependimentos. Tarde piaram e lá terão que levar comigo até ao fim da viagem.

    Caídos do céu...

    Três pontos absolutamente caídos do céu. A tal "estrelinha de campeão" que, na época passada, também passou em alguns jogos do Benfica de Trapattoni, apareceu ontem, em Setúbal, empurrando o Benfica para o 2.º lugar (provisório). Digamos que a "estrelinha" salvou o Benfica de um empate que, verdadeiramente, não merecia, pois foi quem mais fez para vencer o encontro, especialmente na segunda parte, em que a "maré vermelha" empurrou o Setúbal para a sua área. As dificuldades que os sadinos têm fora de campo não se espelharam dentro do campo, como tinha sido habitual ao longo da época. O Vitória deixou a "pele" em campo e complicou muito a vida às águias. Essencialmente, isso aconteceu no primeiro tempo, em que as amarras da equipa da casa controlaram um Benfica amorfo e previsível. Mostrando as qualidades já evidenciadas até agora, o Setúbal arrancava em perigosos contra-ataques e chegou a ter um par de oportunidades para abrir o marcador. O segundo tempo foi o contrário: o Benfica ganhou dinamismo e vontade e "pegou" totalmente no jogo, com a estatística a mostrar, no entanto, uma equipa pouco eficaz no aproveitamento das flagrantíssimas oportunidades de que dispôs. Karagounis e Mantorras, especialmente, tiveram nos pés a hipótese de fazer descansar os adeptos mais cedo mas falharam incrivelmente. Quando se antecipava a crónica do jogo como se fosse mais uma oportunidade perdida para o Benfica se chegar ao FC Porto, chegou a decisão final - Nuno Gomes atirou meio torto e, com alguma felicidade, bateu Moretto (o melhor guarda-redes da primeira volta da Liga?). Às vezes, acontece. Nota positiva para Karagounis. Até agora, e ao contrário do que parecia, ao Benfica não tem valido, curiosamente, as qualidades do grego e até de Miccoli, afastados devido a lesões (deixando para os atletas que já estavam no Benfica a glória, por exemplo, da eliminação do MU). A clara mais-valia que se antecipava com esta dupla-contratação, mesmo ao fechar do pano das inscrições, tem estado em "banho-maria". Ontem, Karagounis deu-nos a provar um pouco do seu "sumo" - é um excelente jogador, só pecando, aqui e ali, por um excessivo apego à bola. Resta-nos esperar pelo melhor de Miccoli. p.s. - Começo a notar que o Benfica, aos poucos, vai-se livrando do "efeito-Simão", até há bem pouco tempo indispensável nas rotinas de jogo. A equipa já sabe jogar sem Simão e, sendo assim, não me parece grave a sua saída, nesta pausa de Inverno - por uma maquia que permita trazer outro extremo-esquerdo de valia.

terça-feira, dezembro 20, 2005

    Mercado de Inverno

    Imbuído de um espirito natalicio que, estranhamente, este ano ainda não havia dado de si, proponho-me a fazer um pouco de serviço publico e sugerir as alterações que cada um dos grandes portugueses deveria fazer na reabertura do mercado de modo a poder ficar mais forte no assédio às competições em que cada um deles ainda está envolvido na presente época 2005/06. Começarei tendo em conta a actual classificação e optei por incluir o Braga nestas contas por julgar sinceramente que pode ter uma palavra a dizer no que à conquista do campeonato nacional diz respeito. O actual lider da classificação tem quanto a mim um plantel algo desiquilibrado quando se compara a vertente ofensiva com a defensiva. Pese embora esta opinião e devido a algumas situações particulares que vão levar à quase ausência de pontas de lança em Janeiro, tambem prevejo a necessidade de adquirir um ponta de lança (pelo menos). Senão vejamos: McCarthy provavelmente irá ser chamado a disputar a CAN, Sokota continuará lesionado (ad eternum?), Postiga foi vendido. Sobram Hugo Almeida, que muito jeito daria noutros clubes, nomeadamente no Benfica, mas cujo ano de explosão já se previu mais perto do que sucede hoje, dia em que estou a escrever este post; e Lisandro, que tem sido utilizado numa óptica de 2 avançados e muitas vezes é colocado numa posição parecida à que era ocupada pelo Derlei antes de ir para a Russia. Assim, e de caras, é preciso mais um ponta de lança. Fala-se em Marcel e é sem duvida uma opção a ter em conta pois tem perfil e qualidade para se impor numa equipa melhor que a Académica. E como dinheiro não costuma ser, ou pelo menos não tem sido, problema para os lados do Dragão e até já se falou no possivel interesse do Benfica na aquisição do jogador, já está meio caminho andado para ser apresentado como reforço do Porto. Do meio campo para a frente estamos conversados. Na defesa, urge a contratação de pelo menos 1 defesa central de categoria, sendo que se fala em Jose Castro, tambem da Académica, como uma das hipóteses. Não desgosto do jogador mas não me parece ser o estilo de jogador que se imponha num grande no imediato, sobretudo se apanhar o comboio já em andamento. Para as laterais, e embora o Cesar Peixoto se esteja a adaptar razoavelmente à posição, penso que isso sucede mais por inexistência de opções crediveis do que propriamente em vontade de fazer do ex-Belenenses um defesa esquerdo para o futuro. Para já, Marek Cech constitui uma incógnita mas quero crer que se fosse uma contratação conseguida já teria feito mais minutos do que os que fez até agora. Na direita abstenho-me de classificar o Sonkaya e o Bosingwa coloco-o no mesmo patamar do Peixoto. Assim, e resumindo, para o FCP, contratava:
    • um ponta de lança - Marcel?;
    • um defesa central - Jose Castro?;
    • um lateral (esquerdo ou direito) - Miguelito? .

    À frente de Benfica e Sporting surge o surpreendente Sp. Braga. Só é surpresa no entanto para quem não acompanhou a evolução da equipa bracarense nas ultimas épocas. O trabalho sustentado da SAD arsenalista, ao qual não pode igualmente deixar de se adicionar os préstimos competentes do Jesualdo Ferreira, tem dado os seus frutos, tanto assim é que para mim com 1 ou 2 contratações criteriosas, tem equipa/plantel para lutar pelo titulo até à ultima jornada.

    Não estou certo do tempo de recuperação que ainda falta para o regresso à competição do Delibasic, mas se não estou enganado em Janeiro já estará de volta. Como os golos do argentino Maxi Bevaqua para já se resumem ao jogo com o Benfica e contra este clube já só se preveja um jogo até ao final do campeonato (Taça de Portugal excluída), está aqui uma das pechas da equipa do Sp.Braga que devem ser suprimidas em Dezembro.

    A outra tem a ver com a fé, ou falta de, no completo restabelecimento do Hugo Leal, sobretudo quando temos conhecimento das ultimas épocas que ele tem feito no período pós-lesão contraída ao serviço do PSG.

    E não mexia mais.

    Resumo:

    • um médio centro, para fazer a transição defesa/ataque;
    • um avançado-centro.

    O actual campeão nacional tambem tem, como não podia deixar de ser, algumas inconsistências no seu plantel. Na baliza a ausência prolongada de Moreira e a eliminatória da LC aconselham a contratação de um GR experiente, com nome feito, que possa lutar com o Quim pelo posto de nº 1.

    Em condições normais, isto é, com a não-qualificação para os oitavos-de-final da Champions, não desdenharia a continuidade do Rui Nereu como 2º GR, mas as circunstâncias exigem a que a chance de poder (voltar a) fazer história nas competições europeias seja devidamente aproveitada.

    Falta tambem um extremo, de preferência ambidextro, e um ponta de lança forte. E quando escrevo forte penso no sentido mais lato do termo, isto é constituição fisica. Claro que tambem convém que seja forte em termos futebolisticos mas neste momento exige-se um pouco mais da primeira caracteristica do que da segunda. Se puderem ser as duas, melhor ainda.

    E é só. Aproveito para indicar dois ou três nomes que caíam que nem uma luva, pese o meu desconhecimento sobre os valores envolvidos nestas contratações bem como, muito importante, a solvência financeira do Benfica e se esta permite ou não à concretização das operações:

    • um guarda-redes - Toldo?;
    • um extremo - Wilhelmsson?;
    • um ponta de lança - Cavenaghi?.

    O Sporting é, entre os candidatos ao titulo, aquele que na minha opinião necessita de mais mexidas. Para tal muito contribuem os tiros na água que se vieram a constituir algumas das contratações efectuadas no defeso, algumas das quais se preparam para ser revertidas nas próximas semanas.

    Na frente, e o facto de invariavelmente começar as minhas análises pelo sector avançado das equipas só pode abonar em meu favor e na óptica ofensiva que os meus olhos castanho-escuros (um pouco de informação pessoal nunca fez mal a ninguem) gostam de emprestar ao futebol que têm oportunidade de visualizar, como dizia, na frente o SCP vai ter um problema semelhante ao FCP (McCarthy - Àfrica do Sul) e ao SLB (Mantorras - Angola), ou seja a previsivel chamada do Douala à selecção dos Camarões para participar na CAN.

    O problema é que desde meados da época passada que o extremo africando é pau para toda a obra e tem sido recorrentemente utilizado num esquema de dois avançados, partindo da linha sim, mas flectindo muitas vezes para o centro para desta forma emprestar outra profundidade ao desamparado Liedson. Isto funcionou várias vezes com o Peseiro e se esta época ainda não se observou a dupla a carburar em pleno, o maior ónus da culpa deve recair no brasileiro que tarda em atingir a mesma bitola da época passada.

    Há portanto aqui uma posição (que como expliquei mais acima podem perfeitamente ser duas) que tem que ser reforçada sob pena de, se tal não for conseguido, a equipa perder muita da sua capacidade de explosão o que num conjunto que em 75% dos jogos tem que assumir o controlo da partida, pode ser fatal.

    Depois há, ou melhor, não há Rochembak, cuja saída nunca chegou a ser suprimida. João Alves tarda em afirmar-se e Carlos Martins entra directamente para o mesmo item de jogadores no qual coloquei o Hugo Leal. Falta um patrão. Que não Sá Pinto, obviamente.

    Por ultimo na defensiva, Rogério vai sair e a unica opção que resta é o antigo central Miguel Garcia. Na esquerda não se voltou a falar no empréstimo do Paíto, mas Edson está de saída. Beto tambem já viveu melhores dias e assim sendo, além das primeiras observações acerca das carências no ataque da equipa, até me parece ser na defesa que estão, ou podem vir a estar, os maiores problemas do SCP no inicio de 2006.

    Assim, teríamos as seguintes necessidades que o actual 6º classificado precisa colmatar para poder sonhar com a conquista do campeonato:

    • um avançado - Pisculichi?;
    • um extremo para jogar na esquerda ou na direita - ?;
    • um substituto para Rochembak - Romagnoli? Ricardinho?;
    • um defesa direito;
    • um defesa central.

    Termino com o desejo de que este campeonato tenha o mesmo nivel competitivo do anterior, olvidando a discussão sobre se a competição é nivelada por cima ou por baixo e, se possivel, que o vencedor só venha a ser encontrado na ultima jornada.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

    Depois de ver o Reggina vs Inter (...)

    Deparei-me com uma duvida semi-existencial: será que ainda está para aparecer o melhor Veron?

    Os ultimos jogos já tinham deixado água na boca a quem, como eu, morriam de saudades (exagero linguístico) do velhinho Veron dos tempos da Lázio que por esta altura se julgava completamente morto e adormecido. Felizmente o ultimo mês, mês e meio, dá a entender que estava mais adormecido do que morto ou então e se quisermos ser um pouco mais dramáticos poderemos estar em presença de um renascimento futebolistico que não pode deixar de agradar a todos os amantes do desporto-rei.

    Posso estar enganado mas creio que a entrada do Luis Figo em cena pode ter alguma coisa a ver com a subida de forma do argentino, e da restante equipa interista, pois o jogador português traz aquilo que sempre evidenciou tanto no Barça como no Real Madrid, ou seja capacidade competitiva a toda a prova e cultura futebolistica tremenda que não parece ser afectada com o avançar da idade. Óbvio que já não se trata do mesmo jogador que fazia da pujança fisica a sua principal arma mas....ups, e não é que agora me estava a desviar do tema e já ia começar a falar do Figo?!? Ficará para segundas nupcias se não se importam.

    Veron. É dele que se trata. O trato de bola nunca o perdeu, mesmo quando teve aquela passagem horrorosa por Inglaterra e que se julgava perpetuada ao observar os seus primeiros tempos de Internazionale, a visão de jogo tambem esteve sempre presente, mas nos dias de hoje, e esta afirmação ganha outra consistência quando falamos do futebol italiano, um jogador sem condição fisica e/ou capacidade de resposta psicológica, pode ter os melhores pés deste mundo e a visão periférica mais abrangente que se conhece que sem os predicados anteriormente anunciados valem pouco mais que coisa nenhuma.

    Ora, alicerçado pela presença de um Cambiasso que parece atingir niveis mais condizentes com o que chegou a ser vaticinado no inicio da sua carreira, e nunca chegou a ser cabalmente cumprido, e pelo já supracitado efeito Figo, temos então que o nosso carequinha mágico (espero que ele não leve a mal) se tem exibido de uma forma pouco menos que magistral sendo que ontem teve um daqueles momentos que me deixou, literalmente, com a boca aberta.

    Se não tiveram ocasião de ver, imaginem: canto a favor do Inter, sobre a direita do seu ataque, para marcar, Veron. Como sabem é dextro, logo o normal seria chutar a bola com a parte interior do seu pé direito de forma a que a bola fizesse uma curva, mais ou menos acentuada dependendo do efeito a dar pelo talentoso pé tamanho 42 (estou a inventar), acontece que ao contrário do normal e expectável ele opta por marcar o canto com a parte de fora do pé direito fazendo com que a bola faça o efeito contrário ao acima enunciado e se dirija com perigo insuspeito para a baliza contrária. Infelizmente e isto até pode servir para dar outro grau de misticismo a este lance, assim ao género do chapeu do Pele no Mundial de '70 que passou ao lado da baliza, o defesa que estava colocado no primeiro poste cortou o lance, a meias com o travessão e o lance não deu golo. Não deu golo mas, a não ser que eu tenha o azar de vir a contrair Alzheimer e/ou venha a sofrer de falta de memória quando a idade já não perdoar, é um pontapé que não me vai sair da cabeça facilmente.

    E ajuda igualmente a pôr em perspectiva, servindo tambem os meus propósitos de fanático da bola que se tem que desculpar a outrem quando por este motivo deixa de cumprir certos compromissos sociais, o porquê de passar hora e meia de um domingo solarengo a olhar para a televisão para visualizar um jogo entre uma equipa mediana do campeonato italiano e outra candidata ao 2º lugar.

    Obrigado Veron!

sexta-feira, dezembro 16, 2005

    Peter Crouch

    Vai parecer que só estou a escrever estas linhas devido ao sorteio da Liga dos Campeões que ordenou o embate entre o Benfica e o Liverpool mas a verdade é que já pensava escrever qualquer coisa acerca do alto e esguio ponta de lança inglês mesmo antes de saber que se iria reeditar o confronto entre os reds de Liverpool e os vermelhos de Lisboa. Sou fã deste jogador há cerca de época e meia, ainda ele marcava golos pelo Southampton portanto. Concedo a quem não o aprecia que o seu estilo meio desengonçado (ver foto acima tirada momentos antes do 3:0 nas meias finais da Taça Toyota) pode provocar inimigos, sobretudo entre aqueles jornalistas/adeptos que acham que ter técnica é saber dar toques sem deixar a bola bater no chão ou fintar 15 jogadores numa cabine telefónica. No entanto acho que muitas vezes se cometem injustiças na apreciação de jogadores só porque ao nivel estético eles não correspondem ao protótipo que as pessoas preconizam para um jogador de futebol. Mas, vendo bem, o Maradona não era uma pessoa atarracada e com propensão a ficar gordo? Bem, deambulações mirambolantes à parte e não querendo que perspasse a ideia de que quis comparar o Crouch com o melhor futebolista de sempre (opinião polémica, bem sei), tenho a dizer que considero que o nosso amigo Peter tem uma técnica de ponta de lança bem razoável. Não é nenhum tosco com a bola nos pés e tem aprimorado a sua movimentação nas imediações da grande área, de tal forma que hoje em dia se torna evidente que a espinha dorsal do campeão europeu passa por Hyppia, Gerrard e Crouch. Não resisto igualmente a recordar com saudade os meses nos quais os analistas desportivos portugueses tiveram que engolir um sapo do tamanho dos seus preconceitos quando o Brian Deane deu razão a quem como eu defende que nem só de estética se faz o futebol moderno e fez na altura uma dupla muito respeitável com o Nuno Gomes. Ainda vou ver acontecer o mesmo ao Peter Crouch se bem que neste caso creio sinceramente que tal vai suceder com este a envergar a camisola vermelha mas do Liverpool durante grande parte da sua carreira. Que continue a facturar e a evoluir até Fevereiro, que estagne nessa altura, e que volte em grande lá para a 2ª quinzena de Março, ainda muito a tempo do Mundial portanto, é o que lhe desejo!

quinta-feira, dezembro 15, 2005

    Um "bluff"

    É a principal desilusão desta Liga 2005/2006. A "cidade-Berço" estava à espera de mais. O País futebolístico também. Mas a realidade mostrou-se completamente díspar. Vítor Magalhães tirou uma carta do baralho (Manuel Machado) e prometia ter um "jogo" excelente mas tudo se desmoronou como um "castelo de cartas". Era "bluff". Jaime Pacheco não aproveitou o plantel altamente qualificado que esteve ao seu dispor. Começa a ser difícil acreditar na valia de Pacheco, fora de um Boavista de "combate puro". Falhou no Maiorca, o regresso ao Bessa não foi positivo e quanto a Guimarães é melhor apagar dos registos. Será Vítor Pontes o homem ideal para o actual momento do Vitória? Até pode recuperar e muito, se bem que, com um plantel daqueles, terá razões mais que suficientes para o fazer. Mas creio ser outro "bluff" como técnico, fruto mais da simpatia que Mourinho lhe tem. Do que observei em Leiria, pareceu-me ser mais um "coach" virado para o "pontinho", com uma equipa tacticamente arrumada mas pouco, muito pouco arrojada. Precisamente o contrário do que se lhe pede em Guimarães, onde vai encontrar um plantel forte do ponto-de-vista ofensivo. Acho que, tanto Carvalhal como Peseiro, ou até Cajuda, seriam melhores técnicos para o Guimarães. Pontes, ou muito me engano ou será mais um "bluff"...

quarta-feira, dezembro 14, 2005

    "You'll never walk alone!"

    Ultrapassada a fase de grupos da Liga dos Campeões, o Benfica chega aos oitavos-de-final com a ideia de dever cumprido, de missão aparentemente impossível finalizada em beleza. Tudo o que vier a seguir, será muito positivo. Não vamos colocar balizas onde elas não existem, nem sequer pensar que podemos chegar à final - de ideias lunáticas, está o mundo cheio! Percebo onde quer chegar Luís Filipe Vieira com esse tipo de pensamentos mas, há que perceber, não temos (ainda!) condições para vencer a competição. Como tal, só nos resta enfrentar o próximo adversário com tranquilidade e descontracção. O sorteio de sexta-feira destinar-nos-á um adversário de qualidade, seja qual for o seu nome. Pessoalmente, torço para que os caprichos do sorteio nos destinem o Liverpool. É o campeão europeu; é mais um grande clube europeu a visitar a Luz; é óbvia receita máxima garantida; é o reviver da história. E é ainda assim - e apesar do que disse acima - ficar com aquela pontinha de mistério, de pensar que talvez possamos eliminar outro colossso. É que, desportivamente, só o Inter de Milão será melhor adversário para nós. E o facto de ainda podemos pensar mais alto seria cortado imediatamente caso nos calhasse Barça, Chelsea, Juve ou Milan. Por isso, digo, venham os ingleses. "You'll never walk alone!"

    Koeman - Direito de resposta

    Ora então vamos lá responder ao desafio do meu companheiro de lides.

    First thing first, há uma pequena correcção a fazer, nunca defendi a destituição do treinador do Benfica.

    Quanto muito terei sido o infeliz autor de um sms, enviado no auge da irritação provocada por mais um desaire do Benfica no decorrer daquele mês fatidico em que as derrotas e os empates caseiros se sucederam, no qual dizia cobras e lagartos de toda a gente, treinador obviamente incluído. Mas de forma sustentada, e a frio, nunca me passou pela cabeça que a melhor opção para o sucesso do Benfica 2005/06 passasse pela chicotada psicológica do treinador holandês.

    Repare-se, não é que esteja satisfeito com todas as opções do treinador, ou sequer que não esteja consciente de que há melhores hipóteses no mercado para dar vazão às naturais expectactivas com as quais nós, os adeptos benfiquistas, entramos nesta época após a quebra do longo jejum com a conquista do titulo. Mas trata-se de um tipo de procedimento que folgo muito em ter sido ultrapassado, e curiosamente transferido para outras bandas, pois treinador contratado é para cumprir pelo menos até ao final da época.

    É aí que se farão as contas entre o que era expectável no inicio e o que foi atingido no fim, tendo sempre em conta as diversas nuances surgidas no decorrer do ano desportivo pois nem todos os (in)sucessos podem ser directamente imputados ao(s) treinador(es).Posto isto e até porque creio sinceramente que no mercado do futebol internacional, onde tudo se sabe nestes dias de comunicação global que vivemos, não deixa de ser muito importante o conhecimento que acaba por passar de que no Benfica treinador contratado tem tempo para mostrar o seu trabalho, havendo estabilidade que permite aos profissionais trabalhar cuidando somente dos interesses da equipa e menos nos seus, necessariamente pessoais e egoístas, que poderiam subjugar os primeiros caso estivessemos em presença de um clube que ao menor desaire ou contrariedade opta pelo despedimento do treinador.

    Não escondo que os tempos actuais são de esperança, pois estes 3 jogos vieram dar outro ânimo, tratando-se de exitos obtidos em circunstâncias muito especiais e já frisadas anteriormente pelo Bada Bing, mas para a frente é que é o caminho. Ou seja, se à série de vitórias recente se seguirem jogos nos quais não se consiga vencer e a actual distância para o 1º classificado aumentar, então o titulo deste ano ficará de muito dificil obtenção.

    Mas como o futuro ainda não aconteceu, centremo-nos no presente.

    Com o regresso dos jogadores lesionados, já no sabado que vem (?), surgirão algumas dores de cabeça, daquelas agradáveis, para o Koeman fazer a constituição da equipa. É usual dizer-se que em equipa que ganha não se mexe, mas é dificil passar ao lado da inevitável comparação entre o valor de um Simão, de um Miccoli ou mesmo do Karagounis (mesmo que este ainda pouco tenha mostrado no Benfica) com aqueles que os substituíram durante o tempo em que estiveram lesionados. Defendo assim uma revolução suave e bem fundamentada junto daqueles que tiverem que sair para dar lugar aos recuperados e talvez não fosse má ideia começar com a introdução de um ou no máximo dois destes jogadores mantendo a restante equipa-base enquanto esta for cumprindo.

    Ganhar-se-á na luta por um lugar no 11 titular pois a mensagem que irá passar é que mais que os nomes e o valor intrínseco de cada um dos jogadores, conta aquilo que é feito dentro das quatro-linhas, dando preferência ao factor prestação ao invés do tambem importante factor qualidade natural.

terça-feira, dezembro 13, 2005

    Koeman

    Há duas semanas, no auge de um período negativo em termos de resultados - o empate com o Belenenses, em casa -, Ronald Koeman via a sua vida andar para trás. Era incompreendido, as suas opções não davam resultado, a equipa permanecia emperrada. O meu companheiro de "planeta" pedia a sua cabeça. Enfim, um exagero. Nunca me pareceu na altura que o julgamento precipitado feito sobre ele tivesse razão de ser: quando um treinador perde três, quatro jogadores de valia, como é óbvio, não pode fazer muito. Se o Barcelona perdesse Ronaldinho, Deco ou Puyol, de um momento para o outro, o que poderia Rikjaard fazer? O que Koeman fez - começou a construir um outro "onze", modificando os nomes e não tacticamente a equipa, tentando arranjar formas de fugir ao que parecia ser um "buraco". Aos poucos, o holandês construiu uma "nova" equipa. Aí, há que se lhe tirar o chapéu. Luisão e Anderson são uma dupla intransponível; Alcides é uma descoberta valiosa - um central (será mesmo central?) com aptidões técnicas como há poucos!; Nélson começa a ganhar gosto ao lugar, depois da adaptação; Nuno Assis mostrou que é um elemento precioso; Beto é um médio eficaz e combativo que ajuda a equipa; e, por fim, Geovanni, a última "arma mortífera". Ainda bem para Ronald Koeman, que conseguiu ultrapassar este momento de menor fulgor aproveitando o que tinha no plantel. Às vezes, pode ter algumas ideias com as quais não concordo, mas é um técnico inteligente - e o seu reinado na Luz é, até agora e bem vistas e ponderadas as coisas, muito positivo.

    Bola!

    Estava há que tempos para formar este blogue, na companhia do meu amigo de outras lides, o Superman Torras (provavelmente, o homem a quem envio mais SMS, por mais estranho que isto pareça). Já tínhamos falado disto, variadíssimas vezes, mas por uma ou outra razão ainda estava no "segredo dos deuses". Teve que ser esta semana, depois da "combustão" gerada pela vitória do Benfica (o clube que nos une, para colocar tudo nos seus lugares) sobre o Manchester United. E o que se vai discutir aqui? Bola. A apresentação sucinta do Super já mostrou a nossa "declarações de interesses": seremos "analistas" deste fenómeno interessante que é o futebol. Passará por aqui tudo o que nós quisermos dizer do futebol distrital (do Algarve e de Lisboa), nacional e internacional. Não queremos ser imparciais - nem o vamos ser, especialmente quando a questão chegar ao Benfica. Aí, meus amigos, vai ser a doer. Se há pessoa com quem gostaria de fazer um blogue, o Super é essa pessoa. Já nos conhecemos há cinco anos e já discutimos "mil e uma coisas". Eu regresso a estas lides mais sérias depois de um interregno gigante - para quem não sabe, eu era o Adepto de Bancada. Depois disso, virei-me para o regionalista Algarve Desunited. Agora, quero voltar a escrever sobre futebol de forma mais séria. E se tiver tempo...

segunda-feira, dezembro 12, 2005

    Apresentação sucinta (muito sucinta)

    Mais um blogue que tal como muitos outros terá como principal, para não dizer unica, finalidade a discussão sobre o desporto-rei. Escolhi como imagem de abertura a nova bola apresentada pela Fifa no decorrer do sorteio para o Mundial de 2006 de modo a servir de analogia para este novo sitio que tambem se prepara para rolar na esfera bloguistica internacional, ou pelo menos nos países onde a lingua portuguesa seja mãe. Para já, deixem-me sonhar que os pontapés se irão restringir à bola supracitada e ao blogue fiquem destinadas as flash-interviews onde se costuma jogar mais com as palavras e menos com os pés. Bem vindos e convido-te para o primeiro chute na redondinha, Bada Bing!
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